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Eumundo

Arquivo: Junho 2008

30/06/2008 GMT -3

Grupo de Estudos sobre Gerontologia

rprota @ 15:42

Inscrições Abertas para Grupo de Estudos sobre Gerontologia.

O que é gerontologia?

A gerontologia é um campo de estudos interdisciplinar que investiga os fenômenos fisiológicos, psicológicos e sociais relacionados com o envelhecimento do ser humano. A gerontologia difere da geriatria na medida em que esta última é o ramo da medicina (especialidade) associado ao estudo, prevenção e tratamento das doenças e da incapacidade em idades avançadas.

O aumento da expectativa de vida (ou esperança de vida) e o envelhecimento da população mundial têm preocupado cada vez mais cientistas, intelectuais e formuladores de políticas públicas. O crescimento da gerontologia nos últimos anos é um reflexo dessas transformações.

Fonte: Wikipédia

Informações sobre o Grupo de Estudos:

Coordenação: Profa. Ms. Rosemar Prota, graduada e mestre em Psicologia Clínica com ampla experiência em docência e atuação em gerontologia.

Valor do Investimento Mensal: R$ 100,00 (todo dia 10 de cada mês).

Frequência dos Encontros: todo sábado das 10 às 12 hrs.

Local: Vila Mariana (próximo ao Metrô).

Estrutura: Em cada encontro será feito o estudo de texto específico sobre a área. Os alunos receberão gratuitamente apostila de apoio.

Certificado: Haverá entrega de certificado com o número de horas que o aluno cumpriu no grupo.

Forma de Inscrição: Enviar e-mail para rprota@usp.br

Entrevista com Xesus Jares, professor da Universidade da Coruña e coordenador do colectivo "Educadores para a Paz"

rprota @ 00:46

"A escola não só deverá ensinar o respeito pelas instituições democráticas mas ela própria ser um exemplo prático e quotidiano de organização democrática."

Xesús Jares é professor da Faculdade de Ciências da Educação da Universidade da Corunha, na Galiza, desde 1990. Os dez anos anteriores trabalhou como professor do ensino básico e secundário. É fundador e coordenador do colectivo "Educadores/as pola Paz-Nova Escola Galega" desde a sua fundação em 1983. Nesse âmbito, coordena o Programa "Aprender a Conviver", no município de Vigo. É autor de numerosas publicações, e entre os seus livros tem dois traduzidos para português: "Educação para a paz - sua teoria e sua prática", Editorial Artmed, Porto Alegre (Brasil), 2002 e "Educação e conflito - Guia de educação para a convivência, Editorial ASA, Porto (Portugal), 2002.
Nesta entrevista falamos da importância da escola para a salvaguarda das instituições democráticas - numa altura em que o pensamento único parece ter adquirido um perigoso peso político -, da suposta neutralidade da escola e dos professores face aos últimos acontecimentos mundiais, e de um programa educativo, coordenado pelo próprio Xesus Jares no município de Vigo, que pretende favorecer a resolução de conflitos pela via pacífica, promovendo uma convivência democrática e solidária.

Numa altura em que a violência se sobrepõe ao uso da diplomacia - como ficou bem patente no caso da guerra do Iraque - movimentos como os "Educadores pola paz" fazem ainda mais sentido de existir. Como um dos seus  fundadores, como caracteriza a actual situação do movimento? Continua activo? Manifestou alguma tomada de posição pública sobre o conflito?

Um dos sectores sociais mais activos na resposta anti-belicista em Espanha é precisamente o dos professores e educadores, sem distinção do nível de ensino. As pessoas e os grupos envolvidos no movimento "Educadores Pola Paz" estão a ter um protagonismo muito activo na resposta cidadã em prol da paz e contra esta guerra ilegal, injusta e imoral. Uma prova deste activismo são as represálias que a comunidade educativa está a sofrer, fazendo-nos lembrar o tempo do franquismo. No caso da Galiza, o próprio presidente da Xunta de Galicia, o ex-ministro franquista Manuel Fraga Iribarne, e o seu Conselheiro de Educação, estão a acusar os professores de "violentar a consciência dos estudantes" e mesmo de "forçar" os estudantes a participar nas manifestações.
A Conselleria de Educación da Galiza chegou a enviar uma circular aos jardins de infância e aos estabelecimentos de ensino primário e secundário proibindo cartazes e actividades de contestação à guerra bem como à maré negra provocada pelo navio Prestige, reagindo de forma autoritária a esse activismo que está a passar pelas escolas.
Em relação à posição pública sobre o conflito, estamos a participar em diversas plataformas contra a guerra e, no contexto do programa educativo municipal "Aprender a Conviver", redigimos o "Manifesto pola Paz e Contra a Guerra", já assinado por cerca de cinquenta escolas de todos os níveis de ensino, também publicado na última edição do vosso jornal, ao qual esperamos que também adiram os estabelecimentos de ensino portugueses.
Não tenho dúvida que face à nova situação mundial, traduzida pelo unilateralismo ou imperialismo norte-americano, teremos de estreitar os laços e as relações entre as educadoras e os educadores, tanto a nível europeu como a nível mundial.

Parece que essa tendência de censura e de repressão - característica dos antigos regimes fascistas - está a voltar com alguma força à Europa, nomeadamente nos países governados por partidos de direita. Porque razão acha que isso está a acontecer?

Considero que há duas respostas possíveis para essa questão. Por um lado, uma situação de carácter conjuntural originada pelo jogo político e pela fractura social que se está a produzir entre governantes e governados; por outro, a "direitização" global que se está a produzir no mundo como consequência dos atentados terroristas do 11 de setembro nos Estados Unidos da América. Como já se tem referido, uma das principais vítimas dos atentados de Nova Iorque têm sido precisamente os direitos humanos e a restrição das liberdades individuais.
Em ambos os casos, o denominador comum é o falso dilema que se estabelece entre segurança e liberdade e a utilização perversa do medo entre a população para favorecer políticas conservadoras e de militarização da sociedade. Esse temor tem sido utilizado pela maioria dos dirigentes e ideólogos da política norte-americana e europeia conservadora em benefício de políticas armamentistas e belicistas. Tudo isto disfarçado de um patriotismo asfixiante de racionalidade e de compreensão.

Os estudantes são ensinados na escola a acreditar no respeito pelas instituições democráticas, mas quando organizações como a ONU são postas de lado na resolução de conflitos como o que opõe o Iraque aos Estados Unidos esse princípio pode correr o risco de cair no descrédito. Em que posição fica a escola num cenário como este?

A escola não só deverá ensinar o respeito pelas instituições democráticas mas ela própria ser um exemplo prático e quotidiano de organização democrática. A vida da escola, a cultura organizativa, as relações entre estudantes e entre estes e os professores e a comunidade educativa têm de ser baseados nos princípios democráticos e para os princípios democráticos. Nessa aprendizagem não poderá faltar a análise das posições contrárias, das contradições e dos conflitos que são inerentes à democracia. Não podemos separar a convivência democrática dos conflitos e mesmo das posições  anti-democráticas que convivem na sociedade.
Nesse sentido, a aposta democrática da educação deverá ser hoje capaz de sensibilizar os estudantes para a defesa das Nações Unidas e sua plena democratização, assim como das instituições e tribunais internacionais de justiça, questionando as posições da lei do mais forte e do unilateralismo, que está a inspirar a actual política norte-americana com o apoio do Reino Unido, da  Espanha e de Portugal, entre outros países. A escola deverá igualmente lutar contra a conversão da democracia em mera liberdade de consumo, aceitando as normas e valores impostos pelo mercado através de uma "engenharia da persuasão".

Como explicar esta alteração das relações de poder aos mais novos? Nesse contexto, qual tem sido a opinião dos seus alunos e, de uma forma mais geral, dos estudantes espanhóis?

Apesar de não ser uma tarefa fácil é, sem dúvida, necessária. Quando trabalhamos didacticamente o conflito, é importante partir das relações mais próximas, como a turma, e utilizar diferentes estratégias didáticas como são os estudos de caso, os jogos de papéis, dramatizações, textos literários, etc. Creio que é importante partir da experiência, real ou simulada, do próprio grupo-turma, analisando o que ali acontece e compará-la com a vida real. É o que chamamos de método "socio-afectivo", que temos utilizado nos últimos anos tanto no ensino primário como no secundário e na universidade.
Em  relação à resposta dos meus alunos e alunas, há, em geral, uma atitude contrária à guerra mas, ao mesmo tempo, comprovo que existe uma grande falta de formação nas questões que se relacionam com o conflito. Como venho comprovando nos últimos anos, os estudantes universitários têm um desconhecimento muito grande relativamente a tudo o que se relaciona com os conteúdos da educação e cultura da paz. Nos resultados do questionário inicial de ideias e atitudes prévias, que todos os anos realizo junto dos meus alunos, assim como nas dinâmicas exploratórias de grupo, esta situação fica muito clara. São muito poucos os que leram a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a maioria associa a paz com a ausência de guerra ou de violência física, vê o conflito como algo  negativo, etc...
Apesar disso, no caso concreto da guerra do Iraque, tanto os estudantes do ensino secundário como os universitários estão a dar uma resposta que me atreveria a qualificar de exemplar.

Tendo em conta o papel tradicionalmente neutro da escola, considera que os professores devem manter essa neutralidade ou, pelo contrário, tomar uma posição perante os seus alunos?

A suposta neutralidade da escola é um dos principais mitos no qual assenta o modelo técnico-tradicional da educação. Como dizia o filósofo espanhol Adolfo Sánchez Vázquez, trata-se da "ideologia da neutralidade ideológica". Não é possível uma tal neutralidade, já que diariamente fazemos escolhas que implicam questões ideológicas e de valores. A opção pela democracia a que nos referimos anteriormente é em si mesma uma tomada de partido e portanto não neutral. O mesmo se passa em relação à necessidade de manter um sistema multilateral frente ao unilateralismo norte-americano.
Os professores devem explicar as razões das suas tomadas de posição respeitando, ao mesmo tempo, as opções dos estudantes. Isto é, procurarem um equilíbrio que não inclua nem a neutralidade nem o adoutrinamento, próprio dos sistemas autoritários que experimentamos em Portugal e em Espanha com as ditaduras. Educar para a paz não é uma opção neutral e, tal como estamos a assistir, está a ser questionada pelos sectores fundamentalistas e reaccionários da sociedade. O fundamentalismo, como o adoutrinamento, são antitéticos da democracia, de uma livre e exaustiva discussão, da liberdade de pensamento, etc... O adoutrinamento e o fundamentalismo são estratégias postas em campo pela extrema direita, nomeadamente quando esta pede um retorno ao ensino clássico e aos conteúdos tradicionais.

A violência e a indisciplina nas escolas é um fenómeno que tem vindo a acentuar-se nos últimos anos nas escolas portuguesas. Apesar disso, ainda não assume proporções como a que estamos habituados a ver em países como os Estados Unidos, a Grã-Bretanha ou a França, onde ela se traduz inclusivamente em casos de morte. Como caracterizaria a realidade espanhola?

A violência e a indisciplina são dois conceitos claramente distintos, e esse é precisamente um dos problemas com que nos deparamos ao abordar este tema. A situação da indisciplina não atinge proporções tão graves quanto se pretende fazer crer em determinadas esferas profissionais, mas também não é tão "boa" como se refere noutras. Nesse sentido, considero que na perspectiva de determinadas posições políticas e profissionais estará a confudir-se interessadamente a indisciplina com a violência, quando são dois aspectos totalmente diferentes. Porém, não haja dúvida que se constata a existência de processos que, seguindo um caminho paralelo, amplificam a gravidade da situação ou, pelo menos, turvam a sua percepcão.
Mas se por um lado assistimos a um aumento da indisciplina, por outro vemos que ela está relacionada com a incapacidade dos professores do ensino secundário em lidar com ela, por não estarem preparados para "encaixar" a diversidade inerente a esta etapa da escolaridade. Além disso, há também que ter em conta a falta de recursos humanos por parte da administração educativa, mais preocupada em ter os estudantes nas aulas do que em verificar a qualidade do processo educativo. Tão pouco é alheio a esta dinâmica a própria mudança de valores que se está a produzir na nossa sociedade. O consumismo, as referências ao dinheiro fácil, a perda do valor da capacidade de esforço e de sacrifício, do respeito, a indistinção entre autoridade e autoritarismo, etc., são aspectos que estão a  contribuir negativamente não só no conjunto da sociedade como também no campo educativo. Portanto, a degradação das relações de convivência não é um aspecto unicamente assacado ao sistema educativo e muito menos aos estudantes.

Projecto educativo, «Aprender a Convivir»,  coordenado por Xesus Jares

Está a coordenar um projecto educativo na área de Vigo, chamado "Aprender a Convivir", através do qual se propõe contribuir para trabalhar as diferenças e abordar o conflito de uma maneira construtiva. Como surgiu este projecto e como está a decorrer?

O Programa educativo municipal "Aprender a convivir" é uma iniciativa do grupo Educadores/as pola Paz-Nova Escola Galega, assumida pela Concellería de Educación e Muller da Câmara Municipal de Vigo, e pretende oferecer ao conjunto dos cidadãos, e muito particularmente aos diferentes sectores da comunidade educativa, uma série de propostas e recursos que proporcionem a construção de uma convivência assente no respeito mútuo, na democracia e solidariedade entre todas e todos, sem nenhum tipo de discriminação e violência.
O Programa não pretende ser fechado sobre si mesmo. Não se trata de oferecer um conjunto de orientações e materiais para que outros os apliquem, mas antes explicitar princípios  e normas de actuação a partir dos quais podemos construir colectivamente um projecto de intervenção para favorecer a convivência. Partindo das opções oferecidas pelo programa, cada escola pode optar por aquelas que maior interesse lhe suscite. As propostas e recursos adequam-se à formação dos três níveis de ensino e oferecem serviços de assessoria, de mediação, trabalho directo com os alunos, materiais de apoio; etc.
Apesar de já termos concluído a primeira fase deste programa, que se iniciou há três anos, temos de ser prudentes na sua avaliação. Porém, temos dados que nos permitem acalentar algum ânimo, principalmente devido ao elevado número de escolas que nele se inscreveram - 28 - entre públicas e privadas concertadas, só na cidade de Vigo. O único factor que haverá a comentar em tom crítico é o facto de haver um significativo desfasamento entre o número de estabelecimentos de ensino básico e secundário inscritos, com um significativo pendor em favor dos primeiros, quando são precisamente os professores do ensino secundário que mais se queixam da conflitualidade. Mas, em todo caso, é um número de escolas que supera em muito as nossas expectativas iniciais.
Em segundo lugar creio que também ser muito importante referir a boa aceitação que este programa obteve junto dos cursos de formação de professores, dos cursos de formação de mediadores/as de estudantes do secundário e das acções de formação de encarregados de educação. Em terceiro lugar, também é de destacar o bom acolhimento que tiveram os materiais elaborados especificamente para o programa, tanto em Vigo como no resto da Galiza e do território espanhol, de tal forma que a maior parte foi inclusivamente reeditado.

O projecto está limitado ao concelho de Vigo ou há perspectivas de alargá-lo aos restantes centros educativos da Galiza?

O programa foi criado para as escolas situadas na cidade de Vigo, mas estamos em negociação com outras cidades igualmente interessadas em impulsionar programas semelhantes. Há que referir que as eleições municipais em Espanha se realizam no final de Maio, pelo que estamos condicionados pelos resultados das mesmas. Porém, posso afirmar com segurança que no próximo ano lectivo o programa Aprender a Convivir começará também a funcionar em outras cidades galegas.

Fonte: a pagina

28/06/2008 GMT -3

11 de setembro - O filme

rprota @ 00:11

27/06/2008 GMT -3

Fernão Capelo Gaivota

rprota @ 23:13
Fernão Capelo Gaivota era diferente da maioria das gaivotas de seu bando, que só pensava em lutar por comida, junto aos barcos de pesca. Ele amava voar. Passava dias inteiros sozinho no mar, treinando vôos rasantes em alta velocidade, para aflição de seus pais e desaprovação de todos. Em vão tentou fazer-lhes a vontade e agir como os outros. Seu único interesse era aprender mais e mais sobre a arte de voar.
Vezes sem conta vezes se desequilibrou, caindo violentamente na água.
Depois de uma queda que quase lhe custou a vida, ia desistir, mas, repentinamente, descobriu um modo de controlar sua velocidade. Levantou vôo, e sem pensar em morte ou fracasso, conseguiu atingir a marca estonteante de trezentos e vinte quilômetros por hora, inimaginável para qualquer outra gaivota viva. Sua alegria foi enorme. Radiante, pensou: ?As gaivotas podem ser livres, podem procurar seus peixes no mar, em vez de ficarem ao redor dos barcos de pesca, guerreando por migalhas.? Quando Fernão Gaivota voltou para seu bando, exausto e feliz, depois de longas horas de treinamento, ansioso por lhes comunicar a grande descoberta, encontrou as gaivotas reunidas em círculo, à sua espera. A gaivota Mais Velha chamou-o ao centro e, para seu completo horror, o acusou de irresponsável e subversivo. Lavrou a sentença: por violar as tradições e a dignidade de sua espécie, foi banido do grupo para sempre.
Exilado, passou a viver sozinho. Sua única tristeza era não poder compartilhar os conhecimentos que, com intenso treinamento, iam aumentando a cada dia.
Muitos anos depois, já bem velho, no meio de um vôo, encontrou duas gaivotas, inacreditavelmente brancas e brilhantes que o conduziram através da neblina. Disseram-lhe: ?Está na hora de voltar para casa? e ele compreendeu que acabava de entrar em outra dimensão e em outra etapa de aprendizado.
Nesse lugar, havia um bando pequeno de gaivotas que voavam divinamente e cujo objetivo era encontrar novas técnicas, melhorando sempre a qualidade de vôo. Lá encontrou um velho mestre, Chiang, de quem se tornou aluno especial por sua enorme persistência e capacidade de aprendizagem. Com Chiang aprendeu que poderia voar no passado e no futuro, mas que o mais difícil era desenvolver a bondade e o amor.
O destino de Fernão era ser instrutor e foi crescendo em seu coração o desejo de regressar e mostrar à nova geração que a vida era mais que tão somente uma luta por comida. Quem sabe não haveria algum exilado, desesperado à procura de um mestre? Assim pensando, com a facilidade que desenvolvera através da prática, voltou para o lugar onde vivia seu antigo bando.
Nesse momento, o jovem Francisco Gaivota, enfurecido, voava em direção ás Grandes Colinas, banido para sempre. Vociferava insultos aos mais velhos quando, subitamente, ouviu em seu pensamento: ?Acalme-se e perdoe. Ajude-os a compreender?. Tornou-se discípulo de Fernão Gaivota. Aos poucos, outros jovens banidos se juntaram a eles, determinados a voar. Um dia, Fernão decidiu levá-los de volta e desafiar o bando. Através de acrobacias, demonstraram a todos a maravilha da liberdade. Mais e mais jovens foram se reunindo a eles e finalmente, apesar dos insultos da maioria, quem se decidisse a voar já não era mais expulso do convívio dos seus. Fernão, vendo concluída sua missão ali, se retirou, deixando a Francisco a tarefa de continuar a ensinar.
?A importância de voar é perceber que não somos apenas um amontoado de ossos e penas. Voamos e desejamos voar cada vez mais alto e melhor, porque somos uma idéia da Grande Gaivota, somos uma idéia de ilimitada liberdade e o paraíso consiste em atingir a perfeição?.
Fonte: netsaber


O Pequeno Príncipe

rprota @ 23:00

Acesse para ler o Livro na íntegra.

O narrador recorda-se do seu primeiro desenho de criança, tentativa frustrada de os adultos entender o mundo infantil ou o mundo das pessoas de alma pura. Ele havia desenhado um elefante engolido por uma jibóia, porém os adultos só diziam que era um chapéu. Quando cresceu, testava o grau de lucidez das pessoas, mostrando-lhes o desenho e todas respondiam a mesma coisa. Por causa disto, viveu sem amigos com os quais pudesse realmente conversar. Pelas decepções com os desenhos, escolhera a profissão de Piloto e, em certo dia, houve uma pane em seu avião, vindo a cair no Deserto de Saara. Na primeira noite, ele adormeceu sobre a areia. Ao despertar do dia, uma voz estranha o acordou, pedindo para que ele desenhasse um carneiro. Era um pedacinho de gente, um rapazinho de cabelos dourados, o Pequeno Príncipe. O narrador mostrou-lhe o seu desenho. O Pequeno Príncipe disse-lhe que não queria um elefante engolido por uma jibóia e sim um carneiro. Ele teve dificuldades para desenhá-lo, pois fora desencorajado de desenhar quando era pequeno. Depois de várias tentativas, teve a idéia de desenhá-lo dentro de uma caixa. Para surpresa do narrador, o Pequeno aceitou o desenho.

Foi deste modo que o narrador travou conhecimentos com o Pequeno Príncipe. Ele contou-lhe que viera de um planeta, do qual o narrador imaginou ser o asteróide B612, visto pelo telescópio uma única vez, em 1909, por um astrônomo turco. O pequeno Planeta era do tamanho de uma casa. O Pequeno Príncipe contou o drama que ele vivia, em seu Planeta, com o baobá, árvore que cresce muito; por este motivo, ele precisava de um carneiro para comer os baobás enquanto eram pequenos. Através do Pequeno Príncipe, o narrador aprendeu a dar valor às pequenas coisas do dia-a-dia; admirar o pôr-do-sol, apreciar a beleza de uma flor, contemplar as estrelas... Ele acreditava que o pequeno havia viajado, segurando nas penas dos pássaros selvagens, que emigravam. O Príncipe conta-lhe as suas aventuras em vários outros planetas: o primeiro era habitado por apenas um rei; o segundo, por um vaidoso; o terceiro, por um bêbado; o quarto, por um homem de negócios; o quinto, um acendedor de lampião; no sexto, um velho geógrafo que escrevia livros enormes, e, por último, ele visitou o nosso Planeta Terra, onde encontrou uma serpente, que lhe prometeu mandá-lo de volta ao seu planeta, através de uma picada.

No oitavo dia da pane, o narrador havia bebido o último gole de água e, por este motivo, caminharam até que encontraram um poço. Este poço era perto do local onde o Pequeno Príncipe teria que voltar ao seu planeta. A partida dele seria no dia seguinte. Falou-lhe, também, que a serpente havia combinado com ele de aparecer na hora exata para picá-lo. O narrador ficou triste, ao saber disto, porque tomara afeição ao Pequeno. O Príncipe lhe disse para que não sofresse, quando constatasse que o corpo dele estivesse inerte, afirmando que devemos saber olhar além das simples aparências. Não havia outra forma de ele viajar, pois o seu corpo, no estado em que se encontrava, era muito pesado. Precisava da picada para que se tornasse mais leve. Chegado o momento do encontro com a serpente, o Pequeno Príncipe não gritou. Aceitou corajosamente o seu destino. Tombou como uma árvore tomba. E assim, voltou para o seu planeta, enfim. O narrador, dias mais tarde, conseguiu se salvar, sentindo-se consolado porque sabia que o Pequeno Príncipe havia voltado para o planeta dele, pois ao raiar do dia seguinte à picada, o corpo do Pequeno não estava mais no local. Hoje, ao olhar as estrelas, o narrador sorri, lembrando-se do seu grande Pequeno amigo.

Obs.:O Pequeno Príncipe, embora pareça um livro escrito para crianças, é uma obra urgentíssima para adultos. Suas palavras possuem conotações mais profundas, que não poderão ser notadas em uma simples leitura. Esta obra pode ser considerada como Fábula, ou se preferir, Parábola.

Fonte do Resumo: Netsaber

Fênix

rprota @ 18:36

A Gaia Ciência

rprota @ 17:18

"Após o cansaço da busca

Aprendi o encontro

Após afrontar vento frontal,

navego com todos os ventos."

"Não fique embaixo

Não suba às alturas.

O mais belo mirante do mundo

está no meio da encosta."

"Agrado-te? Meus discursos te são atraentes

desejas seguir-me e ao trilho de meus passos?

Segue fielmente a ti mesmo

e assim me seguirás...suavemente, muito suavemente."

"Natureza - fiel e completa! Como pode chegar a isto?

Quando se conseguiu liquidar a natureza numa imagem?

Mais ínfima parcela do mundo é coisa infinita.

Dele só pinta o que lhe agrada.

E o que lhe agrada? O que sabe pintar!"

"Metade de tua vida é passada,

O ponteiro avança, tua alma estremece,

há muito ela gira,procura e não encontra...e hexita aqui? 

Metade da tua vida é passada:

dor e erro de hora em hora,

que busca ainda? Por quê?

É o que procuro...a razão de minha busca!" 

"Queixas-te que não encontras nada de teu gosto?
São ainda os teus velhos caprichos?
Ouço-te praguejar, gritar e escarrar…
Sinto-me esgotado, meu coração despedaça-se.
Ouve, meu amigo, decide-te um dia
A engolir um sapo bem gordo,
De uma só vez e sem olhar.
É um remédio soberbo para a tua dispepsia!"

Friedrich Nietzsche

A Gaia Ciência

O cansaço de todas as ilusões

rprota @ 16:29

O cansaço de todas as ilusões e de tudo que há nas ilusões - a perda delas, a inutilidade de as ter, o antecansaço de ter que as ter para perdê-las, a mágoa de as ter tido, a vergonha intelectual de as ter tido sabendo que teriam tal fim.
A consciência da inconsciência da vida é o mais antigo imposto à inteligência.

Bernardo Soares, Livro do Desassossego

Bernardo Soares

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Bernardo Soares é um tipo particular dentre os heterônimos do poeta e escritor português Fernando Pessoa. É o autor do Livro do Desassossego, escrito em forma de fragmentos. Apesar de fragmentário, o livro é considerado uma das obras fundadoras da ficção portuguesa no séc. XX, ao encenar na linguagem categorias várias que vão desde o pragmatismo da condição humana até o absurdo da própria literatura. Bernardo Soares é, dentro da ficção de seu próprio livro, um simples ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. É considerado um semi-heterónimo porque, como seu próprio criador explica "não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e afectividade."

A instância da ficção que se desenvolve no livro é insignificante, porque trata-se de uma "autobiografia sem factos", como o próprio Fernando Pessoa situa o livro. Dessa forma, o que interessa na prosa fragmentária que Bernardo Soares desenvolve é a dramaticidade das reflexões humanas que vêm à tona na insistência de uma escrita que se reconhece inviável, inútil e imperfeita, à beira do tédio, do trágico e da indiferença estética. Por essa razão, diversos fragmentos do livro são investigações íntimas das sensações provocadas pelo anonimato, pela cotidianeidade da vida comum e todo o "universo" da baixa de Lisboa.

O fato de Fernando Pessoa considerar (em cartas e anotaçoes pessoais) Bernardo Soares um semi-heterônimo faz pensar na maior proximidade de temperamento entre Pessoa e Soares. A crítica especializada tem procurado demonstrar que é exatamente esse jogo de máscaras operado por Bernardo Soares, entre a heteronimia e a semi-heteronimia, o que permite pensar como ainda mais relativo o estatuto de ortônimo que Fernando Pessoa confere a si mesmo quando escreve em nome de sua própria personalidade literária. Nesse sentido, para alguns, o jogo heteronímico ganha em complexidade e Pessoa logra o êxito da construção de si mesmo como o mais instigante mito literário português na Modernidade.

26/06/2008 GMT -3

Rudolph Valentino, TANGO DANCING

rprota @ 00:38


Rodolfo Valentino morreu prematuramente e repentinamente aos 31 anos de idade vitimado por uma úlcera perfurada. Sua personalidade sedutora o tornou o primeiro símbolo sexual de Hollywood e levou 100.000 pessoas a seu enterro. Muitas fãs suicidaram-se quando souberam de sua repentina morte. Nascido na Itália em fins do século XIX, de origem pobre, foi para os EUA aos 17 anos, tornou-se lavador de pratos antes de conquistar a fama nas telas do cinema, ainda mudo na época. Exímio dançarino, é ainda hoje um dos melhores que já vi.

Grishuk & Platov - 1997 Euros OD

rprota @ 00:05

25/06/2008 GMT -3

Sale and Pelletier- "Vivo Per Lei"

rprota @ 23:46

Juanes

rprota @ 23:34

 

Para tu amor

Marisa Monte

rprota @ 15:56

Clique no link para ouvir a música

O que me importa?

 

 

24/06/2008 GMT -3

Imagens da Índia

rprota @ 13:39

Fantasma da Opera - All I Ask of You

rprota @ 12:49

Tânia Alves em Morte e Vida Severina [1981]

rprota @ 12:21

Índia

rprota @ 12:08

Mais do Rato...

rprota @ 11:04

Energia que atua sobre: economia, minúcia, avidez, ordem, oportunismo e mercantilismo.

Mitologia: Ninigui é neto de Amaterassu Oomikami, a Augusta Deusa Sol, enviado para iniciar uma dinastia celeste na Terra. Chegou trazendo os três tesouro divinos: o Espelho Sagrado, a Espada Sagrada e a Jóia Sagrada. Hábil negociador, ao invés de guerrear com os primitivos locais, casou-se com Konohana Sakuya Hime (Princesa Florescer ou deusa da Primavera), uma divindade terrestre e reinou com tranqüilidade o Japão antigo.

Destino: As pessoas nascidas sob o signo de Rato são muito ambiciosas e lutam para galgar altas posições, tanto na sociedade como na vida profissional. São dedicadas à família e fazem amizades com facilidade. Nunca estarão satisfeitas em posições subalternas. Dotada de uma intuição fora do comum, as suas idéias, geralmente, são originais. A força de vontade e a determinação garantem seu sucesso.

Qualidades naturais: Os nativos de Rato são pessoas otimistas; persuasivas; responsáveis; leais; adoram desafios; intuitivas; idealistas; tolerantes, cheias de entusiasmo e aprendem através das experiências.

Defeitos: Os nativos de Rato podem se tornar pessoas temperamentais; que não aceitam ordens; que se aproveitam dos outros; tagarelas, auto-indulgentes, bruscas, impacientes; intrometidas; irrascionais, sujeitas à depressão e que detestam a monotonia.

Perfil: Arquitetos do próprio destino, os nativos de Rato quando canalizam as energias cósmicas de modo correto são: sedutores; simpáticos; generosos; divertidos; protetores; companheiros; sentimentais; sociáveis; enérgicos; dedicados; persuasivos; convincentes; meticulosos e prevenidos. Mas se não souberem canalizar as energias no sentido correto podem se tornar: egoístas; oportunistas; agitadores; inquietos; atrevidos; impulsivos; invejosos; mesquinhos; destrutivos; enfadonhos; autoritários; presunçosos e excessivamente ambiciosos.

Personalidade: Os nativos deste signo são otimistas, bom esportistas e amantes das diversões. São alegres e afáveis. Tudo o que fazem é com exagero, com atitudes de “que não me importam as conseqüências”. Demonstram entusiasmo por viagens, turismo e aventuras . Se envolvem com assuntos comunitários, como política, comércio ou religião. Os nativos de Rato são também pessoas trabalhadoras e econômicas. Possuem ótimo tino comercial, mas podem muitas vezes agir sob propósito mesquinho, principalmente nos assuntos financeiros. Muito sentimentais, os Ratos dão grande importância aos laços familiares, fazendo tudo que estiver ao seu alcance para levar bem-estar e segurança à família. Seus grandes defeitos são a ambição e a precipitação. Em geral, não sabem esperar o momento oportuno para por as idéias em prática, e com isso perdem grandes oportunidades de sucesso e prestígio.

Fonte:sushiyoshi

O Rato

rprota @ 10:48

Os Ratos são...
Pessoas activas e inteligentes, adoram as boas coisas da vida e gostam muito do dinheiro que propicia isso a elas.

Alguns acham que o Rato é oportunista e interesseiro mas, se analisarmos profundamente sua personalidade, isso não é verdade. Essas pessoas vêem seus amigos e relacionamentos em geral como um meio de se alcançar um objectivo. Isso não é necessariamente uma coisa ruim, principalmente se dá algo em troca, coisa que o Rato faz.

Além disso, são muito sociáveis e óptimos negociadores, com muito talento para ganhar dinheiro. Outro aspecto marcante das pessoas do signo de Rato é sua preocupação com sua privacidade, elas não gostam de se sentir invadidas e encurraladas.

Um aspecto negativo da personalidade do Rato é a dificuldade que tem em relaxar, já que está sempre procurando alguma coisa para fazer. Isso provoca um grande sentimento de autocrítica que pode, ao mesmo tempo, ser sua motivação e sua frustração.

Amor
O Rato é um parceiro apaixonado e intenso e, quando apaixonado, não faz tanta questão de manter sua privacidade, compartilhando seus segredos mais profundos com a pessoa amada.

Devido à sua desconfiança, se o Rato percebe que seu amor não é correspondido ou não esta à altura do que ele espera, pode se tornar arredio e se ressentir de seu parceiro. Seus relacionamentos geralmente são frágeis, pois ele precisa de segurança e estabilidade. Uma vez que encontrar essas qualidades em uma relação, é fiel e se entrega totalmente.
 

Trabalho
O Rato é um profissional versátil e cheio de energia, movido pela ambição e pelo desejo de ganhar dinheiro e viver bem. São versáteis e exigentes, exigindo das pessoas que trabalham com ele o mesmo entusiasmo.

Como são ótimos negociadores, as áreas de atuação que mais se encaixam com o perfil do rato são: vendas, economista, executivo e advogado.
 

Amizade
O Rato não dá grande valor à amizade e elas são, em sua maioria, feitas tendo em mente os benefícios que tais associações podem trazer. Apesar disso, as pessoas que conseguem conquistá-lo ganham sua confiança e uma amigo que podem contar e confiar de verdade.
 

Carácter
Virtudes: Honestos, ambiciosos e charmosos
Defeitos: Zangam-se facilmente, adoram bisbilhotar e são esquisitos em relação a pequenas coisas

Ratos Famosos
Marlon Brando
Mozart
Shakespeare

Previsões para 2008

O ano será um período de novas experiências e descobertas. Existirão muitos obstáculos para superar durante o período, então tente enxergar a longo prazo e ter uma visão mais optimista dos problemas que aparecerem.

Amor
Aproveitar o amor e a vida são pautas principais na sua vida. Encoraje um diálogo mais aberto e franco com as pessoas que o/a cercam, amigos, amantes ou família. Problemas irão surgir devido ao ciúmes e possessividade, mas fique alerta para evitar grandes decepções depois.

Trabalho
Sempre alerta no trabalho, o Rato vai precisar de um cuidado extra quando em negociações. O ambiente de trabalho pode ser uma grande bagunça às vezes, então o melhor é ser diplomático e saber exercer o dom da comunicação. Problemas financeiros devem ser levados mais á sério do que o costume.

Saúde
Preste atenção à dieta e exercícios que deveria fazer. Você estará mais preocupado com a aparência do que com a sua saúde.
 


Fonte: Gastronomias

Ainda mais numerologia

rprota @ 10:41

Segundo o seu dia de nascimento.....

        Você é uma pessoa independente, auto-suficiente, orgulhosa e responsável. Quando está diante de um problema, tem raciocínio rápido e notável capacidade de análise que o leva a diagnosticar, com acerto, a doença no corpo político de uma organização. Você terá mais sucesso com o sexo oposto do que com o seu próprio sexo; mesmo acontecerá com as pessoas mais velhas, junto as quais você terá mais possibilidades de sucesso do que junto as mais moças. Você se adapta facilmente as mudanças no seu meio e na sua vida. Sendo alguém muito versátil, pode aventurar-se nos negócios, no mundo das diversões ou nas profissões médicas.

A sua ambição é .....

        Crer em forças espirituais, não convencionais e/ou ortodoxas. Fazer suas próprias leis e abrir seu caminho na vida.

Você é...

        Persistente, obstinada e possuidora uma força de vontade enorme. Demonstra ser decidida e séria.

Segundo o seu número de Expressão....

        Sempre buscando a perfeição em tudo que lhe diz respeito. Tem instinto do belo, da cor e da arte. Essencialmente prático, podendo arcar com qualquer responsabilidade no lar ou em esfera mais ampla (numa organização ou comunidade). Possui diplomacia e equilíbrio.

Segundo o seu número de Destino ...

        Ser uma pessoa sábia e analítica. O seu caminho é o do pensador e filósofo. Você tenderá naturalmente para estudo do porque das coisas e das teorias, pois sua tarefa é descobrir a verdade disfarçada sob as aparências e, ao fazer isto,adquirir sabedoria. A correria e os choques da vida moderna não são para você. O seu melhor lugar é por trás do palco, trabalhando de forma isolada. E terá de aprender a ser só, por algum tempo, e a gostar disto, pois essa é uma condição essencial para o seu desenvolvimento interior. Apenas no silêncio você encontrará a resposta para os problemas da vida. Só com a compreensão de que as respostas estão no seu próprio intimo, você terá condições de ajudar os outros. O secreto, o antigo e o misterioso terão sempre encanto para você, que só terá sucesso quando aprender a agir ouvindo o mais profundo do seu interior. Jamais corra atrás de qualquer coisa. Aceite os seus parceiros de modo filosófico. Você tornará as coisas mais difíceis para si mesmo se tiver medo do fracasso e da solidão, se for alguém insensato e não quiser aprender o segredo da vida. E isto em qualquer área em que você atuar. Seu sucesso vira da especialização e do desenvolvimento de suas habilidades e sabedoria inatas.

 

Fonte: Portal Angels

 

Mais Numerologia

rprota @ 10:33

Você é número 7

Seu desafio é conhecer, estudar, analisar. Você não consegue se conformar somente com o que está vendo, com os fatos. Deve buscar explicações mais profundas, escondidas. Você deve buscar conhecer-se e usar sua intuição para encontrar seu caminho. Deve compartilhar com os outros as suas descobertas.

Você é especialmente reservado e analítico. Sua grande força é sua profundidade de pensamento. Você armazena conhecimento de praticamente cada fonte que encontra. Inteligente, metódico e estudioso as questões espirituais o atraem. Quando criança, pode ter passado longo tempo sozinho, isolando-se dos outros, introspectivo, dando a impressão de ter dificuldade de entrosamento. Mas estava sempre observando tudo e todos.

Você precisa de momentos de quietude para estar com seus próprios pensamentos e sonhos internos. Você não gosta de multidões, de ruído e de confusão. Necessita de períodos para refletir e buscar respostas para aquilo que considera importante. Você é muito exigente em seu trabalho. Perfeccionista, espera dos demais o mesmo nível de desempenho. A estabilidade nos sentimentos pode ser difícil para você.

Os aspectos negativos deste número são o isolamento excessivo, o que acaba dificultando os relacionamentos. Excesso de critica e exigência pode também afastar as pessoas e torná-lo descontente, fora do mundo. A insegurança e o sentimento de solidão o fragilizam. O importante é conhecer, ter fé, acreditar em si mesmo, para poder abandonar o medo.

 Vamos decidir o assunto

Diante de uma situação ou um desafio qualquer você reage procurando manter o controle da situação. Cheio de energia e disposição, não desiste fácil, vai até chegar a qualquer solução. Você é o tipo do “deixa que eu resolvo “. E não somente tem a solução como também a executa, fiscaliza, decide, dirige e supervisiona. Porém não basta somente ter a atitude. É necessário ter conhecimento.

Os conflitos com as outras pessoas o carregam de estresse. Não dê valor demasiado a fatos e pessoas principalmente se eles estão saindo da sua vida. Você vai aprender muito acerca da vida e das emoções. Você deve ser tolerante e perdoar. Agora você deve finalizar antigos projetos e sentir-se realizado.

Fonte:Aparecida Liberato

Numerologia

rprota @ 10:09

Seu Caminho da Vida é 7:

O caminho da vida é aquilo com que você foi enviado para a terra, o que você tende a fazer, a sua natureza, os talentos que tem e aquilo de que realmente gosta. É a sua natureza, o seu trajeto na vida. Se este número for vivido de maneira positiva e otimista, poderá alcançar com sucesso a sua meta. Se for vivido de maneira pessimista, poderá haver reações adversas.

Sabedoria e compreensão são as palavras-chave neste caminho. Você busca o conhecimento. Estuda, testa, prova e obtém fatos sobre o desconhecido, sobre o invisível, sobre o não-provado. Explora os mistérios da vida. É observador e analítico. Não toma a palavra dos outros como dogmas e explora em profundidade para juntar os fatos. O 7 é o número do solitário, e você vai passar muito tempo sozinho. Mas faz bom uso desse tempo, lendo, pensando, estudando, explorando ou inventado. Seus amigos são poucos e bem escolhidos. Deve juntar-se aos pensadores do mundo. Os mistérios do mundo espiritual e metafísico o fascinam. Não gosta do trabalho manual. Precisa sair do segundo plano e compartilhar seu conhecimento com o mundo. A liderança e as sociedades não servem para você. Você é um mistério para os outros, o que o torna, muitas vezes, mal compreendido e pouco apreciado. Seu sucesso está no trabalho altamente profissional. É paciente, autoconfiante, equilibrado, intuitivo e tem capacidades psiquícas. Cuidado com as seguintes vibrações negativas: impaciência, melancolia, indiferença, inclinação ao alcoolismo, reserva excessiva, distanciamento e preguiça.

Sua Primeira Vogal é "O":

A primeira vogal mostra seu temperamento e disposição. Ou seja, como você previsivelmente pensa, age e se comporta. A Primeira Vogal é a sua vibração interior, ou vibração da alma - revela traços de caráter, como a determinação, a força de vontade, a sensibilidade, a sociabilidade, a criatividade, etc.

A vogal O, assim como o número 6, mostra alguém mais feliz quando está numa posição paternal ou maternal. É aquela pessoa que gosta de ser útil, dar conselhos e ensinar. Precisa de responsabilidades, pois quer sentir-se importante e com alguma função. São também os poetas, músicos e artistas. Sentem necessidade de se estabelecer e de um ambiente cheio de harmonia e beleza para viver. Geralmente são, também, bons anfitriões e cozinheiros. Muitos "os" indicam pessoas lentas, teimosas e desanimadas.

A Característica do Nome é 1:

Este é um dado com informações adicionais sobre a vibração do seu nome.

Obcecado. Original. Um tanto brusco.

Fonte: minha numerologia

Ascendente Escorpião

rprota @ 09:50

Entre em sintonia com sua profundidade!
Stela Brito - Astróloga

A pessoa que tem Ascendente Escorpião se expressa na vida com uma marcante intensidade de sentimentos, que a faz intuitiva, passional, enigmática, impulsiva e profunda. Tem uma grande e turbulenta energia fervilhando no seu íntimo e precisa aprender como canalizar tal força.

Saiba como orientar-se pelos mistérios profundos de Escorpião, cuja sinalização indica ir além da forma aparente das coisas, ou seja, é preciso transformar, ir mais além. Portanto, não se contente com a superficialidade, pois Escorpião exige que um poço seja cavado e que você penetre nele para conhecer e aceitar os seus sentimentos ali guardados.

Sabe por que muitas vezes você se sente tão sem perspectiva e totalmente desorientado? É simplesmente porque você não está atento para a sinalização escorpiana, que fará você encontrar seu ponto de orientação e conseqüente renovação.

E isso significa mudanças na sua vida. Sinta que é preciso eliminar/matar certas coisas em você para poder começar do zero. Quando você aceita a perda e vivencia a dor, a raiva, o ciúme ou inveja, está penetrando no mundo desses sentimentos turbulentos e secretos, aceitando-os e tendo, assim, uma chance de transformá-los. Lembre que se você não remover os entulhos, não vai ter espaço livre e limpo para novos sentimentos e novas possibilidades em sua vida.

Não se esgote tanto com suas paixões! Não acumule e não reprima velhos e fortes sentimentos em sua alma. À medida que se apresentem, vá logo tentando canalizá-los de forma construtiva, liberando-os e dando-lhes novas formas.

Outra coisa: já que você é, também, tão perspicaz para captar os sentimentos das outras pessoas, ocupe-se com elas de vez em quando, ajudando-as a enfrentarem as surpresas, as crises e as dores da vida. Você sabe que é possível superar as perdas, porque sempre haverá um renascimento. Canalize, cada vez mais, sua energia nessa direção de vida que pode ser renovada e regenerada: é o milagre e o mistério de Escorpião.

E seja profundamente feliz!

Stela Brito é astróloga, integrante da Companhia das Estrelas, em Pernambuco.

Fonte: portodoceu

Escorpião - 23/10 a 21/11

rprota @ 09:36

Não se deixe levar pelo preconceito. Se você cruzar com um tipo honesto, corajoso, íntegro, intenso, magnético, profundo, reservado, perspicaz, enigmático e fiel até que a morte os separe, corra e agarre esta oportunidade, porque você terá topado com um escorpionino. Seu astrólogo diz que os escorpiões são traiçoeiros? Mude de astrólogo, porque o escorpião tem um senso de lealdade só comparável ao de um mafioso siciliano - se você mantiver sua palavra, ele manterá a dele até debaixo de uma saraivada de balas. Sua melhor amiga diz que os escorpiões são don-juans incuráveis? Troque de amiga, porque o escorpião, embora tremendamente ligado ao sexo, é tão seletivo que prefere uma vida monástica a transar com qualquer um. Você andou lendo que o escorpião é um dissimulado? Largue esse livro pelo último de Agatha Christie, pois a notória reserva escorpionina não tem nada a ver com hipocrisia.

Um escorpião nunca mente, só omite - e na maior parte das vezes está repleto de razões, porque sua fabulosa antena psíquica pescou que o interlocutor em questão não é lá muito confiável. Esta, talvez, seja a principal característica deste signo cujo mito mais esclarecedor é o de Lúcifer, o anjo decaído, não por noitadas em excesso, mas por uma lucidez além dos limites: o grande pecado do escorpião, como o do ex-anjo, é um orgulho excessivo. Excessivo, mas não descabido. O probleminha de Lúcifer era que enxergava certas razões ocultas por trás da cantoria dos querubins - um desejozinho secreto de promoção naquele arcanjo que emitia uma nota mais aguda. Por isso ele acabou expulso do Paraíso, onde críticas não são facilmente digeridas. A mesma complicada sina ocorre com os terrenos escorpioninos: como eles são providos de uma espécie de olhar de raio X, que detecta as piores intenções até nos melhores sorrisos, acabam se tornando ossos duros de roer.

Um escorpionino tem um faro imcomparável para imposturas, o que lhe torna difícil a vida em sociedade. Isto o transforma, muitas vezes, num introspectivo de cenho franzido: sua capacidade de captar algo de podre no reino da Dinamarca não tem paralelo, em todo zodíaco e em qualquer estatística. Mas se o escorpião saca tudo, inclusive o pior de cada um, é porque tem uma sensibilidade que chega às raias do insuportável. O que o torna, também, muito solidário com o sofrimento alheio - nada de estranhar que Ghandi tenha ascendente em escorpião. Um escorpião nunca foge de problemas. Não fuja dele, portanto, a não ser que você queira passar o resto da vida bocejando entediado.

DOENÇAS:
É sensível a doenças nos órgãos genitais, reprodutores e excretores (bexiga, uretra, intestino grosso, glândulas sexuais) e no nariz. Outros problemas podem ser a dificuldade de eliminação, disfunções no aparelho sexual, inflamações e ulcerações em geral. Eles geram descontentamento com as relações sociais, emocionalidade tensa, dispersão mental e tendência à destrutividade.

TERAPIAS:
O escorpião tem uma incontrolável tendência a se atormentar, culpando-se por tudo que dá errado a sua volta, e num de milhares de quilômetros além, Bósnia, Croácia e Cambodja incluídos. Como ele jamais pega leve, nem quando está de férias, esta mania de carregar o mundo e seus males pode se tornar meio desconfortável para aqueles que o cercam, e pretendem apenas tomar mais uma bebidinha e prosear. Como, igualmente, um escorpião nunca se lamenta ou faz o papel de vítima - o que ocorre muito com os outros signos de água, peixes e câncer - é preciso se tornar um telepata para saber exatamente o que vai mal com seu escorpião de estimação.

Se for uma mera insatisfação com tudo, deixe estar - isto não tem cura. Se for uma depressão profunda, daquelas que o arrastam para a cama (e não para fazer o que ele tanto gosta), algumas providências são necessárias. Nada de terapias de apoio, porque um escorpião jamais vai acreditar que ele está OK e o mundo está OK. Uma terapia de choque é a mais recomendável: uma passagem só de ida para a Iugoslávia, para trabalhar num campo de refugiados, ou um passeio às seis da tarde por qualquer dos pontos das grandes capitais brasileiras onde se concentram os menores infratores vai ajudar a reconhecer que há outros infernos ainda piores que seu inferno interior. Um pouco menos arriscada é a técnica de auto-análise. Todo escorpião é um investigador nato, e isto explica porque eles dão excelentes psicanalistas.

Em contrapartida, dão péssimos pacientes, já que nunca vão superar completamente a sensação de que aquele camarada senatado na poltrona atrás do divã está calado porque, no fundo, sabe menos do que ele. O escorpião lucra mais se pagar uma faculdade de psicologia em vez de honorários de um psicólogo avulso. É claro que às vezes não se pode esperar cinco anos escolares para resolver uma crise. Mas crises, na verdade, não atrapalham este signo. Ao contrário, ele precisa delas para se reciclar periodicamente. E acaba sempre levantando, sacudindo a poeira e dando a volta por cima.

Textos de Marília Pacheco Fiorillo e Marylou Simonsen, publicados no livro Use e Abuse do seu Signo, editado pela LP&M.

Fonte: terra

ESCORPIÃO ou ESCÓRPIO

rprota @ 09:22

23 de Outubro a 21 de Novembro
(210º à 240º)

"EU CONTROLO" - "EU DESEJO"

Um infalível poder de sedução...
O signo de Escorpião é a combinação dos seguintes fatores: regência de Plutão em Marte, exílio de Vênus, queda da Lua e segundo alguns astrólogos, exaltação de Urano.

Escorpião é dos signos que têm um regente antigo ou tradicional (no caso, Marte) e outro moderno (no caso, Plutão). Até 1930, data da descoberta de Plutão, o signo era considerado o domicílio noturno de Marte.

O exame dos acontecimentos mundiais e das tendências mais acentuadas do período concomitante ou próximo à descoberta do novo planeta credenciaram-no como regente de Escorpião, por serem semelhantes à natureza do signo.

O ano de 1930 está no intervalo entre duas guerras mundiais - não que a guerra fosse uma novidade da existência do homem, aqui, porém, chegou a lidar com uma força de destruição jamais antes suspeitada.

Ao mesmo tempo em que dominava o poder de aniquilar, a humanidade começou a dominar cada vez mais a ciência e as técnicas de reconstrução, da reabilitação, possibilitando o prolongamento do período de vida do ser humano, através de cirurgias e implantes de órgãos e do extraordinário desenvolvimento da genética.

Houve também uma grande difusão do controle de natalidade e de novas técnicas anticoncepcionais.

Todos esses acontecimentos tem um substrato comum - o tema vida/morte, destruição/recriação, fortemente associado ao signo de Escorpião.

Marte, planeta de auto-afirmação, conserva suas prerrogativas de regente neste signo de emoções intensas, determinado e firme.

Urano se exalta em Escorpião; como Plutão, caracteriza-se pelo radicalismo, pela queda de tabus, pelo avanço até as últimas conseqüências, nem sempre escolhendo os caminhos mais suaves.

Já a Lua e Vênus, astros das ligações entre as pessoas, de convívio, de busca do outro, encontram em Escorpião um terreno acidentado.

Aqui, o ciúme é capaz de asfixiar a confiança, fundamental para a relação bem sucedida; a reserva e o ressentimento podem inibir o contato. Hábeis na conciliação e na adaptação, a Lua e Vênus estão longe de casa neste signo do tudo ou nada.

Aqui está um dos mais notáveis casos de predominância do personagem feminino na formação da personalidade. A figura materna é de tal força e intensidade que acaba dominando a maioria das experiências existenciais de quem nasce nesse signo.

Pode se conjeturar que, durante os primeiros anos de vida dessa pessoa, incluindo-se a fase anterior ao nascimento, a mãe tenha vivido algum tipo de perda, seja de uma pessoa querida, seja de um sonho ou fantasia.

Esse tipo de experiência tende a ser projetada na criança sob a forma de censura, de proibição de que ela também seja um motivo de perda.

Em outras palavras, a pessoa de Escorpião é proibida desde a infância de viver experiências transformadoras, mudar, para ela, é algo perigoso, que ela jamais ousa.

Esta prevalência do modelo materno muitas vezes isola quem é desse signo de um contato mais pleno e real com o próprio lado masculino, trazendo as conseqüências obvias de ausência de um modelo de ação e conquista.

Este é um tipo bastante forte para controlar o fogo de uma paixão, e mesmo que pressinta o perigo de se envolver numa relação apaixonante e forte, nem sempre conseguirá desviar seu coração de uma atração fatal. Morrer e renascer são seus fundamentos básicos, ou seja, a regeneração e o sacrifício.

Os pensamentos profundos e a sexualidade também se impõem. Em casos extremos, os escorpianos podem ser cruéis e violentos. É o signo da transformação e é também um signo cármico com vidas passadas, com as raízes, com a família e com o sexo.

O nativo de Escorpião é profundo e misterioso, reservado e não gosta de se expor. Sabe apreciar as coisas boas da vida e possui uma sensibilidade aguçada.

Dá muita importância a contatos com os outros, só que o motivo é sua eterna busca pela essência das coisas. Intenso e apaixonado se joga de cabeça em tudo. Não é à toa que todos se sentem atraídos por ele.

Tem personalidade forte e é intransigente com quem se opõe à sua vontade. Também deve controlar a teimosia.

Dinamismo: Grande disponibilidade para atuar em todos os setores de existência que exigem uma emotividade (água) resistente e imobilizada (fixo), isto é, que exige sangue frio, risco calculado e autocontrole, porém mais levando a consciência da própria força e poder interiores (frio) do que o mundo oferece (feminino), que por sua vez, é freqüentemente visto com uma certa indiferença, por vezes espontânea, por vezes assumida.

Integração agressiva e passional na existência (Marte), onde a grande força de trabalho sempre disponível se revela não só pela combatividade sistemática (fixo e Marte), mas também pela inteligência sistemática (Urano) que leva à analise sutil, à estratégia e ao julgamento imparcial (Plutão).

Há uma disposição de existir como um todo, para ir direto aos objetivos com determinação e firmeza ou instintiva auto-suficiência, que faz com que o sujeito sempre esteja transpassando obstáculos e se recriando (Plutão) como conseqüências.

O gosto do paradoxal e do grotesco, bem como desprezo pelo preconceito (Urano) não raro, está na base de inadaptações nos estilos conformistas e esperançosos de comportamento (exílio de Vênus) e de aceitação da existência baseada na manutenção de algum automatismo (Lua).

Disto resulta freqüentemente uma instintiva (água, fixo) disposição ao idealismo masoquista ou ao realismo sádico ou a uma coexistência de ambas que está na base de muitas tendências degeneradoras.

Os conflitos são estruturados num nível de posse e poder (cruz fixa), enquanto que as soluções podem ser estruturadas num nível de investigação de condicionamentos piscianos (ou ocultos, ou insidiosos) trígono de água.

Existem três tipos de Escorpião:

  1. Tipo A: "comum ou típico", realismo sádico, prevalência da impulsividade sobre a inibição. Neste caso podemos ter uma disposição individualista, rebelde, indisciplinada, refratária aos costumes sociais, etc. Firmeza, coerência de atitudes e constância moral, é um tipo criador.
  2. Tipo B: "incomum", tipo virgem, idealismo masoquista, prevalência da inibição sobre a impulsividade, ou seja, bloqueio da vida instintiva. Natureza disciplinada, ordenada, pontual, ligada aos princípios, a formalidade, mais crítico do que criador.
  3. Tipo C: "ambivalente", neste caso, alternância ou coexistência dos tipos anteriores, por exemplo: fisicamente limpo - sujeira moral; crítico - criador; ordenado - desordenado; coexistência ou alternância da impulsividade ou inibição.

Tradicionalmente associado ao poder, escorpião é o signo mais misterioso do zodíaco. Simbolizando o lado profundo e regenerador da vida, este signo tem relação com o sexo: a ação de penetração e fusão é uma característica marcante de escorpião.

É também através do ato sexual que uma nova vida é gerada, e o ato de nascer e renascer fazem parte do eterno ciclo de vida - morte - renascimento, que também está associado ao signo de escorpião.

Entre os seus símbolos, temos a figura do próprio escorpião - apontando a sua natureza inferior, cruel, implacável e traiçoeira - e a fênix, a ave renascida das cinzas que alcança grandes alturas - simbolizando sua natureza superior, transcendente, regeneradora, espiritual.

Escorpião encerra uma imensa possibilidade oculta. É o tesouro enterrado das histórias de piratas, mas para se atingir as profundezas interiores e encontrar este ouro é necessária uma espécie de morte, uma explosão, um cataclisma.

E é preciso que seja assim: a pressão interior é muito maior que a exterior, e acessá-la acarreta uma liberação emocional com intensos poderes.

Podemos associar escorpião à metamorfose da lagarta em borboleta, ao petróleo e às demais riquezas encontradas no interior da terra, e também ao vulcão que libera a lava que fervilha nas profundezas ctônicas.

Em todos estes processos existe uma liberação de energia através da ruptura da casca, o que pode revelar um tesouro ou apenas a lava emocional.

Governando áreas tão complexas e profundas, escorpião não poderia lidar com a vida de uma forma leve e descomprometida.

Quando se identifica com um relacionamento ou com uma causa, ele irá se envolver até a alma; ele irá se "fundir" à situação. É por sentir a vida neste nível de profundidade que os escorpianos costumam ser reservados e discretos com relação as suas motivações.

Caso não estejam emocionalmente envolvidos com a causa, podem evitar a confrontação mais direta, mas caso sejam atacados em pontos a que se liguem emocionalmente, entrarão em guerra para afirmar sua motivações.

E aqui reside uma questão interessante deste signo: quando em conflito, escorpião nunca entra numa batalha, mas sim numa guerra. E neste processo eles atacarão sem piedade e não esperaram nenhuma.

A intensidade deste signo é responsável pela sua característica de transformação. Escorpião está associado a metamorfose, bem como às cirurgias e é claro que o ato de transformar-se demanda uma completa "cirurgia emocional ou mental". Regido por Plutão, este signo rege as sementes e o próprio sêmen.

Também rege a energia atômica e as explosões nucleares. É o poder da vida e da morte concentrados num simples ponto, num grão, num átomo.

Assim é escorpião. regendo o ponto mais recôndito da existência, o Tártaro de Plutão, podemos ver que este ponto é muito pequeno, um quase nada. E nele se encerra o segredo da vida e da morte, que cria e recicla todo o Universo, a imensidão, o Cosmos.

Com tanto poder concentrado, é nesta região do zodíaco que devemos buscar nossa chance de transcendência. Mas este é sempre um jogo complexo, arriscado, de vida - morte, onde a velha pele será sacrificada. mas das cinzas emergirá a fênix refulgente, alçando o seu vôo a alturas até então inimagináveis.

Tarefa: A ti Escorpião, darei uma tarefa muito difícil. Terás a habilidade de conhecer a mente dos homens, mas não te darei a permissão de falar sobre o que aprenderes. Muitas vezes te sentirás ferido por aquilo que vês, e em tua dor te voltarás contra mim, esquecendo que não sou Eu, mas a perversão da Minha idéia que te faz sofrer. Verás tanto e tanto do ser humano, que chegarás a conhecer o homem enquanto animal, e lutarás tanto com os instintos animais em ti mesmo, que perderás o teu caminho, mas quando finalmente voltares a Mim, Scórpio, terei para ti o dom supremo da finalidade.

Fonte: sergiosakall

23/06/2008 GMT -3

Ceumar (Achou)

rprota @ 16:44

22/06/2008 GMT -3

Lágrimas Ocultas (Florbela Espanca)

rprota @ 20:24

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que rí e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi outras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

JÚLIO CÉSAR DE BITTENCOURT GOMES

rprota @ 20:08

A contemporaneidade, o tempo que nos foi dado viver, vem se caracterizando – de um modo irreversível, ao que tudo indica – pelo império das aparências, do espetáculo (vide a inflação dos inapropriadamente chamados reality shows espalhados pelas TVs do mundo), e pela ditadura do discurso. Aos homens do nosso tempo, não interessa tanto ser, como parecer; importa menos o objeto do que o discurso sobre o objeto. A condição contemporânea, tantas vezes rotulada de pós-moderna, poderia, numa vasta medida, ser chamada de pós-real, pois nunca, como agora, os referentes concretos da realidade se mostraram tão porosos ou esmaecidos. As origens do virtual de hoje, contudo, podem ser rastreadas ainda no século XVIII, não apenas em eventos como a revolução industrial, que trouxeram – primeiro para o mundo do trabalho, depois para os demais aspectos da vida – uma convivência com a máquina até então impensada e impensável, como, também, a partir dali, nas reflexões sociológicas e filosóficas que a tomaram como tema e, sobretudo, na literatura, território onde a loucura e os fantasmas – inclusive os do mundo dito “real” – trafegam com uma desenvoltura não desejável ou permitida às ciências “duras”. Machado de Assis, por exemplo, no conto Teoria do medalhão (1881), já diagnosticava esse fenômeno que só se consolidaria e se tornaria evidente nos dias atuais: a desmaterialização da realidade que vai, aos poucos, se transformando num signo ou num simulacro e a instauração do império das aparências, do espetáculo. Como já apontou o teórico e crítico norte-americano Fredric Jameson, em um ensaio seminal sobre a contemporaneidade, a sociabilidade regida pelas aparências, imposta pela necessidade de “se dar bem”, projeta e torna natural um padrão de comportamento que, tal como se apresenta, não faz parte da natureza humana. A paixão pelo status social é uma experiência que foi reificada (glamourizada, até, eu diria) e posteriormente projetada para as pessoas como um valor em si mesmo, despido de seu significado simbólico – o desejo de aceitação – e transformado em algo que hoje parece atributo de uma natureza humana intrínseca (1). Essas questões, que se revestem de uma importância filosófica, na medida em que estão relacionadas com a essência do humano e com sua fragilização, são brilhantemente tematizadas no conto de Machado. Aqui, a conversa de um pai com o filho, no dia da maioridade deste último, é o pretexto de que o escritor se serve para problematizar a condição humana moldada pelo social e para, uma vez mais, nos revelar a perspicácia e a atualidade de seu discurso. Nesse sentido – e se a validade de uma teoria, de uma análise, guarda íntima ligação com sua coerência com os fenômenos observados e com sua capacidade de prever fenômenos futuros –, Machado se inscreve, com esse conto, no rol dos grandes pensadores da cultura em qualquer tempo. A “falência” do real, do universo do ser, e a instauração de um mundo feito de aparências, de simulacros – o qual adquire um status de realidade – é o tema da Teoria do medalhão, onde a identidade do indivíduo é determinada por imagens e mitos criados externamente, onde a realidade e a teoria se fundem e confundem, gerando uma pseudo-realidade ou realidade virtual que, paradoxalmente, acaba por se constituir na realidade de fato, na medida em que nela é que se dá a sociabilidade, a relação entre os indivíduos. Já numa primeira leitura do conto, ficam evidentes os elementos que caracterizam a pobreza existencial do universo social que Machado retrata: o autoritarismo paterno, a hipocrisia da vida baseada em aparências, o reacionarismo de uma visão de mundo que propõe não a transformação da vida, mas a adequação – o mais vantajosa possível – ao modo como ela se apresenta. O primeiro elemento dessa série, o autoritarismo do pai, sobejamente presente no conteúdo da fala do personagem, se revela também graficamente, no contraste entre os longos parágrafos que seu discurso ocupa no texto – trinta e duas linhas no parágrafo que inicia na página 332 e vai até a seguinte em minha edição (2) – e a fala monossilábica do filho que ocupa, quando muito, duas linhas. O próprio pedido do pai para que o filho abra a janela tem um quê de autoritário, como se fosse uma senha para o filho “abrir-se” e deixar o que vem de fora – os conselhos do pai – entrar. O que, porém, vem a seguir, travestido de conselhos, nada mais é do que a manifestação dos desejos do pai, que nutrira ele mesmo, em sua mocidade, o sonho, frustrado, de ser medalhão: (...) Mas qualquer que seja a profissão da tua escolha, o meu desejo é que te faças grande e ilustre, ou pelo menos notável, que te levantes acima da obscuridade comum. A vida, Janjão, é uma enorme loteria; os prêmios são poucos, os malogrados inúmeros, e com os suspiros de uma geração é que se amassam as esperanças de outra. Isto é a vida; não há planger, nem imprecar, mas aceitar as coisas integralmente com seus ônus e percalços, glórias e desdouros, e ir por diante. (pp.328-329). Já nessa passagem, há a fusão de dois dos elementos que apontei como evidentes no conto: o autoritarismo paterno e o seu reacionarismo, o qual se revela numa visão fatalista da vida. Convém notar, contudo, que, em vista do que virá depois, essa aceitação das coisas se refere tão somente à vida, em geral, não à vida de Janjão, que deverá ser grande e ilustre. É como se o pai dissesse: “para os outros nada; para nós tudo”. Ou, ainda, numa variação tristemente associada aos políticos de nosso tempo: “aos amigos tudo; aos inimigos os rigores da lei”. Esse pragmatismo cínico, fundado nos interesses próprios que se sobrepõem a todo o resto, vão se desdobrando ao longo da exposição do pai: – Entretanto, assim como é de boa economia guardar um pão para a velhice, assim também é de boa prática social acautelar um ofício para a hipótese de que os outros falhem, ou não indenizem suficientemente o esforço da nossa ambição. (p.329) A partir daqui, revelando textualmente – ainda que de forma inconsciente – os seus verdadeiros propósitos, o pai passa a discorrer, num tom algo professoral e “científico”, sobre o medalhão, iniciando a “teoria” com uma digressão pormenorizada a respeito da idade em que o verdadeiro medalhão se manifesta (p329). Afloram então, nessa passagem, os ecos do cientificismo, do positivismo, do discurso racionalizante da época, enfim, fina e corrosivamente ironizados por Machado que vai, paulatinamente, desmascarando a pseudo-filosofia banalizadora usada como instrumento de prestígio social, como já, aliás, demonstrado por Benedito Nunes em seu ensaio Machado de Assis e a filosofia (3). No mundo dos medalhões descrito por Machado, onde a aparência é o que conta, o uso de termos como “metafísica” ou “filosofia da História” traz para quem os emprega uma aura de respeitabilidade à qual se agrega a admiração, fim último e narcísico de toda a trajetória de aparências do medalhão bem sucedido, ainda que o preço dessa admiração seja o sacrifício de qualquer originalidade de pensamento, como reitera o pai ao considerar a hipótese de o filho seguir a carreira parlamentar: (...) Quanto à matéria dos discursos, tens à escolha: – ou os negócios miúdos ou a metafísica. Os negócios miúdos, força é confessá-lo, não desdizem daquela chateza de bom-tom, própria do medalhão acabado; mas, se puderes, adota a metafísica; – é mais fácil e mais atraente (...) Nenhuma (imaginação), antes faze correr o boato de que um tal dom é ínfimo. (...) Entendamo-nos: no papel e na língua, alguma (filosofia), na realidade nada. “Filosofia da História”, por exemplo, é uma locução que deves empregar com freqüência, mas proíbo-te que chegues a outras conclusões que não sejam as já achadas por outros. Foge a tudo que possa cheirar a reflexão, originalidade, etc., etc. (pp.336-337) Como se vê, o uso de termos rebuscados revela-se como um dos pilares em que se apóia o medalhão, e a proibição a qualquer reflexão ou originalidade – que faz lembrar a atitude do pai do filósofo e matemático Blaise Pascal, proibindo-o de estudar matemática por achar que quem a ela se dedicava perdia contato com todo o resto (4) – nada mais é do que um modo de manter o foco unicamente no “campo de ação” do medalhão, sem “obstáculos” que possam afastá-lo do caminho. Nesse sentido, o império do discurso, constituído pela palavra em si mesma, sem um referente concreto no mundo real, é um elemento a mais na construção de um universo de aparência, de espetáculo, daí, então, o esvaziamento de conteúdo semântico das palavras, que passa a ser o ideal de todo o medalhão que se imiscui na política: (...) Toda a questão é não infringir as regras e obrigações capitais. Podes pertencer a qualquer partido, liberal ou conservador, republicano ou ultramontano, com a cláusula única de não ligar nenhuma idéia especial a esses vocábulos (...). (p.336) A atualidade desse fragmento é impressionante e faz pensar. Poderia, perfeitamente, ser a descrição emblemática de uma prática de nossos dias: o fisiologismo e o descomprometimento com idéias ou ações políticas. No conto de Machado, esse uso oportunista de palavras alia-se a um outro elemento fundamental no mundo narcísico das imagens: a publicidade do eu, a auto-promoção ou – usando uma terminologia mais afeita aos modismos atuais – o marketing pessoal: (...) A publicidade é uma dona loureira e senhoril, que tu deves requestar à força de pequenos mimos, confeitos, almofadinhas, coisas miúdas, que antes exprimem a constância do afeto do que o atrevimento e a ambição. (...) Longe de inventar um Tratado científico da criação dos carneiros, compra um carneiro e dá-o aos amigos sob a forma de um jantar, cuja notícia não pode ser indiferente aos seus concidadãos. Uma notícia traz outra; cinco, dez, vinte vezes põe o teu nome ante os olhos de mundo. (...) (p.334) Não deixa de ser sintomático que o individualismo, o pragmatismo e a hipocrisia, elementos de dissimulação da realidade e de construção de um simulacro – o medalhão – presentes no conto de Machado, assemelhem-se tanto aos elementos característicos de nosso tempo identificados por vários teóricos da contemporaneidade. O próprio Fredric Jameson, já citado aqui, aponta, em diferentes ensaios, para a rarefação das relações humanas, a qual decorre, justamente, da superficialidade imposta pelo predomínio, na vida atual, da vida pública, da moda, dos locais de exibição e dos padrões de comportamento calcados nas aparências. Poder-se-ia argumentar, aqui, que esses elementos não são específicos da vida contemporânea ou da época de Machado; que a idéia de imagem, entendida como um elemento externo à essência das coisas, é uma idéia rastreável até a pré-História. Nada disso, no entanto, invalida o fato de que Machado de Assis, sendo essencialmente um homem de sua época, consegue extrapolá-la e atingir a estatura de um escritor universal, não apenas geograficamente, mas também no tempo (não será à toa que em outro de seus contos, O Alienista (1882), já estejam presentes traços do que viria a ser a anti-psiquiatria, no século XX) . “O clássico”, diria Italo Calvino, “não necessariamente nos ensina algo que não sabíamos; às vezes descobrimos nele algo que sempre soubéramos (ou acreditávamos saber) mas desconhecíamos que ele o dissera primeiro (...)” (5).

Fonte: triplov

Não Matarás (Instituto Nina Rosa)

rprota @ 15:10

Black Is Beautiful - Sandra de Sá, Alcione e Luciana Mello

rprota @ 14:09

A lucidez perigosa

rprota @ 12:47

Clarice Lispector

Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.

Estou por assim dizer 
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.

Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
– já me aconteceu antes.

Pois sei que
– em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade –
essa clareza de realidade
é um risco.

Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.

Anistia Internacional denuncia torturas e mortes no Zimbábue

rprota @ 12:14
Folha Online 


19/06/2008 - 19h23

da Efe, em Johannesburgo
colaboração para a Folha Online

A Anistia Internacional (AI) denunciou nesta quinta-feira que 12 pessoas foram torturadas e mortas no Zimbábue, aparentemente por seguidores do partido do presidente do país, Robert Mugabe.

De acordo com o comunicado da AI divulgado em Johannesburgo, os corpos foram deixados em diferentes áreas e a maioria deles mostra sinais de que as vítimas foram torturadas por seus seqüestradores.

A organização pró-direitos humanos afirma que as vítimas foram seqüestradas por militantes do partido governista União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), que, em alguns casos, eram acompanhados de homens armados, supostamente agentes do governo.

A mulher do prefeito de Harare --Emmanuel Chiroto, opositor ao governo Mugabe-- também foi morta nesta quinta-feira, segundo a rede CNN de televisão.

O corpo de Abigail Chiroto, 27 anos, foi encontrado perto da casa do casal no norte de Harare, com marcas de violência. O filho de quatro anos de Abigail, que havia sido seqüestrado junto com a mãe, foi libertado sem ferimentos, informou a CNN.

Abigail é a terceira mulher de líderes opositores morta por governistas.

Quatro outras vítimas foram seqüestradas por jovens da Zanu-PF na casa de um conselheiro municipal eleito pelo partido opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês) para o distrito de Chitungwiza. Entre elas estava o filho mais velho do funcionário.

O porta-voz oficial do MDC, Nelson Chamisa, disse à Agência Efe em Harare que os quatro seqüestrados em Chitungwiza, cerca de 20 quilômetros ao sul da capital, foram golpeados com barras de ferro, garrotes e culatras de fuzis.

Em seguida, foram levados a um caminhão por um grupo que se identificou como "veteranos da guerra" de independência do Zimbábue.

"Os corpos foram encontrados aos arredores de Chitungwiza e, no lugar, também havia cartuchos usados de armas de fogo, com as quais, provavelmente, foram assassinados", disse Chamisa.

Corpos

A Anistia Internacional acrescenta em seu comunicado que outros cinco corpos foram descobertos na província de Masvingo (sudeste do Zimbábue), outros dois no distrito Gokwe, na Província de Midlands (centro) e um em Harare.

Outra vítima, uma mulher, morreu hoje em um hospital de Harare após ser internada com graves ferimentos. Ela teria sido espancada por jovens da Zanu-PF enquanto estava no funeral de um parente em Buhera, 170 quilômetros ao sul da capital do Zimbábue.

A AI afirma ainda ter recebido informação de testemunhas em diferentes partes do país de que soldados do Exército zimbabuano percorrem as áreas rurais e ameaçam com suas armas os moradores das aldeias, ordenando que votem em Mugabe na segunda rodada das eleições presidenciais, no dia 27.

Mugabe enfrentará no pleito o líder do MDC, Morgan Tsvangirai, que venceu no primeiro turno, realizado em 29 de março, mas não obteve mais de 50% dos votos necessários para uma maioria direta, como indicam as leis eleitorais zimbabuanas.

A oposição venceu também nas eleições parlamentares realizadas no mesmo dia.

Em seu documento, a AI pede também que os líderes da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, em inglês) convoquem uma reunião cúpula de emergência para tentar resolver a crescente situação de insegurança no Zimbábue.



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21/06/2008 GMT -3

Good Morning Starshine

rprota @ 19:39

William Shakespeare

rprota @ 18:59

Um dia Você Aprende que, depois de algum tempo você descobre a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

20/06/2008 GMT -3

"Shall We Dance?".

rprota @ 22:24

Certas Coisas

rprota @ 22:05

Nossa Canção

rprota @ 21:02

Perfume de Mulher

rprota @ 12:56

Modelos britânicas criam sindicato e exigem proteção contra assédio

rprota @ 10:57
Folha Online 


23/05/2008 - 10h07
da BBC

Centenas de modelos que atuam na Grã-Bretanha se filiaram a um sindicato criado para exigir melhores direitos trabalhistas e proteção contra assédio sexual, exploração e até ataques.

Desde o lançamento oficial do sindicato, na Semana de Moda de Londres, em fevereiro passado, mais de 400 modelos se juntaram ao comitê para modelos aberto dentro do sindicato dos atores Equity.

Com a criação do órgão, as modelos têm a quem recorrer para buscar apoio independente, e como a filiação é anônima, as agências não podem discriminar as modelos que se afiliarem ao sindicato.

O órgão foi criado depois de queixas de "comportamento lascivo" em relação a modelos, condições de trabalho abusivas e meninas sendo pressionadas a não comer e emagrecer.

As modelos Dunja Knezevic e Victoria Keon-Cohen vêm fazendo campanha pelas mudanças na indústria. Keon-Cohen, de 22 anos, contou à BBC sobre uma sessão de fotos em particular.

"Havia 10 garotas, todas de diferentes idades, tendo que se despir e ficar apenas de fio dental para vestir as peças íntimas (a serem fotografadas), com dois ou três homens olhando."

"Elas estavam tentando se esconder atrás das araras de roupas, mas os homens ficaram olhando os espelhos para ver o reflexo delas."

Knezevic, de 26 anos, disse à BBC que a polícia deveria investigar alguns dos episódios. "Comportamento lascivo é bastante comum, mas ataques sexuais são mais raros. O problema é, que não importa o quão raro seja, nada é jamais feito a respeito".

O sindicato vem falando com clientes, agências, bookers e fotógrafos sobre garantir o direito básico das modelos e afirma que a resposta vem sendo positiva.

O sindicato defende que as modelos tenham pausas durante as sessões de fotos e tentam garantir que elas não se sintam pressionadas a se manter extremamente magras.

As modelos também têm acesso a assessoria legal e informação sobre planos de aposentadoria.

Questões éticas

Leni Renston, da agência Quintessentially Models, apóia o movimento, mas não tem certeza de que ele será bem visto por todo mundo.

Segundo ela, "muitas agências no momento não levam em consideração essas questões éticas, mas eu acredito que elas devem se tornar a norma".

"Até que isso aconteça e elas estejam prontas a lidar com esses problemas, acredito que elas vão encontrar dificuldades para lidar com o sindicato."

As modelos planejam uma conferência em setembro com representantes de todos os setores da moda, para discutir os progressos alcançados.

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19/06/2008 GMT -3

Você quer ser Feliz ou ter Razão? (por Marcelo Costa)

rprota @ 11:51

Se você não consegue mudar o Mundo, então mude de mundo.
Provérbio Popular.
A vida profissional inicia em nossas vidas sempre por uma necessidade, seja ela financeira, social ou até mesmo acadêmica. Adentramos ao mercado de trabalho sempre como forma de suprimirmos uma área de nossa vida, seja assumindo muitas vezes uma função nos negócios da família; o apelo também em casa ou na necessidade acadêmica pelo primeiro emprego ou estágio, exigibilidade legal nas universidades e no mercado; e, principalmente, pela necessidade financeira, de já termos o nosso dinheiro, nosso “ganha-pão”, e ajudarmos (e até mesmo sustentando) nossa família.
Quando neste ingresso, por sermos muito novos de idade e inexperientes no mercado, temos muito mais gaz do que conhecimento, o que nos leva a ter mais garra pela defesa de nossa razão e argumentos. Queremos ter nossa opinião respeitada, nossas idéias seguidas, precisamos de afirmação naquilo em que acreditamos ou passamos a acreditar, pois não tivemos tempo suficiente para firmarmos um pensamento tão próprio e fundamento, que seja ileso a ser contrariado e desmintido. Daí vem as calorosas discussões nos grêmios escolares e universitários, cujo partidarismo é buscado como tábua de referência e afirmação destas idéias, pois ainda nos falta capacidade completa para tê-las como verdade. Sempre, nesta fase entramos em embates ideológicos, que mais tarde, por muitas vezes, iremos ver, que foram inócuos e descabidos, exarcebados e sem nexo.
Nesta fase com certeza sempre queremos ter razão! E ela, conforme a intensidade desta firmação de personalidade pessoal, profissional, de crescimento, irá repercurtir em muitos outros anos, que ainda virão. Temos inclusive ainda profissionais, que mesmo atingindo a maturidade pessoal e profissional, fazem questão de não deixar esta fase e ainda, daí já mais egocentricamente, defendem seus pontos de vista calorosamente, sempre em busca de sair vitorioso da conversa ou da discussão, com a razão ao seu lado.
E a experiência, nos estudos de casos e de termos vistos durante nossa vida profissional, que esta defesa incessante por se ter essa razão, leva a muitas pessoas e profissionais, a angariar inimizades e desafetos. Pois, as pessoas infelizmente em sua maioria ainda levam tudo para o lado pessoal. Pensam que tudo, que se fala são contra a pessoa delas, o que na verdade o tom de crítica só queiram atribuir ao seu lado profissional e não pessoal. E a razão se faz preponderar e, também na maioria dos casos, destemperar, tirar do sério qualquer um, que seja mais passional, ou que momentaneamente apresente desequilibrio no relacionamento pessoal.
Em contrapartida, a tendência natural é que ocorra, com a passagem dos anos de vida e de profissão, as pessoas consigam estabelecer maior discernimento do que realmente agregue valor ao seu trabalho e até a sua vida pessoal. Que é o fator de ser feliz, de estar bem, de conviver harmoniosamente, e que necessariamente não seja de concordância com tudo, um mero expectador ou “bobo da corte”, em sorrir para tudo, ser complacente.
Mas, a opção de ser feliz parte do fato de se preparar com boas argumentações, se firmar profissionalmente com maior expertise que seus pares no mercado profissional e ser, por isso, referência para muitos que buscam uma opinião séria e segura. Estar tranquilo em quaisquer que sejam as circunstâncias, pois se está devidamente preparado, acima da média, para no momento oportuno, falar quando chamado e apresentar soluções, que em sendo profissionais, levarão aos melhores resultados.
Optar por ser feliz profissionalmente, cria uma ambiência também em sua vida pessoal, pois gera reflexos na qualidade de vida deste profissional como ser humano. Sem se abster dos problemas cotidianos que sempre ocorrem, e que servem de combustível para o aprimoramento e a competição do mundo econômico globalizado.
Por muitas vezes, nós que convivemos no stress das grandes cidades, como São Paulo, não precisamos estar emocionalmente sintonizados com esta vibração desgastante, contudo devemos ser feliz com a sua dinâmica ágil e competente. Por outro lado, se convivemos numa cidade pacata no interior do País, devemos ser felizes com a sua ponderação de que tudo tem a sua hora, porém também não nos deixemos cair no marasmo da acomodação e deste conforto, imprimindo assim um ritmo ágil, dinâmico e eficaz o suficiente para estarmos sintonizados com o Mundo dos Negócios e que gere negócios.
Como dois amigos que tenho, em que um diz: “Saí de São Paulo, fui para o interior, mas São Paulo não saiu de mim... tudo tem que ser rápido, para ontem...”; enquanto outro retruca: “Mas rapaz, para que ser pressa se temos prazo, o que vale é o planejamento e não o estresse...”
Enfim em busca deste equilíbrio, embora difícil, mas não impossível é que perguntamos: Você quer ser feliz ou ter razão?!
Pense nisso, inclusive sobre o que você quer para a sua empresa e sua família...
Conte conosco e Sucesso! Até a próxima semana!

$ CONTA CORRENTE $
$ Os dados oriundos dos bastidores econômicos mostra-nos vários sinais de alerta, os quais trazemos brevemente aqui. O País está perdendo a oportunidade de se remontar, fortalecer sua infra-estrutura, quanto as estradas, sistemas elétricos e formação bruta de capital fixo, esta através do setor privado. Que aliás atua, produtivamente, neste três segmentos. A estabilidade aparente e o fluxo de capitais entrantes no País, poderiam estar rentabilizando a infra-estrutura. Contudo, o País desperdiça tempo e com isso forma em cenários, dos mais otimistas aos mais pessimistas, de pontos de estrangulamento, gargalos fenomenais, além da carga tributária já existente sobre o setor produtivo. Que possamos agir, renvindicando ações urgentes para a reversão do que possa parecer vir por aí, que como exemplo citamos, nova fase de apagão elétrico, ao qual já se pronuncia, segundo fontes do setor, ainda para este ano. É o momento é (ou deveria ser) de ação.
$ É incrível o relaxamento no uso de nossa língua e vocabulário no ambiente profissional e em nossa sociedade. Infelizmente, o português é assinado a cada instante, a cada entrevista, a cada pronunciamento. Erros monumentais, aos quais transitam, desde os “pôblemas” até os “entendeno”, “cidadões”, e expressões como “... os papéis é esses...”. Um total despreparo até para quem ostenta títulos de mestres, doutores e professores, que são responsáveis pela formação de outras pessoas. Alertamos a todos para a importância do uso adequado da língua portuguesa, que apesar dos pesares de ser difícil, quando bem pronunciada, causa melhor entendimento entre todos que a ouvem.

Responderemos semanalmente as suas dúvidas pelo email marrcaretail@hotmail.com. Envie sua dúvida sobre finanças, negócios, gestão empresarial e carreira profissional.

Autor: Prof. Marcelo Costa
Fonte: Artigo da Coluna Semanal Spaço Dinheiro

Mídia internacional noticia caso dos jovens do Morro da Providência

rprota @ 11:39

17/06/2008 GMT -3

Alegria

rprota @ 23:23

Letra: Josué Rodrigues

Música: Amaurílio Fontenelle

Alegria é viver feliz
Sem importar qual a situação
Se honrado, ou se humilhado
Em escassez ou fartura de pão.

Alegria é poder pedir
Ao Deus bendito pelo meu irmão
É viver no mesmo sentimento
De afeto e de consolação.

Alegria é saber que Deus
Segundo a Sua glória e riqueza
Vai suprir nossas necessidades com certeza

Alegria é tudo perder
Sem perder nada do amor de Deus
Ter de Cristo o conhecimento nos caminhos Seus.

Alegria (alegria, alegria)
Alegria (todo dia, todo dia)
Essa alegria no Senhor nunca vai acabar.

Alegria (alegria, alegria)
Alegria (todo dia, todo dia)
Ele nos faz tanto o querer como o realizar.

15/06/2008 GMT -3

Serena toca Mozart

rprota @ 21:25

Ana Cañas no Tom Jazz (Coração vagabundo)

rprota @ 13:39


A Morte da Esperança

rprota @ 12:04

 

Ao acaso foi incerto
Foi assim que aconteceu
A história da Esperança
Que um dia faleceu
 
Caminhando pela vida
Lá estava a Esperança
Foi quando se deparou
Com a amiga Confiança
 
“-Não confio mais em ti!”
Confiança disse à amiga
“-Porque me abandonastes?”
“Destruístes minha vida!”
 
“-Minha amiga o que diz?”
Esperança respondeu
“Nunca a abandonei!”
“Acho que não entendeu!”
 
“-Sim é claro que entendi!”
Confiança interrompeu
“-Você não existe mais!”
“Para mim você morreu!”
 
“-É verdade que morri!”
“Mas só no seu coração!”
“Só quem acredita em mim
Tem o poder da minha mão!”
 
Assim foi acontecida
Triste morte da Esperança
No pequeno coração
Da amiga Confiança
 
E assim como morreu
Na querida amiga dela
Esperança também morre
Em quem não acredita nela

Murilo Saldanha da Silva

Fonte: Site de Poesias

14/06/2008 GMT -3

A Falência do Prazer e do Amor

rprota @ 11:58


Fernando Pessoa 

I

Beber a vida num trago, e nesse trago 
Todas as sensações que a vida dá 
Em todas as suas formas [...] 
..................................................................... 
Dantes eu queria 
Embeber-me nas árvores, nas flores, 
Sonhar nas rochas, mares, solidões. 
Hoje não, fujo dessa idéia louca: 
Tudo o que me aproxima do mistério 
Confrange-me de horror.  Quero hoje apenas 
Sensações, muitas, muitas sensações, 
De tudo, de todos neste mundo — humanas, 
Não outras de delírios panteístas 
Mas sim perpétuos choques de prazer  
Mudando sempre, 
Guardando forte a personalidade  
Para sintetizá-las num sentir. 
             Quero 
Afogar em bulício, em luz, em vozes,  
— Tumultuárias [cousas] usuais — 
o sentimento da desolação 
Que me enche e me avassala. 
              Folgaria 
De encher num dia, [...] num trago, 
A medida dos vícios, inda mesmo 
Que fosse condenado eternamente — 
Loucura! — ao tal inferno, 
A um inferno real. 
 

II

Alegres camponeses, raparigas alegres e ditosas, 
Como me amarga n'alma essa alegria! 
..................................................................... 
Nem em criança, ser predestinado, 
Alegre eu era assim; no meu brincar, 
Nas minhas ilusões da infância, eu punha  
O mal da minha predestinação. 
..................................................................... 
Acabemos com esta vida assim! 
Acabemos! o modo pouco importa! 
Sofrer mais já não posso.  Pois verei — 
Eu, Fausto — aqueles que não sentem bem 
Toda a extensão da felicidade, 
Gozá-la? 
..................................................................... 
                Ferve a revolta em mim 
Contra a causa da vida que me fez 
Qual sou.  E morrerei e deixarei 
Neste inundo isto apenas: uma vida 
Só prazer e só gozo, só amor, 
Só inconsciência em estéril pensamento 
E desprezo [...] 

Mas eu como entrarei naquela vida? 
Eu não nasci para ela. 
 

III

Melodia vaga 
Para ti se eleva 
E, chorando, leva 
O teu coração, 
Já de dor exausto, 
E sonhando o afaga. 
Os teus olhos, Fausto, 
Não mais chorarão. 
 

IV

Já não tenho alma.  Dei-a à luz e ao ruído, 
Só sinto um vácuo imenso onde alma tive... 
Sou qualquer cousa de exterior apenas, 
Consciente apenas de já nada ser... 
Pertenço à estúrdia e à crápula da noite 
Sou só delas, encontro-me disperso 
Por cada grito bêbedo, por cada 
Tom da luz no amplo bojo das botelhas. 
Participo da névoa luminosa 
Da orgia e da mentira do prazer. 
E uma febre e um vácuo que há em mim 
Confessa-me já morto... Palpo, em torno 
Da minha alma, os fragmentos do meu ser 
Com o hábito imortal de perscrutar-me. 
 

V

Perdido 
No labirinto de mim mesmo, já 
Não sei qual o caminho que me leva 
Dele à realidade humana e clara 
Cheia de luz [...] alegremente  
Mas com profunda pesadez em mim  
Esta alegria, esta felicidade, 
Que odeio e que me fere [...] 
..................................................................... 
Sinto como um insulto esta alegria 
— Toda a alegria.  Quase que sinto 
Que rir, é rir — não de mim, mas, talvez, 
Do meu ser. 
 

VI

Toda a alegria me gela, me faz ódio.   
Toda a tristeza alheia me aborrece,  
Absorto eu na minha, maior muito Que outras  
[...] 
..................................................................... 
Sinto em mim que a minha alma não tolera  
Que seja alguém do que ela mais feliz; 
O riso insulta-me, por existir; 
Que eu sinto que não quero que alguém ria 
Enquanto eu não puder.  Se acaso tento 
Sentir, querer, só quero incoerências 
De indefinida aspiração imensa, 
Que mesmo no seu sonho é desmedida ... 
 

VII

tua inconsciência alegre é uma ofensa 
para    mim.  O seu riso esbofeteia-me! 
Tua alegria cospe-me na cara! 
Oh, com que ódio carnal e espiritual 
 escarro sobre o que na alma humana  
Fria festas e danças e cantigas... 
.................................................................... 
Com que alegria minha, cairia 
Um raio entre eles!  Com que pronto 
Criaria torturas para eles 
Só por rirem a vida em minha cara 
E atirarem à minha face pálida 
O seu gozo em viver, a poeira — que arda  
Em meus olhos — dos seus momentos ocos 
De infância adulta e tudo na alegria! 
..................................................................... 
Ó ódio, alegra-me tu sequer! 
Faze-me ver a Morte. roendo a todos,  
Põe-me ria vista os vermes trabalhando 
Aqueles corpos! [...] 
 

VIII

Triste horror d'alma, não evoco já 
Com grata saudade, tristemente, 
Estas recordações da juventude! 
Já não sinto saudades, como há pouco 
Inda as sentia.  Vai-se-me embotando, 
Co'a força de pensar, contínuo e árido, 
Toda a verdura e flor do pensamento. 
Ao recordar agora, apenas sinto, 
Como um cansaço só de ter vivido, 
Desconsolado e mudo sentimento 
De ter deixado atrás parte de mim, 
E saudade de não ter saudade, 
Saudades dos tempos em que as tinha. 
Se a minha infância agora evoco, vejo 
— Estranho! — como uma outra criatura 
Que me era amiga, numa vaga 
Objetivada subjetividade. 
Ora a infância me lembra, como um sonho, 
Ora a uma distância sem medida 
No tempo, desfazendo-me em espanto; 
E a sensação que sinto, ao perceber 
Que vou passando, já tem mais de horror 
Que tristeza [...] 
E nada evoca, a não ser o mistério 
Que o tempo tem fechado em sua mão. 
Mas a dor é maior! 
 

IX

Ó vestidas razões!  Dor que é vergonha 
E por vergonha de si-própria cala 
A si-mesma o seu nexo! Ó vil e baixa 
Porca animalidade do animal, 
Que se diz metafísica por medo 
A saber-se só baixa ... 
..................................................................... 
Ó horror metafísico de ti! 
Sentido pelo instinto, não na mente! 
Vil metafísica do horror da carne, 
Medo do amor... 

Entre o teu corpo e o meu desejo dele 
'Stá o abismo de seres consciente; 
Pudesse-te eu amar sem que existisses 
E possuir-te sem que ali estivesses! 

Ah, que hábito recluso de pensar 
Tão desterra o animal que ousar não ouso 
O que a [besta mais vil] do mundo vil  
Obra por maquinismo. 

Tanto fechei à chave, aos olhos de outros, 
Quanto em mim é instinto, que não sei 
Com que gestos ou modos revelar 
Um só instinto meu a olhos que olhem ... 
..................................................................... 
Deus pessoal, deus gente, dos que crêem, 
Existe, para que eu te possa odiar! 
Quero alguém a quem possa a maldição 
Lançar da minha vida que morri, 
E não o vácuo só da noite muda 
Que me não ouve. 
 

X

O horror metafísico de Outrem! 
O pavor de uma consciência alheia  
Como um deus a espreitar-me! 
        Quem me dera 
Ser a única [cousa ou] animal  
Para não ter olhares sobre mim! 
 

XI

Um corpo humano! 
Às vezes eu, olhando o próprio corpo,  
Estremecia de terror ao vê-lo  
Assim na realidade, tão carnal. 
 

XII

................................................. Sinto horror  
À significação que olhos humanos 
Contém... 
..................................................................... 
                        Sinto preciso 
Ocultar o meu íntimo aos olhares 
E aos perscrutamentos que olhares mostram; 
Não quero que ninguém saiba o que sinto, 
Além de que o não posso a alguém dizer... 
 

XIII

Com que gesto de alma 
Dou o passo de mim até à posse 
Do corpo de outros, horrorosamente 
Vivo, consciente, atento a mim, tão ele 
Como eu sou eu. 
 

XIV

Não me concebo amando, nem dizendo 
A alguém "eu te amo" — sem que me conceba 
Com uma outra alma que não é a minha 
Toda a expansão e transfusão de vida 
Me horroriza, como a avaro a idéia 
De gastar e gastar inutilmente — 
Inda que no gastar se [extraia] gozo. 
 

XV

Quando se adoram, vividos, 
Dois seres juvenis e naturais 
Parece que harmonias se derramam  
Como perfumes pela terra em flor. 

Mas eu, ao conceber-me amando, sinto 
Como que um gargalhar hórrido e fundo 
Da existência em mim, como ridículo 
E desusado no que é natural. 

Nunca, senão pensando no amor, 
Me sinto tão longínquo e deslocado, 
Tão cheio de ódios contra o meu destino. — 
De raivas contra a essência do viver. 
 

XVI

Vendo passar amantes 
Nem propriamente inveja ou ódio sinto, 
Mas um rancor e uma aversão imensos 
Ao universo inteiro, por cobri-los. 
 

XVII

O amor causa-me horror; é abandono,  
Intimidade... 
... Não sei ser inconsciente  
E tenho para tudo [...] 
A consciência, o pensamento aberto  
Tornando-o impossível. 

E eu tenho do alto orgulho a timidez 
E sinto horror a abrir o ser a alguém, 
A confiar n’alguém.  Horror eu sinto 
A que perscrute alguém, ou levemente 
Ou não, quaisquer recantos do meu ser. 

Abandonar-me em braços nus e belos  
(Inda que deles o amor viesse)  
No conceber do todo me horroriza; 
Seria violar meu ser profundo, 
Aproximar-me muito de outros homens. 

Uma nudez qualquer — espírito ou corpo — 
Horroriza-me: acostumei-me cedo 
Nos despimentos do meu ser 
A fixar olhos pudicos, conscientes. 
Do mais. Pensar em dizer "amo-te" 
E "amo-te" só — só isto, me angustia... 
 

XVIII

[...] eu mesmo 
Sinto esse frio coração em mim  
Admirado de ser um coração 
Tão frio está. 
 

XIX

Seria doce amar, cingir a mim  
Um corpo de mulher, mais frio e grave 
e feito em tudo, transcendentalmente 
O pensamento agrada-me, e confrange-me 
Do terror de perto, e [junto] 
Em sensação ao meu, um outro corpo. 
Gelada mão misteriosa cai  
Sobre a imaginação [...] 
 

XX

É isto o amor?  Só isto? [...] 
..................................................................... 
Sinto ânsias, desejos, 
Mas não com meu ser todo.  Alguma cousa 
No íntimo meu, alguma cousa ali 
— Fria, pesada, muda — permanece. 

[P'ra] isto deixei eu a vida antiga  
Que já bem não concebo, parecendo 
Vaga já. 
Já não sinto a agonia muda e funda  
Mas uma, menos funda e dolorosa, 
[Bem] mais terrível raiva [...]  
De movimentos íntimos, desejos  
Que são como rancores. 

Um cansaço violento e desmedido 
De existir e sentir-me aqui, e um ódio 
Nascido disto, vago e horroroso, 
A tudo e todos... 
 

XXI

— Amo como o amor ama. 
Não sei razão pra amar-te mais que amar-te. 
Que queres que te diga mais que te amo, 
Se o que quero dizer-te é que te amo? 
..................................................................... 
Quando te falo, dói-me que respondas 
Ao que te digo e não ao meu amor. 
..................................................................... 
Ah! não perguntes nada; antes me fala 
De tal maneira, que, se eu fora surda, 
Te ouvisse todo com o coração. 

Se te vejo não sei quem sou: eu amo. 
Se me faltas [...] 
... Mas tu fazes, amor, por me faltares 
Mesmo estando comigo, pois perguntas — 
Quando é amar que deves.  Se não amas, 
Mostra-te indiferente, ou não me queiras, 
Mas tu és como nunca ninguém foi, 
Pois procuras o amor pra não amar, 
E, se me buscas, é como se eu só fosse 
Alguém pra te falar de quem tu amas. 
..................................................................... 
Quando te vi amei-te já muito antes: 
Tornei a achar-te quando te encontrei. 
Nasci pra ti antes de haver o mundo. 
Não há cousa feliz ou hora alegre 
Que eu tenha tido pela vida fora, 
Que o não fosse porque te previa, 
Porque dormias nela tu futuro. 
..................................................................... 
E eu soube-o só depois, quando te vi, 
E tive para mim melhor sentido, 
E o meu passado foi como uma 'strada 
Iluminada pela frente, quando 
O carro com lanternas vira a curva 
Do caminho e já a noite é toda humana. 
..................................................................... 
Quando eu era pequena, sinto que eu 
Amava-te já longe, mas de longe... 
..................................................................... 
Amor, diz qualquer cousa que eu te sinta! 
— Compreendo-te tanto que não sinto, 
Oh coração exterior ao meu! 
Fatalidade, filha do destino 
E das leis que há no fundo deste mundo! 
Que és tu a mim que eu compreenda ao ponto 
De o sentir...? 
..................................................................... 
 

XXII

Pra que te falar?  Ninguém me irmana 
Os pensamentos na compreensão. 
Sou só por ser supremo, e tudo em mim 
É maior. 
 

XXIII

Reza por mim!  A mais não me enterneço. 
Só por mim mesmo sei enternecer-me, 
Soba a ilusão de amar e de sentir em que forçadamente me detive. 
Reza por mim, por mim! Eis a que chega 
A minha tentativa [em] querer amar. 
 

 * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * 


 
 

12/06/2008 GMT -3

Haja O Que Houver

rprota @ 02:12

Madredeus

Composição: Pedro Ayres Magalhães

Haja o que houver
Eu estou aqui
Haja o que houver
espero por ti

Volta no vento ô meu amor
Volta depressa por favor
Há quanto tempo, já esqueci
Porque fiquei, longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor...

Eu sei quem és
pra mim
Haja, o que houver
espero por ti...

Há quanto tempo, já esqueci
Porque fiquei, longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor

Eu sei quem és
pra mim
Haja, o que houver
espero por ti...

Play the Game

rprota @ 01:51

Nel mezzo del camim...

rprota @ 01:40

 


Olavo Bilac


Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.


 

POEMA EM LINHA RETA

rprota @ 01:33

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos

Faz Parte Do Meu Show

rprota @ 01:11
Cazuza
Te pego na escola e encho a tua bola com todo o meu amor
Te levo pra festa e testo o teu sexo com ar de professor
Faço promessas malucas tão curtas quanto um sonho bom
Se eu te escondo a verdade, baby, é pra te proteger da solidão
Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor
Confundo as tuas coxas com as de outras moças
Te mostro toda a dor
Te faço um filho
Te dou outra vida pra te mostrar quem sou
Vago na lua deserta das pedras do Arpoador
Digo 'alô' ao inimigo
Encontro um abrigo no peito do meu traidor
Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor
Invento desculpas, provoco uma briga, digo que não estou
Vivo num 'clip' sem nexo
Um pierrot retrocesso
meio bossa nova e 'rock'n roll'
Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor
Meu amor, meu amor, meu amor...

Papo Paralelo (por Marcos Mosca)

rprota @ 00:35

Modernidade

Fonte: Papo Paralelo

20 05 2008

A modernidade trouxe muitos problemas para a humanidade, mas sem dúvida, muito mais para nós homens.

Uma amiga nossa estava preparando o almoço lá em casa, tudo ia bem até que a vejo cortando azeitonas para colocar no omelete.

Pensei, como ela conseguiu abrir um pote de azeitona sendo que sou o único homem presente aqui. Fui investigar!

Para meu espanto e total desespero, notei que a embalagem das malditas azeitonas era de plástico. Vocês não podem imaginar como fiquei em pânico!

Primeiro elas começaram a trabalhar e se tornar independentes financeiramente, depois começaram a assumir o lado independente nos relacionamentos e agora abrem latas, vidros e outras coisas sem ajuda dos homens. Onde vamos parar?

Com relação a independência financeira e emocional, vá lá. Mas agora não depender de nós pra nada, ai já é muito.

Eu que sempre me aprimorei nessas técnicas avançadas de abertura de latas, troca de pneus furados, locomoção de veículos com problemas mecânicos sob chuva e por ai vai, me senti um inútil nesse dia, confesso que a comida desceu amarga.

Agora vejo que minha mãe tinha razão ao dizer que as mulheres deixavam que nós homens tomássemos a frente de certas situações para nos sentirmos úteis, e como diz o dito popular, homem é tão dependente da mulher que até para tomar chifre precisa de uma.

P S: Estou pensando em fundar uma organização contra a utilização de plástico nas embalagens de alimentos.

Pesquisa analisa relação homossexual entre mulheres

rprota @ 00:23

07-07-2006 09:07:10
Da Redação: Fonte - Agência Notisa

Com a emergência da epidemia da AIDS, foi observada uma crescente preocupação com a sexualidade, particularmente questões referentes à homossexualidade masculina. O tema da homossexualidade feminina e sua relação com a saúde mantiveram-se marginais a todo esse processo. Nesse sentido, Regina Barbosa e Mitti Koyama da Universidade Estadual de Campinas resolveram descrever a proporção de mulheres que fazem sexo com mulheres com base em três recortes temporais e analisar o trânsito entre experiências homo e heterossexuais por sexo.

Os dados utilizados no trabalho foram produzidos pela pesquisa Comportamento Sexual da População Brasileira e Percepções do HIV/AIDS, realizada em 24 Estados brasileiros e no Distrito Federal, que teve como objetivos estudar comportamento, atitudes e práticas sexuais da população brasileira e avaliar o nível de conhecimento sobre HIV/AIDS e demais doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com artigo publicado na edição de julho de 2006 dos Cadernos de Saúde Pública, “uma mulher pode ter relações com outras mulheres de forma eventual ou regular, variando esse padrão ao longo do tempo. Pode ainda ter relações com parceiras de comportamento exclusivamente homossexual ou parceiras que tenham relações com homens, de forma esporádica ou regular. Essa mesma mulher pode, ela própria, ter relações com homens de forma esporádica ou regular”.

Os resultados do estudo mostram que 3% das mulheres sexualmente ativas nos últimos cinco anos relataram ter tido na vida relações sexuais com pessoas do mesmo sexo ou de ambos os sexos. Segundo as pesquisadoras, “a idéia da existência de uma homossexualidade feminina estanque e estável ao longo da vida desaparece, dando lugar a um cenário mais dinâmico no qual as mulheres transitam pelas diferentes experiências e a categoria ‘mulheres exclusivamente homossexuais’ só é expressiva nos recortes de tempo mais recentes”.

Regina e Mitti afirmam que as diferenças observadas entre homens e mulheres sugerem que ambos transitam entre experiências homo e heterossexuais de maneiras distintas ao longo da vida. “Os dados para homens fazem supor que homens que tiveram parceiros exclusivamente do mesmo sexo nos últimos cinco anos assim permaneceram ao longo da vida. Os dados para as mulheres assumem um padrão diferente, no qual a relação exclusivamente com pessoas do mesmo sexo aparece apenas no recorte de um ano, e com a ampliação do recorte de tempo inclui progressivamente parceiros sexuais do sexo oposto”.

10/06/2008 GMT -3

Auto-Estima

rprota @ 11:37

auto-estima

Sometimes I Feel Like a Motherless Child

rprota @ 11:14

Sometimes I feel like a motherless child
Sometimes I feel like a motherless child
Sometimes I feel like a motherless child
A long ways from home
A long ways from home
True believer
A long ways from home
A long ways from home

Sometimes I feel like I’m almos’ gone
Sometimes I feel like I’m almos’ gone
Sometimes I feel like I’m almos’ gone
Way up in de heab’nly land
Way up in de heab’nly land
True believer
Way up in de heab’nly land
Way up in de heab’nly land

A long ways from home
A long ways from home

 

Dizem que finjo ou minto

rprota @ 00:22

Fernando Pessoa

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

09/06/2008 GMT -3

Poema de sete faces

rprota @ 23:54

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
 

 

Ausência

rprota @ 23:30



Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
 

MORAES, Vinícius de. ANTOLOGIA POÉTICA.

Sargento gay que está preso foi agredido, denuncia namorado

rprota @ 09:15

Fonte: G1 

05/06/2008 - 18h21 - Atualizado em 05/06/2008 - 18h31

Sargento Laci Marinho de Araújo teria sido agredido e algemado ao chegar em Brasília.
Centro de Comunicação Social do Exército nega agressão.



Eduardo Bresciani Do G1, em Brasília entre em contato
Foto: Reprodução/Revista Época
Reprodução/Revista Época
capa da revista Época (Foto: Reprodução/Revista Época)

O sargento Fernando de Alcântara de Figueiredo afirmou que Laci Marinho de Araújo, também sargento e que está preso por deserção, foi agredido ao desembarcar em Brasília na tarde desta quinta-feira (5). De Araújo está detido desde a noite de segunda-feira (2) e foi transferido para Brasília. Os dois deram entrevista à revista Época desta semana revelando ter um relacionamento estável de dez anos.

De acordo com relato feito por Figueiredo, o sargento preso foi agredido ao chegar em Brasília. “O Laci (De Araújo) foi agredido, ele foi jogado no chão e algemado quando chegamos a Brasília.”

O Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEx) negou ao G1 que o sargento tenha sido agredido e informaram que o sargento deveria fazer uma acusação formal à Justiça. 

 Suplicy

Figueiredo está no gabinete do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), onde também estão a senadora Fátima Cleide (PT-RO) e a deputada Cida Diogo (PT-RJ). Ele disse não entender o que teria levado à prisão de seu namorado.


Suplicy esteve com De Araújo na tarde desta quinta-feira no hospital militar em que o sargento está preso e internado. O senador pediu que ele escreva uma carta ao Exército dizendo que não deseja ser um desertor. O sargento quer que seu namorado possa ajuda-lo a escrever esta carta. O petista espera que a carta faça a Justiça Militar relaxar a prisão.

De Araújo queixou-se para Suplicy de que tem problemas psicológicos e por isso teve as faltas ao trabalho que foram interpretadas como deserção pelo Exército e motivaram a prisão. O senador disse não ter notado nenhum ferimento físico no sargento preso.

Suplicy pediu ainda que Figueiredo retorne ao trabalho para não ser considerado também um desertor. Segundo o senador, a volta ao trabalho do sargento pode acontecer ainda nesta quinta-feira (5).

 Outro lado

Segundo o CCOMSEx, o Sargento De Araujo foi transportado de São Paulo, local de sua prisão, para Brasília, onde era sediado, ão militar de origem, para que seja dada continuidade aos procedimentos judiciais normais. De Araujo foi indiciado pelo crime de deserção.

O CCOMSEx também informa que o militar permanecerá sob cuidados médicos, mas à disposição da Justiça Militar.

E informa que o Sargento Figueiredo deverá responder, administrativamente, pela ausência recente.

08/06/2008 GMT -3

Neurociência: Confirmado papel da serotonina no controlo da agressividade

rprota @ 21:06
06 de Junho de 2008, 15:48

Washington, 06 Jun (Lusa) - Um dos principais neurotransmissores do sistema nervoso central, a serotonina, desempenha um papel chave na regulação das emoções, nomeadamente o comportamento impulsivo nas interacções sociais, sugere um estudo britânico hoje publicado na revista Science.

A serotonina, que actua como mensageiro químico entre as células nervosas, já era há muito associada ao comportamento social, mas o seu envolvimento preciso na agressividade tem sido controverso.

Embora já tivesse sido avançada como hipótese a ligação entre a serotonina e a impulsividade, este estudo de investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, é um dos primeiros a mostrar a existência de uma relação causal entre elas.

Como o aminoácido essencial para produção de serotonina pelo organismo, o triptofano, só se obtém através da alimentação, os seus níveis baixam quando se fica sem comer, o que explicaria que algumas pessoas se tornem agressivas quando estão de barriga vazia.

A investigação contribui também para esclarecer perturbações clínicas caracterizadas por níveis baixos de serotonina, como a depressão e a doença obsessiva compulsiva, e pode ajudar a explicar algumas das dificuldades sociais associadas a estas perturbações.

O estudo, financiado pelo Wellcome Trust e o Medical Research Council do Reino Unido, sugere que os pacientes com depressão e ansiedade podem beneficiar de terapias que lhes indiquem estratégias para regular emoções quando têm de tomar decisões, sobretudo em contextos sociais.

Neste estudo, os investigadores fizeram baixar os níveis de serotonina no cérebro de voluntários saudáveis durante um período curto através de manipulações da dieta.

Propuseram-lhes então o "Jogo do Ultimato" para investigar como é que indivíduos com baixos níveis de serotonina reagem a comportamentos que consideram injustos.

Neste jogo, um dos participantes propõe uma forma de dividir uma soma de dinheiro com outro: se o parceiro aceita, ambos são pagos conforme o combinado, caso contrário, não recebem nada.

As pessoas tendem geralmente a rejeitar cerca de metade de todas as ofertas de menos de 20-30 por cento do total em jogo, apesar de isso implicar não receberem nada. Porém, com a serotonina reduzida, os índices de rejeição aumentaram para mais de 80 por cento. Outras medições mostraram que os voluntários com redução de serotonina não estavam apenas deprimidos ou hipersensíveis aos prémios perdidos.

"Os nossos resultados sugerem que a serotonina desempenha um papel crítico na tomada de decisões em público ao manter sob controlo as respostas sociais agressivas", escreveu o primeiro autor do estudo, Molly Crockett, do Instituto de Neurociência Comportamental e Clínica da Universidade de Cambridge.

"Como as alterações na dieta e o stress fazem variar naturalmente os nossos níveis de serotonina, importa compreender como é que isso pode afectar as nossas decisões", concluiu.

Entre os alimentos ricos em triptofano, que aumenta os níveis de serotonina, contam-se as carnes de aves domésticas e o chocolate.

CM

Lusa/fim

07/06/2008 GMT -3

A engenharia da tortura

rprota @ 14:24

Fonte: O Diário.info

André Levy* - 09.09.07

A tortura na prisão de Abu Ghraib pelas mãos das forças ocupantes dos EUA, tornada pública em 2004 em dezenas de terríveis fotos, foi eventualmente condenada pela Administração Bush, mas reduzida a um acto isolado, umas poucas maças ruins. Doze soldados foram condenados por incumprimento e a comandante da prisão, Janis Karpinski, foi demovida de brigadeira-general a coronel. Houve, porém, quem tivesse desde logo reconhecido, na cabeça encapuçada em combinação com a extensão forçada dos braços, técnicas que há muito fazem parte do espólio de tortura da CIA, indicação que não se tratava da acção de alguns militares fora de controlo, mas de um instância de um programa mais vasto, bem conhecido das altas patentes.

Estas técnicas foram fruto de um programa da CIA, desenvolvido entre 1950 a 1962, ao som de mais de um mil milhão de dólares, com vista a descodificar a consciência humana para fins de persuasão de massas e coerção em interrogações individuais[1]1. Foram inicialmente ensaiados todo o tipo de métodos: electrochoques, LSD, mescalina, pentatol de sódio (soro da verdade) e outras drogas. Nada resultava para quebrar a vontade sob interrogação. Encomendaram então estudos às grandes universidades de Harvard, Princeton, Yale e McGill, dando início a uma estreita participação de académicos na aplicação da ciência para quebrar a espírito e destruir a mente humana.

O psicólogo Donald O. Hebb, da Universidade de McGill e mais tarde presidente da Associação dos Psicólogos da América[2] 2, descobriu que é possível induzir o estado de psicose e alucinações no prazo de 48 horas simplesmente através de privação sensorial. No Centro Médico da Universidade de Cornell, dois neurologistas estudaram os efeitos de dor auto-infligida e verificaram que numa pessoa obrigada a ficar de pé os fluidos começam a acumular-se nas pernas provocando inchaço e lesões, dá-se o colapso da função renal, e sofrem-se alucinações. Esta era a base da tortura do sono infligida pela PIDE/DGS. Leia-se a propósito os sintomas descritos por António Gervásio em resultado dos 18 dias de tortura do sono [3]3. A combinação destas duas técnicas – desorientação sensorial e dor auto-infligida – estabeleceu-se como a assinatura da tortura ao estilo da CIA, e foram codificadas em 1963 no Manual de Contra-Inteligência KUBARK[4]4.

No pós-onze de Setembro, a CIA contratou dois psicólogos, James Elmer Mitchell e Bruce Jessen, para alargar e modernizar o seu repertório de tortura. A prisão de Guantánamo foi o primeiro palco de ensaios, mas as novas técnicas foram rapidamente transpostas para Abu Ghraib, Bagram e restantes locais obscuros (black sites) de detenção estadunidenses espalhadas pelo mundo[5]5. Mitchell e Jessen aplicaram engenharia reversa a um programa de treino militar destinado a preparar soldados a resistirem a interrogatórios casos fossem presos em combate. Durante este programa, conhecido como SERE (Sobrevivência, Evasão, Resistência e Escape), os soldados são sujeitos a tortura acústica, privação sensorial, isolamento, dor auto-infligida, tortura de sono, simulacros de execução, tapume de água (waterboarding) – no qual o individuo é imobilizado e encapuçado e água é-lhe despejada na cabeça simulando afogamento – e outras técnicas semelhantes às aplicadas actualmente aos detidos nas prisões estadunidenses[6]6. A tortura psicológica que não deixa marca física mas é mais lesiva e duradoura tornou-se prática corrente.

Sob o comando do Major-General Geoffrey Miller, em 2002, as equipas de interrogação em Guantanamo passaram a integrar psiquiatras e psicólogos. Estas equipas de consulta nas ciências de comportamento, ou "Biscuit" (BSCTs: Behavioral Science Consultation Teams) elaboram programas personalizados de interrogatório, identificando pontos psicológicos de maior fraqueza, específicos para cada interrogado, como o medo do escuro, ou ligação à família. É então que se torna prática corrente os ataques à sensibilidade cultural – incluindo religiosa, como a dessacralização do Corão – e à sensibilidade sexual e de género – despir o preso e colocá-lo nu junto com outros presos, incluindo em posições simulando actos sexuais.

Em Março de 2002, foi apreendido no Paquistão um dos primeiros detidos de alta patente, Abu Zubaydah. Foi transportado para a Tailândia, onde foi inicialmente interrogado pelo FBI. Sendo uma organização policial, os agentes do FBI são treinados para extrair informação que possa ser usada em tribunal: a técnica de interrogação baseia-se na criação de laços de cumplicidade com o detido, sem uso de coerção. Após o interrogatório do FBI, Abu Zubaydah revelou o nome de um dos alegados organizadores dos ataques do onze de Setembro, Khalid Sheikh Mohammed (Mukhtar), e identificou José Padilla. Quando o então director da CIA, George Tenet, soube que não era a CIA que estava a conduzir o interrogatório, enviou de imediato uma sua equipa, que incluía Mitchell e o psicólogo-chefe do centro de contra-terrorismo, o Dr. R. Scott Shumate.

Seguindo as orientações de Mitchell, os interrogadores da CIA explicaram então a Zubaydah que iram tornar-se o seu novo Deus, que iria perder todos os seus privilégios se não coopera-se. Foi isolado e os interrogadores entravam na sua cela uma vez por dia limitando-se a afirmar "Sabes o que queremos", e voltando a sair. Zubaydah deixou de colaborar, como havia feito com o FBI, levando Mitchell a concluir que só falaria após ser quebrado psicologicamente. A equipa da CIA começou então a construir um caixão na sala de interrogatório, indicando que iriam enterrar Zubaydah vivo. Shumate opôs-se a tais técnicas e abandou a equipa, mas Mitchell e a restante equipa sentiam-se legitimados pelos pareceres legais dos advogados da Casa Branca. Em 2002, o Procurador-geral Assistente, Jay Bybee, havia redigido um memorando concluindo que "para ser qualificada como tortura, a dor física deve ser equivalente à dor acompanhando danos físicos severos, tais como perda de função de um orgão, ou mesmo morte", e que para dor mental constituir tortura "deve resultar em dano psicológico significativo de longa duração, e.g., durando meses ou mesmo anos": uma definição que efectivamente abre a porta ao uso generalizado de tortura psicológica.

Libertos da supervisão de Shumate, os interrogadores usaram as técnicas SERE de Mitchell, incluindo ruído branco, deixando Zubaydah nu, e reduzindo a temperatura ao ponto do seu corpo se tornar azul[7]7. O FBI excluiu-se de interrogações coercivas, uma decisão marcante que entregou à CIA o controlo completo das interrogações e ditou que estas visariam não um processo jurídico, mas um programa de detenção e captura à margem da lei.

A prática de tortura não só era conhecida e orquestrada pelas mais altas instâncias da CIA, forças militares e governo estadunidense, como esta foi criteriosamente desenvolvida e propagada com um nível de planeamento, sofisticação e articulação com peritos científicos que fazem lembrar o grotesco envolvimento de médicos nos campo de concentração e extermínio nazis. À sua prática acresce a duplicidade da Administração que publicamente condena o uso de tortura, mas prescientemente define limitações às interrogações com linguagem suficientemente ambígua para que esta continue a ser aplicada.

Os EUA ratificaram, em 1990, a Convenção Anti-Tortura das NU, mas o Congresso impôs reservas, efectivamente excluindo referências à tortura psicológica, embora seja reconhecido que esta forma de tortura deixa cicatrizes mais profundas e duradouras que a tortura física. Em Dezembro de 2005, na ressaca do escândalo em Abu Ghraib, o Senador John McCain – prisioneiro de guerra durante a Guerra no Vietnam – redigiu o Acto de Tratamento de Detidos, proibindo o tratamento desumano de detidos, mas a legislação foi posteriormente esvaída de efeito por emendas – incorporando as definições de Bybee, permitindo que informação obtida por tortura seja usada em tribunal – e suplantada pela interpretação oficial de George Bush, que estipula uma prerrogativa presidencial no uso de tortura para prevenir ataques terroristas – é a tese da contagem decrescente dramatizada em séries televisivas como o "24". Em Outubro de 2006, aprovou-se o Acto das Comissões Militares autorizando o executivo a instituir tribunais militares para julgar "combatentes inimigos" e a detê-los indefinidamente sem direito a habeas corpus. O acto inclui também um emenda ao Acto de Crimes de Guerra que efectivamente iliba políticos e militares (incluindo a CIA) de serem processados judicialmente por crimes de guerra, como uso de tortura. Em Julho deste ano, Bush emitiu uma ordem executiva que autoriza a CIA a retomar o uso de tortura psicológica e determinadas técnicas, como tapume de água, privação sensorial e de sono, uso de cães e isolamento.

A prática de tortura já seria suficientemente grave, mas a conduzida na "Guerra ao Terrorismo" tem sofisticação científica. Em 2005, começaram a vir à superfície indícios do envolvimento de profissionais da área da saúde nos interrogatórios. A Associação de Médicos da América, a Associação de Psiquiatras da América e outras organizações condenaram o uso de tortura e proibiram, em 2006, os seus membros de participar em interrogatórios. O Conselho Executivo da APA2, porém, considerou que a presença de psicólogos a título de supervisão do interrogatório e das condições de detenção permitira evitar abusos e assegurar a saúde mental dos detidos. Opositores da direcção colocavam que mesmo participação a esse nível implica o assentimento de eventuais abusos de direitos humanos e judiciais, pelo que a proibição deveria ser absoluta. Vários membros da APA – associação com cerca de 148 mil membros – suspenderam o seu pagamento de quotas em protesto[8]8. O presidente da APA, Ron Levant, criou um grupo de trabalho de Ética Psicológica e Segurança Nacional (PENS) [9]9, cuja composição foi mantida secreta, para avaliar o carácter ético da participação de psicólogos. O grupo concluiu que a participação de psicólogos "num papel consultivo na interrogação e recolha de informação para fins relacionados com segurança nacional é consistente com o Código de Ética da APA", reiterando a posição que a sua presença garante que "esse processos sejam seguros e éticos para todos os participantes". Mais tarde, um dos membros do grupo de trabalho revelou que 6 dos seus 9 membros tinham ligação com agências militares ou de inteligência. Alguns tinham mesmo participado na uso e desenvolvimento das técnicas SERE: o Coronel Larry James fora o Psicólogo Chefe em Guantánamo em 2003 e acompanhou o General Miller quando este foi transferido para Abu Ghraib com o fim de aí instituir as técnicas de tortura; o Coronel Banks havia ensinado tácticas de interrogação abusiva em Guantánamo; o Capitão Bryce Lefever, psicólogo do programa SERE, fora destacado para o Afeganistão em 2002 aí ensinado interrogadores.

Um relatório do Gabinete do Inspector Geral do Departamento de Defesa (OIG) [10]10 foi desclassificado, em Maio de 2006, que descreve em detalhe a participação de psicólogos na transferência de técnicas do SERE para interrogação de detidos na "Guerra ao Terrorismo". O relatório refere o treino de interrogadores, o envolvimento nos BSCTs, e o papel central de psicólogos nos interrogatórios, não deixando dúvida sobre a responsabilidade destes especialistas no desenvolvimento de técnicas de tortura e das condições de detenção. Alguns transcritos de interrogações, como a de Kahtani, o vigésimo sequestrador do onze de Setembro, documentam como os psicólogos orientavam os interrogadores sobre como intensificarem a pressão, como explorarem fraquezas[11]11.

Em Agosto de 2007, teve lugar o congresso da APA[2]2, que incluiu no seu programa um conjunto de discussões sobre a participação de psicólogos em interrogatórios. Porém, a maior parte dos painéis, destinados a informar e esclarecer os membros do Conselho Executivo da APA, tiveram lugar depois deste se ter reunido para votar as propostas de alteração ao código de ética. O conselho executivo rejeitou uma proposta de condenação frontal do uso de tortura e que proibiria os seus membros de participar na interrogação de detidos[12]12, tendo aprovado antes uma resolução mais limitada que proíbe o envolvimento em interrogatórios que envolvam métodos específicos[13]13. A linguagem desta resolução, porém, contem escapatórias em todo semelhantes à legislação referida acima, que manterá as portas abertas à participação de psicólogos. O mais grave é ter-se ficado aquém de uma condenação taxativa do uso de tortura e do envolvimento de psicólogos. Está em causa, primeiramente, a moralidade da sua participação. Mas mesmo do ponto de vista da sua eficácia, devemos questionar o valor de informação e confissões obtidas sob tortura, particularmente após tortura psicológica.
Jose Padilla, inicialmente acusado de planear a detonação de uma bomba nuclear "suja" dentro dos EUA, foi condenado a 16 de Agosto de 2007, por conspiração para cometer assassinato na Bósnia, Kosovo e Tchetchénia. Padilla foi apreendido em 2002, declarado combatente inimigo, detido num navio-prisão e mantido em isolamento extremo durante 43 meses. Apesar da sua cidadania estadunidense, durante 2 anos foi-lhe negado acesso a um advogado e não foi formalmente acusado. A psiquiatra forense Angela Hegarty, que teve oportunidade de entrevistar Padilla e avaliar a sua saúde mental, concluiu que o que se passou no navio-prisão foi a destruição da uma mente humana[14]14. Mantido em isolamento, sem relógio ou calendário, sem luz natural e luz artificial permanente, sujeito a ruído branco, frequentemente sem colchão para dormir ou algemado na sua cela, a saúde mental de Padilla foi severamente afectada, tendo evidências de sofrer alucinações e ataques de pânico. Hegarty encontrou mesmo indícios de Síndroma de Estocolmo, a identificação do preso com os seus detentores: Padilla pediu-lhe que contactasse o Presidente Bush para o ajudar e mostrou-se irritado, quando os seus advogados o defenderam, declarando que estes haviam sido "injusto para o comandante-em-chefe". É natural perguntar qual o valor de informação extraída de um detido de tal forma destroçado psicologicamente.

Notas:
1 -«A Question of Torture: CIA Interrogation, from the Cold War to the War on Terror», de Alfred McCoy, 2006, Metropolitan Books
2 -American Psychological Association (APA)
3 -Ver excerto da sua intervenção no tribunal plenário criminal da Boa Hora, em 1972, publicado no «A Defesa Acusa», edições Avante!
4-http://www.gwu.edu/%7Ensarchiv/NSAEBB/NSAEBB122/#kubark
5-São conhecidos centros permanente ou temporários na Albânia, Alemanha, Arábia Saudita, Azerbaidjão, Chipre, Bulgária, Diego Garcia (ilha no mar Índico), Dinamarca, Egipto, El Salvador, Escócia, Filipinas, Guiné Equatorial, Hungria, Indonésia, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbia, Marrocos, Nigéria, Paquistão, Polónia, Roménia, Tailândia, União dos Emiratos Árabes, Uzbequistão, e ilhas no Pacífico.
6 -«The Experiment» de Jane Mayer , 11 de Julho 2005 New Yorker
7-«Rorschach and Awe» de Katherine Eban, 17 de Julho 2007, Vanity Fair (online)
8-http://www.withholdapadues.com/9-Psychological Ethics and National Security (PENS) task force
10-Office of the Inspector General
11-Entrevista a Mark Benjamin, em DemocracyNow.org, 25 de Junho de 2007
12-Vejam o site da organização Psicólogos por uma APA Ética; http://www.ethicalapa.com/
13-Tapume de água, humiliação sexual, violação sexual, humiliação cultural ou religiosa, exploração de fobias ou psicopatologias, indução de hipotermia, uso de drogas psicotrópicas, encapuçamento, nudez, posições de stress, uso de cães para intimidação, assaltos físicos, exposição a frio e calor extremo, ameaça de morte, isolamento e/ou privação de sono usado de modo a representar dor ou sofrimento significativo ou de forma que uma pessoa razoável julgue causar dano duradouro, ou ameaça de uso de quaisquer destas técnicas sobre o detido ou membro da sua família. Texto completo da resolução em http://www.apa.org/releases/councilres0807.html
14-Entrevista em DemocracyNow.org, 16 de Agosto de 2007

* Biólogo

Guantánamo, a ilegalidade total

rprota @ 14:07

Fonte: Le monde diplomatique

Depois de dois anos de detenção, violando as leis internacionais, membros do judiciário, das organizações humanitárias e dos meios de comunicação denunciam a recusa do governo Bush em permitir um processo judicial legal para os 660 presos de Guantánamo

Augusta Conchiglia

Isolados dos blocos de segurança máxima, os jornalistas visitantes só têm acesso aos prisioneiros do Campo 4 É proibido falar com eles ou responder a suas perguntas

Presos no Afeganistão ou no Paquistão, ou ainda entregues por outros países aos Estados Unidos, cerca de 660 “combatentes inimigos” encontram-se detidos há quase dois anos na base norte-americana de Guantánamo, em Cuba, em completa violação de todas as leis internacionais. Presume-se que os decretos baixados pelo presidente dos Estados Unidos em nome do “estado de guerra contra o terrorismo” sejam a única justificativa para tal detenção. Até o dia de hoje, não foi oficialmente formulada qualquer acusação contra os presos e as comissões militares ad hoc, previstas para 2001, ainda não foram constituídas.

Apesar de termos passado vários dias na base de Guantánamo, não nos foi permitido contato algum com os prisioneiros. Os homens do general Geoffrey Miller, comandante do campo e chefe da Força Tarefa Conjunta (Joint Task Force - JTF), que recebe ordens diretamente do Pentágono, o impedem. Isolados dos blocos de segurança máxima, os jornalistas que visitam as instalações só têm acesso aos prisioneiros do Campo 4, onde se encontram aqueles que se mostram “cooperativos”. É proibido falar com eles ou responder a suas perguntas.

População triplicada

Num momento em que passava por um certo declínio, a base de Guantánamo não parou de crescer a partir do final de 2001 e da guerra do Afeganistão. Sua população, militar e civil, triplicou, passando atualmente de 6 mil pessoas. As unidades de JTF e a prisão estão instaladas numa área abandonada. Os mapas da base não trazem qualquer referência à existência de um centro de detenção nem dos inúmeros prédios de serviços que existem em torno dele.

Ao se aproximar da zona de segurança máxima, o automóvel do visitante é obrigado a avançar em ziguezague devido à existência de umas barreiras de cor alaranjada, o que facilita a tarefa das sentinelas de verificar cada veículo. Desde que foram presos o capelão muçulmano do campo e dois tradutores – equivocadamente acusados de espionagem1 –, redobram-se as medidas de segurança.

Tentativas de suicídio

Os prisioneiros, cujas celas ficam com as lâmpadas acesas durante a noite, são submetidos a uma vigilância permanente por parte dos guardas que fazem rondas

Dividido em quatro quarteirões, o campo Delta tem condições de acomodar mil pessoas; por ocasião de nossa passagem, encontravam-se ali 660 presos de 42 nacionalidades diferentes. O campo é cercado por um entrelaçado de várias fortificações metálicas, cobertas de nylon verde e coroadas por arame farpado e fios de alta tensão. Os prisioneiros, cujas celas ficam com as lâmpadas acesas durante a noite, são submetidos a uma vigilância permanente por parte dos guardas que fazem rondas e ficam a postos, em guaritas.

As condições do campo são de tal ordem, que se registraram 32 tentativas de suicídio (realizadas por 21 presos). Segundo o capitão John Edmondson, cirurgião que dirige o hospital do campo, 110 presos – um em cada seis – recebe assistência devido a perturbações psicológicas que, em geral, ocorrem após períodos de depressão. Vinte e cinco deles recebem tratamento psiquiátrico. Um outro preso, que há um ano vem fazendo uma greve de fome intermitente, também estava internado por ocasião de nossa visita e era alimentado por soro na veia.

Condições deploráveis

Pelo menos três, dos quatro campos de detenção, funcionam em condições deploráveis. Blocos de 48 celas – dois andares com vinte e quatro cada –, cada uma delas de apenas dois metros por dois metros e meio.As paredes e as portas, feitas de um entrelaçado metálico, impedem qualquer privacidade. A única quebra da rotina consiste numa caminhada solitária de vinte minutos, três vezes por semana, numa enorme jaula colocada sobre o concreto e de um banho de chuveiro de cinco minutos – cada vez que o preso é levado para a caminhada ou para o banho, há os arreios obrigatórios: algemas e grilhões, nos pés, presos por correntes.

No campo 4, o grupo de homens que pudemos ver parecia homogêneo em idade, abaixo dos trinta anos; homens barbudos e com turbante na cabeça. Os 129 presos do campo vivem em pequenos grupos e suas celas, menos estreitas, chegam a ter até dez leitos. Comem juntos e podem sair várias vezes por dia para os espaços que ficam ao lado de suas prisões, onde são afixados cartazes sobre o trabalho de reconstrução do Afeganistão.

Ao contrário dos prisioneiros dos outros três campos, que vestem uniformes cor-de-laranja, os do campo 4 se vestem de branco, “a cor da pureza no islamismo”, explica orgulhosamente um dos carcereiros. Salienta ainda que aqueles prisioneiros têm direito a tapetes de verdade para suas orações, além de exemplares do Corão, que foram distribuídos a todos os presos após uma greve de fome que fizeram nas primeiras semanas após sua chegada2.

Imagem insuportável

Ao permitir a visita de jornalistas, aparentemente o Pentágono deseja corrigir a imagem bastante negativa dos primeiros meses. Mostram-nos, por exemplo, o “Campo Iguana”, um bangalô à beira de uma falésia que dá para o mar, cercado da grade metálica de segurança. Ali, estão encarcerados há mais de um ano três jovens “combatentes inimigos”, menores de idade – de 13 a 15 anos! Comunicam-nos que estão fazendo um curso de inglês e que têm direito a jogar futebol e ver alguns vídeos. Entretanto, não é permitido aos jornalistas vê-los ou saber sua nacionalidade.

Finalmente, também faz parte do programa uma passagem pelo “Campo X Ray”. Foi por ali que passaram, inicialmente, os primeiros prisioneiros e o mundo inteiro assistiu às imagens insuportáveis de deportados de joelhos, com suas fantasias cor-de-laranja, sob a ameaça das armas de seus carcereiros, acorrentados e mantidos em isolamento absoluto, encapuzados e usando fones de ouvido.

“Combatentes inimigos”

As condições do campo são de tal ordem, que se registraram 32 tentativas de suicídio (realizadas por 21 presos)

Concebido, originalmente, para manter presos os boat people haitianos mais violentos, e até aqueles contaminados de Aids, o “Campo X Ray” encontra-se tomado por um capim espesso e foi definitivamente abandonado. O próximo deve ser o Campo Delta. Isto porque está sendo construído um Campo 5, cuja primeira etapa deverá estar terminada em julho de 2004. Este presídio, construído em caráter definitivo por uma centena de prisioneiros, será reservado aos presos que tenham sido condenados pelas “Comissões Militares” e contará com uma dependência para a execução de penas de morte...

Foi no dia 13 de novembro de 2001 – data em que a Aliança do Norte tomou Cabul – que foi publicada a ordem presidencial que determinou a criação do centro de detenção de Guantánamo. Foi necessário encontrar um artifício que permitisse alojar, no local, os presos que o presidente norte-americano iria qualificar de “combatentes inimigos”, inaugurando um novo “conceito”, alheio ao direito norte-americano e ao internacional3.

Uma inspiração de Wolfowitz

“O governo Bush recusa-se a considerar os ‘combatentes inimigos’ prisioneiros de guerra, negando-lhes o direito de serem conduzidos perante um tribunal competente para determinar sua situação, o que, no entanto, é previsto pela III Convenção de Genebra, ratificada pelos Estados Unidos”, afirma Wendy Patten, responsável pelo setor jurídico da organização Human Rights Watch4. “As Comissões Militares, que não prevêem o direito de recurso junto a um tribunal independente, não lhes garantirão um processo justo”. De seu lado, o governo sustenta que a opção pelas Comissões Militares tem por objetivo impedir que informações confidenciais sejam divulgadas.

O que é rebatido por Eugene Fidell, ex-advogado militar e presidente do Instituto Nacional de Justiça Militar: “Existiam, pelo menos, duas outras opções: os Tribunais Penais que, no passado, julgaram casos de terrorismo, como o do atentado contra o World Trade Center em 1993, e as Cortes Marciais, como a que julgou Manuel Noriega, ex-presidente do Panamá5.”

Um homem foi a principal fonte de inspiração para a criação dessas Comissões: o subsecretário da Defesa, Paul Wolfowitz. Caberá a ele escolher quem serão os juízes e o procurador, assim como determinar os advogados de acusação. Também será ele quem nomeará as três pessoas que integrarão o grupo de jurados junto ao qual os réus poderão recorrer. E, finalmente, também será ele que examinará suas recomendações, selecionando-as.

Buraco negro jurídico

Ao qualificar os presos de “combatentes inimigos”, o presidente norte-americano inaugurou um novo “conceito”, alheio ao direito norte-americano e ao internacional

“Os militares desempenharão o papel de interrogadores, de procuradores, de advogados de defesa, de juízes e, caso sejam pronunciadas sentenças de morte, de carrascos. Eles apenas se justificarão ao presidente Bush”, declarou lorde Johan Steyn, magistrado britânico, autor de um enérgico ato rogatório a que chamou “o buraco negro jurídico de Guantánamo6 ”.

Vinte meses após a criação da colônia penal de Guantánamo, e num momento em que o governo norte-americano se mostra intratável diante dos apelos de advogados e de governos ocidentais – entre os quais, a França – que têm cidadãos naturais de seus países entre os prisioneiros, a questão ganhou novos contornos.

Primeiramente, devido à decisão inesperada da Corte Suprema, de examinar os recursos impetrados pelas famílias de 16 presos (doze do Kuait, dois ingleses e dois australianos). Na realidade, no dia 10 de novembro de 2003, a mais alta instância jurídica dos Estados Unidos aceitou a tarefa de determinar se a justiça norte-americana era competente “para arbitrar a legalidade da detenção de estrangeiros, capturados no exterior durante as hostilidades, que estão presos na base naval de Guantánamo”. David Cole, professor de Direito em Georgetown (Washington) e autor de vários livros sobre os desvios jurídicos autoritários do pós-11 de setembro7b, manifestara seu ceticismo em relação a essa posição alguns dias antes: “A Corte Suprema acata apenas 2% dos recursos apresentados e, normalmente, limita-se a examinar casos ou pareceres emitidos por instâncias inferiores da justiça que se pronunciem de forma divergente sobre a questão”. Ora, neste caso, ambas as instâncias inferiores da justiça haviam confirmado a posição do governo. “A base de Guantánamo encontra-se em território de soberania cubana”, acrescenta Cole, “e não caberia à justiça norte-americana interferir na questão.”

Rompendo o silêncio

Os militares desempenharão o papel de interrogadores, de procuradores, de advogados de defesa, de juízes e, caso sejam pronunciadas sentenças de morte, de carrascos

No dia 9 de novembro, por ocasião de uma conferência no Centro dos Direitos Constitucionais de Washington, rompendo o silêncio em que se haviam mantido os principias dirigentes do Partido Democrata, Albert Gore deu a seguinte declaração: “A questão dos prisioneiros de Guantánamo prejudicou sensivelmente a imagem dos Estados Unidos no mundo inteiro, mesmo junto a seus aliados [...]. Os estrangeiros presos em Guantánamo devem ser ouvidos pela justiça para que seja estabelecida sua situação legal, conforme prevê a Convenção de Genebra [...]. A forma pela qual o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, administrou a questão destes prisioneiros foi quase tão elaborada quanto seu plano para o pós-guerra no Iraque...”

É verdade que, antes de seu discurso, alguns senadores democratas, como Patrick Leahy8 , questionaram insistentemente o executivo sobre as acusações de tortura dos prisioneiros – inclusive, a extradição de presos de Guantánamo para países do Oriente Médio, onde a prática de tortura é comum –, sobre a morte em condições suspeitas de dois afegãos detidos na base de Bagram, no Afeganistão, e sobre o emprego de técnicas violentas de interrogatório – stress and duress, em linguagem militar (pressão e coação) 9 . Leahy declarou, sem rodeios, que “os presos de Guantánamo devem ser considerados prisioneiros de guerra” e “tratados de maneira humanitária, conforme as recomendações da Convenção de Direitos Humanos”. Sua determinação, entretanto, custou-lhe o isolamento por um longo período junto à classe política norte-americana.

Revivendo o macartismo

O ex-Subsecretário de Estado, William Rogers, condena os métodos do atual governo: “Trata-se de um dos períodos mais negros de nossa história, depois do macartismo

De seu lado, os advogados das famílias dos presos não pouparam esforços. Tom Wilner, membro de um famoso escritório de advocacia de Washington, Shearman & Sterling, e defensor das famílias dos kuaitianos, manteve permanentemente informados os meios de comunicação e mobilizou inúmeras personalidades políticas.

William Rogers, um dos dois ex-subsecretários de Estado10 que entrou com um recurso “amigável” junto à Corte Suprema, lamentou, quando o entrevistamos no início de novembro, “a falta de consciência da sociedade norte-americana diante da gravidade destes fatos. O direito constitucional não pode ser ridicularizado sob o pretexto de que estamos em guerra contra o terrorismo. Pelo contrário, deveríamos defender estes princípios, encarnar o direito internacional diante destes desvios”.

Subsecretário de Estado do presidente Gerald Ford, William Rogers não mede as palavras duras para condenar os métodos do atual governo: “Trata-se de um dos períodos mais negros de nossa história, depois do macartismo. Atualmente, utilizam-se os mesmos métodos arbitrários e repressivos”. Co-signatário do recurso, o contra-almirante Donald Guter passou para a reforma no ano passado, entregando o cargo de chefe da justiça militar da Marinha. Nesse posto, participou das decisões de utilizar a base de Guantánamo para interrogar os presos. “Trazer os presos para Guantánamo podia ter sentido em termos das exigências de segurança; mas, agora, corremos o risco de ver alguns deles serem condenados à prisão perpétua sem terem recebido um julgamento justo”, declarou Guter no dia 9 de outubro de 200311. Juízes e procuradores aposentados também fizeram pressão junto à Corte Suprema, lembrando-a de que os termos da Convenção de Genebra foram incorporados ao regimento interno do exército norte-americano e que é ilegal ignorá-lo.

Denúncia da Cruz Vermelha.

Os termos da Convenção de Genebra foram incorporados ao regimento interno do exército norte-americano e é ilegal ignorá-lo

Finalmente, deve ser destacada a iniciativa de um norte-americano descendente de japoneses, Fred Korematsu, que, em 1942, durante a II Guerra Mundial, contestou a constitucionalidade de um decreto que autorizava a detenção de 120 mil cidadãos de origem japonesa. Korematsu entrou com um recurso porque – como declarou publicamente – estava decidido a agir de forma a que os norte-americanos não esquecessem um período obscuro de sua própria história.

No arrazoado que enviou à Corte Suprema, apresentado pelo procurador-geral Theodore Olson, o governo pleiteara, de maneira um tanto desajeitada, que o exame dos recursos fosse simplesmente recusado, pois “em tempos de guerra, a justiça normalmente não interfere nas decisões do executivo...” Sem se manifestar em relação à “sentença” final, que será divulgada em junho de 2004, a Corte Suprema quis deixar claro que somente ela pode se pronunciar sobre “a lei” – e não o governo.

A partir de novembro, a questão de Guantánamo começou a sair do silêncio. Mesmo nos Estados Unidos, a opinião pública já fora surpreendida pela “gritaria” da Comissão Internacional da Cruz Vermelha quando esta saiu de sua habitual reserva para denunciar o desespero que a total ausência de perspectivas leva aos presos.

Onda de críticas

O governo não pôde ficar indiferente à onda de críticas. No final de novembro, o Pentágono anunciou que de 100 a 140 presos seriam libertados em breve – o que se continua aguardando – e, às pressas, nomeou um defensor público para garantir a defesa do preso australiano David Hicks. Submetido a maus tratos, este iniciara uma greve de fome, chamando a atenção para seu caso. Contrariamente às disposições determinadas pelas Comissões Militares, o Pentágono o autorizou a ser representado por um advogado civil de sua escolha e garantiu o sigilo de suas futuras conversas. Isto resultou de um acordo negociado entre os Estados Unidos e a Austrália, semelhante ao que, alguns meses antes, fora decidido em relação à Grã-Bretanha – e que excluiu os presos de nacionalidade britânica da possibilidade de pena de morte. Os advogados de quatro dos seis presos franceses – entre os quais o famoso Paul-Albert Iweins – esperavam que a França conseguisse, no mínimo, garantias semelhantes. O que não ocorreu, apesar das iniciativas do Ministério das Relações Exteriores.

Depois de Hicks, foi a vez de Yaser Hamdi, de nacionalidade norte-americana, ser autorizado a contratar um advogado. Preso no Afeganistão, Hamdi foi inicialmente levado para Guantánamo, até os militares ficarem sabendo que era um cidadão norte-americano. Em abril de 2002, foi transferido para a prisão da base naval de Norfolk, no Estado de Virgínia, onde ficou, incomunicável, até hoje. Posteriormente, o governo – que num primeiro momento decretara que as Comissões Militares se destinavam exclusivamente aos estrangeiros – “ampliou o conceito de justiça militar, abrangendo cidadãos norte-americanos que, unilateralmente, designou ‘combatentes inimigos’12 ”, atribuindo-se o direito de os manter detidos em prisões militares por tempo indefinido e privados de qualquer contato com o exterior.

Direito imprescritível

Ao decidir examinar recursos das famílias de 16 presos, a Corte Suprema deixou claro que somente ela pode se pronunciar sobre “a lei” – e não o governo

Walker Lindh, no entanto (o “Taliban norte-americano”), que foi capturado no Afeganistão ao mesmo tempo que Hamdi, foi julgado por um tribunal penal de Alexandria (Estado de Virgínia) e gozou de todas as prerrogativas que a Constituição concede à defesa13 .

Hamdi acabou conseguindo obter o direito à assistência jurídica um dia antes de terminar o prazo para o encaminhamento à Corte Suprema dos últimos recursos envolvendo justamente esses direitos... É verdade que sua detenção, incomunicável, assim como a de outro cidadão norte-americano, José Padilla14 , causam mal-estar na própria assessoria do secretário da Justiça, John Ashcroft. Um de seus ex-assistentes, o professor Viet Dinh, que desempenhou um papel importante na redação da legislação antiterrorista, manifestou sua discordância em relação ao tratamento dispensado a cidadãos norte-americanos e expressou sua satisfação com a mudança. Em compensação, Dennis Archer, presidente da Associação Norte-Americana de Advogados – que conta com 400 mil membros – lamentou que o Pentágono não tenha optado por fazer da decisão um princípio geral.

“No caso, o governo exerceu um poder discricionário”, explica Wendy Patten, da Human Rights Watch. “Na realidade, o Pentágono continua afirmando que os ‘combatentes inimigos’ detidos nos Estados Unidos não têm qualquer direito legal de contratar um advogado. Neste caso específico, a concessão só foi possível porque o interrogatório do prisioneiro já havia terminado. Resumindo, continuam se recusando a reconhecer que o direito à defesa é imprescritível e não pode depender da boa vontade do governo.”

Vazio jurídico inaceitável

O governo não pôde ficar indiferente à onda de críticas. No final de novembro, o Pentágono anunciou que de 100 a 140 presos seriam libertados em breve

Embora pareça estar em vias de perder a batalha com a imprensa norte-americana, a Casa Branca conta, no entanto, com alguns apoios incondicionais, tais como o Wall Street Journal. Reagindo às críticas da comissão da Cruz Vermelha, o jornal criticou aquela instituição por “ter abandonado a regra de confidencialidade e ter entrado, deliberadamente, no terreno político15 ”. Segundo o jornal, os ‘combatentes inimigos’ “devem ser mantidos presos até o final da guerra contra o terrorismo”. E acrescenta que esta “não é uma luta sem fim, comparável à guerra contra o crime ou contra a pobreza. Trata-se de um conflito entre os Estados Unidos e a Al-Qaida, os grupos a que esta organização está vinculada e os países que decidiram lhe dar apoio. Este conflito irá terminar quando a Al-Qaida tiver sido aniquilada e não tenha mais condições de lançar ataques contra alvos norte-americanos”.

A opinião de Béatrice Mégevand-Roggo, chefe da delegação da Comissão Internacional da Cruz Vermelha para a Europa e as Américas, é inteiramente diferente. Para ela, a “guerra” entre os Estados Unidos e a Al-Qaida resume-se ao conflito no Afeganistão que, por sua vez, decorre de um conflito armado internacional concreto: “Esse conflito, regido pela 3ª Convenção de Genebra, terminou no dia 19 de junho de 2002, com a assembléia da Loya Jirga que legitimou o governo do presidente Karzai. No entanto, o direito internacional humanitário16 prevê a possibilidade de continuarem sendo detidos prisioneiros, desde que sejam acusados de ações precisas e submetidos a um processo judicial cujas garantias mínimas são previstas pela 3ª Convenção. Em relação a todos aqueles que foram presos após o dia 19 de junho de 2002, no âmbito do conflito interno que continua assolando violentamente o Afeganistão, existem também disposições do direito internacional humanitário e garantias fundamentais que se ajustam perfeitamente ao caso dos presos de Guantánamo. Concluindo: se não existe uma cláusula que obrigue a soltar todos os presos detidos em Guantánamo, existe, em compensação, a obrigação clara de submetê-los a um processo judicial legal que obedeça às regras do direito internacional ou interno. Atualmente, essas pessoas são mantidas num vazio jurídico total há vários meses, e até anos: é justamente isso que consideramos inaceitável. Dizê-lo nada tem de político, pois está plenamente de acordo com nosso papel humanitário.”

A um ano das eleições e num momento em que surge, ainda que tímida, a oposição dos cidadãos norte-americanos às leis de exceção, não deveria o governo Bush – sob o fogo cruzado de uma parcela crescente do establishment judiciário, das organizações humanitárias e dos meios de comunicação que denunciam a recusa em permitir a ação da justiça para com os presos de Guantánamo – retirar estes últimos do “buraco negro” em que seu governo os jogou e acatar as regras do direito internacional?

(Trad.: Jô Amado)

1 - Posteriormente, outro inquérito foi aberto e foram retiradas as acusações de espionagem. O capelão foi liberado e aguarda o processo em liberdade.
2 - Alguns dos presos declararam não ter religião e um se disse católico.
3 - Ler, de Olivier Audeoude, “Prisonniers sans droits”, Le Monde diplomatique, abril de 2002.Ver também o estudo da Associação Norte-Americana de Advogados sobre o tratamento dos “combatentes inimigos”: www.abanet.com
4 - O site desta organização humanitária norte-americana tem uma análise das leis pós-11 de setembro e dos direitos dos presos de Guantánamo: www.hrw.org
5 - Ler, de James Meek, “People the law forgot”, The Guardian, Londres, 3 de dezembro de 2003.
6 - Lorde Steyn já desempenhara um papel fundamental na quebra de imunidade do general Pinochet. Ler, de Johan Steyn, “Guantanamo: a monstruous failure of justice”, International Herald Tribune, Paris, 26 de novembro de 2003.
7 - Ler, de David Cole, Enemy Aliens, ed. The New Press, Nova York, 2003, e, com James Dempsey, Terrorism and Constitution, ed. The New Press, 2002.
8 - Patrick Leahy (do Estado de Vermont) é presidente da Comissão do Orçamento do Senado e foi um dos 12 senadores que votaram contra a lei, aprovada em outubro de 2003, que concedeu 87 bilhões de dólares para a reconstrução do Iraque.
9 - Ler o relatório da Human Rights Watch e o artigo “US decries abuse but defends interrogations”, The Washington Post, 26 de dezembro de 2002.
10 - O outro foi Alexander Watson. Além dos recursos impetrados pelos advogados das famílias dos presos, deram entrada na justiça seis outros.
11 - Kingt Ridder Newspapers, 9 de outubro de 2003.
12 - Ler, de David Cole, Enemy Aliens, op.cit.
13 - Inicialmente acusado de ter conspirado e ajudado a Al-Qaida, Lindh foi julgado por ter “violado o boicote contra o regime dos taliban” e portar uma arma. Foi condenado a vinte anos de prisão.
14 - Preso no aeroporto de Chicago em maio de 2002, José Padilla é acusado de ter coletado informações, por conta da Al-Qaida, para construir uma bomba radioativa. Embora um tribunal tenha intimado o Departamento de Justiça no sentido de suspender a proibição de contratar um advogado, a ordem ainda não foi cumprida, apesar dos recursos interpostos pela Comissão de Advogados pelos Direitos Humanos.
15 - “Guantanamo on trial”, The Wall Street Journal, Nova York, 19 de novembro de 2003.
16 - Procedente da Convenção de Genebra de 2 de agosto de 1949, ratificada por 191 países.

Escravidão Contemporânea no Brasil

rprota @ 12:05

Fonte:  Observatório Social

Escravos do aço

Reprodução de Rugendas

Quando se fala de trabalho escravo, a imagem recorrente é de uma lembrança do passado, restrita aos livros de História. Infelizmente isso não é verdade. A escravidão permanece até os dias de hoje, não apenas nos países pobres como nos desenvolvidos. Produto da desigualdade e da impunidade, ela é uma grave doença social. Em sua forma contemporânea apresenta-se nas mais diversas formas: da prostituição infantil ao tráfico de órgãos, do tráfico internacional de mulheres à exploração de imigrantes ilegais e à servidão por dívida.

As legislações modernas proíbem a escravidão, mas isso não tem impedido que gente inescrupulosa se beneficie do trabalho de cativos. Nenhuma região do planeta está livre desse flagelo. Nesta reportagem o Observatório Social aborda o tema no contexto brasileiro, com foco no trabalho escravo em carvoarias na Amazônia. O Brasil é reconhecido pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) como exemplo para o mundo, por admitir o problema e atacá-lo de frente. Mas se não receber apoio da sociedade, o governo terá poder limitado de ação.

Situação no Brasil

Libertados - Fontes: MTb / CPT

O número de trabalhadores escravizados no Brasil varia de 25 mil, segundo cálculo da Comissão Pastoral da Terra (CPT) a 40 mil, pela estimativa da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Pecuária e desmatamento respondem por três quartos da incidência de trabalho escravo. Atividades agrícolas, de extração de madeira e produção de carvão também registram muitos casos. Só a partir de 1993 o problema entrou de fato na agenda nacional, a partir de denúncias da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), sindicatos, OIT, Nações Unidas e outras instituições.

Em 1995, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, foi criado o Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho. A medida foi um avanço, pois livrou os fiscais locais de pressões e possibilitou melhor planejamento das ações em parceria com outros órgãos. "A presença de agentes da Inspeção do Trabalho e policiais federais tem grande repercussão junto à comunidade local", afirma a secretária de Inspeção do Trabalho Ruth Beatriz Vasconcelos Vilela.

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Resultados

Fonte: Secretaria de Inspeção do Trabalho

As estatísticas da Secretaria de Inspeção do Trabalho dão dimensão dos bons resultados obtidos. Entre 1995 e 2003 foram fiscalizadas 1.011 fazendas e libertados 10.726 trabalhadores. Se incluído o primeiro semestre de 2004, o número de trabalhadores libertados é de cerca de 16 mil. Quase toda a semana há notícias de mais operações bem sucedidas. O estado com maior número de libertados é o Pará, seguido do Mato Grosso, Bahia e Maranhão.

Veja o mapa com
a origem dos trabalhadores,
os locais de aliciamento e
os locais de aprisionamento.

Em março de 2003 o governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva lançou o Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo e constituiu uma comissão nacional para colocá-lo em execução. O plano reúne 76 medidas de combate à prática. Entre elas, projetos de lei para confiscar terras em que for encontrado trabalho escravo, suspender o crédito de fazendeiros escravocratas e transferir para a esfera federal os crimes contra os direitos humanos.

Na avaliação do jornalista Leonardo Sakamoto - coordenador da ONG Repórter Brasil, que representa a sociedade civil na Conatrae (Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo), a implantação do plano tem sido lenta: "Muitas vezes esbarra na falta de verbas, pressão da bancada ruralista e na incapacidade do governo federal de integrar setores sob sua administração".

Para Sakamoto, o governo Lula tem obtido bons resultados quanto ao combate. Um exemplo é o número de libertados em 2003: cerca de 5 mil trabalhadores, quase a metade da soma dos oito anos em que o Grupo Móvel atua. Contudo, ele acha que na prevenção as medidas ainda são incipientes: "A erradicação do trabalho escravo passa pela reforma agrária, pela geração de emprego e pela melhoria das condições sociais", sintetiza.

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Dificuldades

Foto Sérgio Vignes/IOSO governo ainda patina no bloqueio às restrições de crédito para os que usam mão-de-obra escrava. Mais de um ano depois de lançamento do Plano Nacional de Erradicação, a medida ainda não saiu do papel. Em novembro de 2003 o governo divulgou uma "lista suja" de 52 empresas e indivíduos com condenação definitiva na esfera administrativa. O objetivo era proibir o financiamento público, repasses de fundos constitucionais e benefícios fiscais a quem cometeu esse crime. Mas o Ministério da Fazenda e o Banco Central ainda não criaram mecanismos para que essa restrição seja colocada em prática.

"Até o final deste governo o trabalho escravo será erradicado", assegura o secretário especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda. Ele tem confiança de que o projeto de confisco de terras dos escravocratas, quando aprovado, será um golpe mortal nesse tipo de crime. O secretário cita, entre os indicadores de avanço, os 106 inquéritos policiais e as 35 ações penais em curso.

Sobre prevenção, o secretário de Direitos Humanos recomendou a outros órgãos do governo que todas as cidades identificadas como origem dos escravizados sejam incluídas em programas sociais como Fome Zero, Bolsa Família, Brasil Alfabetizado, de microcrédito e de apoio à agricultura familiar. Em relação à cadeia produtiva, ele afirma não acreditar que as empresas ajam por má fé, e sim por desconhecimento.

Cesta de crimes

No âmbito penal, o Ministério Público Federal (MPF) passou a adotar a estratégia de trabalhar com uma "cesta de crimes", para evitar a prescrição e que a pena mínima seja convertida em prestação de serviços comunitários. "Só ajuizamos a ação penal se houver indícios claros de supressão da liberdade e dignidade da pessoa", explica a procuradora federal de Direitos do Cidadão Adjunta, Raquel Elias Ferreira Dodge.

"Buscamos evidenciar que o crime é praticado no contexto de outros ilícitos". Os relatórios da fiscalização passaram a ser instruídos com fotos de satélite, para evidenciar a grilagem de terras públicas e a derrubada ilegal de floresta.

O MPF montou um banco de dados com registros de 628 propriedades de escravocratas. Dados preciosos estão à disposição das autoridades: os locais de origem, aliciamento e destino; a identificação de todos os trabalhadores libertados; os nomes das fazendas, dos "gatos" (agenciador de mão de obra) e das pessoas jurídicas envolvidas.

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Breve histórico

A primeira denúncia documentada sobre trabalho escravo ilegal no Brasil apareceu no livro Memórias de um colono no Brasil, publicado em 1858 na Suíça. Seu autor, Thomaz Davatz, relatou sistema de servidão por dívida na Fazenda Ibicaba, de propriedade do senador Nicolau Vergueiro, onde cerca de mil imigrantes suíços, alemães e portugueses plantavam café.

A empresa do senador, "Vergueiro e Companhia", foi pioneira no recrutamento de mão-de-obra européia para substituir os escravos africanos. Financiava a viagem e o imigrante tinha de quitar sua dívida trabalhando por pelo menos quatro anos. Davatz liderou em 1856 uma insurreição contra esse sistema, a "Revolta dos Parceiros". Seu livro causou forte impressão na Europa e inibiu o ciclo da imigração.

Em 1888, a Lei Áurea declarou extinta a escravidão legalizada no Brasil. Mas o trabalho escravo prosseguiu de forma ilegal e novas formas surgiram em diversas regiões: nas fazendas de café do Sudeste, vitimando também os imigrantes italianos e japoneses; nas plantações de algodão e açúcar do Nordeste; no extrativismo de borracha na Amazônia.

Nas décadas de 1970 e 80, a política de ocupação da Amazônia adotada pela ditadura militar agravou o problema. Incentivos fiscais e créditos subsidiados oferecidos pela Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) a empresas nacionais e multinacionais levaram à construção de muitos empreendimentos agropecuários. Fortunas em dinheiro público foram drenadas. Grandes extensões de floresta, destruídas para a criar pastos e plantações. Também houve danos enormes a comunidades indígenas, populações nativas e migrantes assalariados rurais.

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Lei das armas

Foto Sérgio Vignes/IOSFoto Sérgio Vignes/IOSComo a Amazônia é uma região de difícil acesso, as instituições estatais nunca tiveram controle efetivo nas localidades mais isoladas. O resultado tem sido a prevalência da lei do mais forte. Muitos posseiros foram expulsos com violência das terras que ocupavam tradicionalmente. Quem resistiu à grilagem, não raras vezes, encontrou a morte em emboscadas de pistoleiros. Essa realidade ainda faz parte do cotidiano amazônico.

A estrutura agrária do Brasil, baseada no latifúndio e em relações autoritárias de coronelismo, é um ingrediente importante a considerar quando se aborda a escravidão contemporânea. Grandes proprietários de terras costumam agir como senhores feudais, têm relações de compadrio com outros latifundiários e uma forte influência na política local e regional. Não por acaso o Sul do Pará, onde historicamente têm ocorrido sangrentos conflitos de terra, é também uma das regiões onde há maior incidência de trabalho escravo no Brasil.

Do ponto de vista financeiro e operacional, a nova escravidão é mais vantajosa para os empresários que a da época do Brasil Colônia e do Império. Um dos maiores especialistas no tema, o sociólogo norte-americano Kevin Bales, traça paralelos entre esses dois sistemas em seu livro Disposable People: New Slavery in the Global Economy (Gente Descartável: A Nova Escravidão na Economia Mundial).

No sistema antigo, em que a propriedade legal era permitida, saía bem mais caro comprar e manter um escravo. O negro africano era um investimento dispendioso, a que poucas pessoas tinham acesso. Hoje o custo é quase zero, paga-se apenas o transporte e, no máximo, a dívida que a pessoa tinha em algum comércio ou hotel. Se o trabalhador fica doente, é só largá-lo na estrada mais próxima e aliciar outra pessoa. O desemprego generalizado proporciona mão-de-obra farta.

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Denúncias e vítimas

A primeira entidade a denunciar a existência do trabalho escravo contemporâneo foi a Comissão Pastoral da Terra, vinculada à Igreja Católica. A CPT tem desempenhado um papel fundamental na denúncia das ocorrências de trabalho escravo, coleta de depoimentos, elaboração de estatísticas e na proteção da vida das testemunhas - peões que conseguiram fugir das fazendas onde eram cativos.

Em 1970, Dom Pedro Casaldáliga, bispo de São Félix do Araguaia (MT), divulgou o documento "Feudalismo e Escravidão no Norte do Mato Grosso", que denunciava a ocorrência sistemática de escravidão por dívida. Por conta de suas pregações em favor da reforma agrária e dos humildes, incomodou fazendeiros, o governo militar e até a Santa Sé. Também recebeu várias ameaças de morte.

Um fato recente que chocou o país foi o assassinato de quatro inspetores do trabalho em janeiro de 2004. Eles foram emboscados e mortos a tiros numa estrada no município de Unaí (MG), a 100 km de Brasília. O fato levou o Ministério do Trabalho a reforçar as medidas de segurança de seus fiscais. Quando em missão de combate ao trabalho escravo, eles viajam sempre acompanhados de policiais federais. [P.S.: em julho de 2004 a Polícia Federal prendeu sete suspeitos pelo homicídio e apontou como possível mandante um fazendeiro da região].

Outro ameaçado com freqüência é o coordenador da campanha contra o trabalho escravo da CPT, frei Xavier Plassat. Com o conhecimento de quem dedica a vida a esta causa, o religioso afirma: "Erradicar o trabalho escravo é muito mais complicado que tirar simplesmente um trabalhador da escravidão e punir o infrator. É importante mudar o rumo desse modelo de desenvolvimento que vem consumindo, sem nunca se saciar, florestas e vidas humanas".

Frei Plassat resume os desafios fundamentais que precisam ser enfrentados para a erradicação do trabalho escravo: "Intensificação da repressão; integração melhor do Grupo Móvel; fim da impunidade; sanções econômicas pesadas aos escravocratas; confisco da terra; corte de financiamento; multas pesadas e indenizações por danos; determinação da competência federal; rito acelerado e, sobretudo, geração de emprego e renda, reforma agrária e qualificação nas regiões de origem dos trabalhadores".

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Definição

A Convenção 29 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) considera trabalho forçado "todo trabalho ou serviço exigido de um indivíduo sob a ameaça de alguma punição e para o qual o dito indivíduo não se apresentou voluntariamente".

O Código Penal Brasileiro, em seu artigo 149, estabelece pena de dois a oito anos e multa para quem reduzir alguém à "condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto".

Nesta publicação optamos por utilizar o termo "trabalho escravo" como sinônimo de "trabalho forçado", que é definido como toda a condição de trabalho, mesmo provisória, com essas duas características:

· recurso à coação e
· privação da liberdade do indivíduo.

A coação pode ser física ou moral. São quatro as características principais: a servidão por dívida, a retenção de documentos, as condições geográficas (dificuldade de acesso) e o uso de armas. Nos casos de escravidão rural, é comum que diferentes formas de coação sejam empregadas simultaneamente.

Na servidão por dívida, própria do sistema de peonagem, os trabalhadores são obrigados a consumir alimentos, roupas e ferramentas por preços extorsivos em barracões no interior das propriedades. Também são debitadas em sua conta as despesas com hospedagem, alimentação e transporte. Cria-se assim, de maneira fraudulenta, dívidas que se tornam impagáveis na prática.

O sociólogo José de Souza Martins, renomado especialista no assunto, é crítico do "denuncismo" praticado por certos ativistas e organizações de defesa dos direitos humanos - muitas vezes bem intencionadas - que substitui a denúncia fundamentada e responsável. Essa prática pode levar a ciladas de interpretação e prejudicar o combate ao crime, pois nem tudo que encerre más condições de trabalho é escravidão. Diz ele:

"No caso brasileiro, a escravidão não se manifesta direta e principalmente em más condições de vida ou em salários baixos ou insuficientes. O núcleo dessa relação escravista está na violência em que se baseia. (...) O pesquisador deve estar atento ao seu ingrediente principal, que é a coerção física e moral que cerceia a livre opção e a livre ação do trabalhador. Nesse sentido, pode haver escravidão mesmo onde o trabalhador não tem consciência dela". ["A escravidão nos dias de hoje e as ciladas de interpretação", in: Trabalho escravo no Brasil Contemporâneo. CPT/Loyola, São Paulo, 1999.}

Assim, é preciso ter em conta que trabalho escravo, ou forçado, é diferente de trabalho degradante, não-remunerado e outros. A superexploração do trabalho e o descumprimento da legislação trabalhista também devem ser objeto de repúdio, ação sindical e processo judicial, mas não constituem trabalho forçado desde que o trabalhador possa abandonar o emprego (pedir demissão). Condições degradantes de trabalho sempre acompanham o trabalho forçado, mas são coisas distintas.

Salvador Allende

rprota @ 11:55
  Fonte: Infonet José Cristian Goes
 

Salvador Allende vive!

11/09/2007 - 09:00

Manhã do dia 11 de setembro de 1973. Chile. O Exército daquele País bombardeia impiedosamente o palácio La Moneda, em Santiago, sede da Presidência da República. Encerrava-se, assim, a trajetória de um dos políticos mais vibrantes e humanistas da história da América Latina. Exatamente hoje faz 34 anos que foi assassinado o presidente chileno, o socialista Salvador Allende. O Chile inicia uma fase de ditadura militar, comandada pelo general Augusto Pinochet, que resultou em mais de 100 mil pessoas presas e torturadas e por volta de 30 mil executadas.

A vida e morte de Salvador Allende produzem ainda hoje milhares de livros, teses, estudos, filmes e documentários. Melhor ainda, em vários cantos da América Latina, Allende vive nas lutas de tantos homens e mulheres do povo que carregam nos corações a esperança de um mundo mais justo e livre. Mesmo que a grande mídia forme as novas gerações cegas e surdas para a história de um homem que derramou seu sangue pela causa de uma vida plena para os mais pobres, Allende continua vivo como símbolo a animar os vencidos pelos fatos consumados. A coluna de hoje procura contribuir, de forma bastante modesta, com uma parte muito sucinta e desconhecida da história de Allende.

Salvador Allende Gossens nasceu em 26 de junho 1908, em Valparaíso, no Chile. Seu pai era advogado e militante do Partido Radical. Por volta de 1922, o jovem Allende conhece Juan Demarchi, um velho anarquista italiano, que acaba lhe influenciando ideologicamente. É com ele que o menino Salvador tem contato com os primeiros textos marxistas. Depois de cumprir o serviço militar, chegando a ser oficial da reserva, Allende entra na Universidade de Chile e vai estudar medicina. No curso, é eleito presidente do Cento de Alunos de Medicina e organiza um grupo de estudos, que periodicamente se dedica a textos marxistas.

Frente Popular - Nos anos 30, chega a ser vice-presidente da Federação dos Estudantes dos Chile e participa ativamente da luta contra a ditadura do presidente Carlos Ibañez. Chega a ser expulso da universidade, mas retorna e conclui seus estudos. Em 19 de abril de 1932, participa da fundação do Partido Socialista do Chile. Allende também escreve, com a colaboração de José Vizcarra, um livro sobre a estrutura de saúde nacional. Chega a ser dirigente da Associação Médica Chilena. Em março de 1936, participa ativamente da criação da Frente Popular(FP), onde é eleito secretário geral, e assume a província de Valparaíso. Lá, coordena a campanha presidencial de Pedro Aguirre Cerda, pela FP. No Governo Aguirre, Allende assume o cargo de ministro da Saúde e da Assistência Social.

Em 1941, Allende conhece de perto Victor Raúl Haya de la Torre, no Peru, fundador da Aliança Popular Revolucionária Americana (Apra), um índio que organizou as massas indígenas e os intelectuais peruanos a partir de um programa nacionalista e com forte orientação marxista. Em 1945 é eleito senador. Descontente com os rumos do Partido Socialista, que abandona a luta pelo socialismo, ele se integra ao Partido Socialista Popular. Allende acaba construindo uma Frente do Povo, com apoio do Partido Comunista e em 1952 ele é lançado, por esta frente para, a Presidência da República, obtendo 52 mil votos. Ainda no Senado, Salvador Allende apresenta um projeto de nacionalização do cobre, principal minério do País e que estava totalmente nas mãos de empresas americanas.

Os partidos Socialista e Socialista Popular se unificam e fundam, em 1957, o Partido da Frente de Ação Popular. Allende é novamente lançado candidato para a Presidência da República e, em 1958, perde para Jorge Alesandri. No ano seguinte, Salvador Allende conhece em Havana o processo revolucionário cubano. Mantém longos e permanentes contatos com Che Guevara e Fidel Castro. Em 1961, no Uruguai, junto com Che, denuncia o caráter propagandístico e nocivo para o povo da América Latina da Aliança para o Progresso, uma “entidade” dos Estados Unidos (CIA) que age para “caçar” os comunistas e proteger os “investimentos capitalistas americanos nos países do Sul da América”.

Assume a Presidência - Em 1964 enfrenta nova eleição presidencial pelo Partido da Frente de Ação Popular. É derrotado pelos milhões de dólares despejados pela CIA na campanha de Eduardo Frei, da Democracia Cristã. Mas, desta vez, Allende consegue cerca de 1 milhão de votos e sua liderança era incontestável. Em 1966 é eleito presidente do Senado e no ano seguinte é eleito presidente da Organização Latinoamericana de Solidariedade. Allende viaja por diversos países comunistas, como a União Soviética, Coréia, Vietnã, entre outros e mantém sólidas relações com eles. Em 1969, no Chile, é criada a Unidade Popular (UP), com comunistas e várias outras correntes e partidos de esquerda. Em 1970, Allende volta a ser candidato pela UP e em 3 de novembro daquele ano assume a Presidência da República.

Cerca de seis meses depois de eleito, em 11 julho de 1971, no chamado Dia da Dignidade, Allende promulga a lei que nacionaliza o cobre e começa a fazer a Reforma Agrária. Os Estados Unidos reagem e impõem um forte bloqueio econômico ao Chile. Em 1972, Salvador Allende faz um duríssimo discurso na sede da ONU contra as ações estadunidenses e é ovacionado por longos minutos. Mas as ações do Governo Norte-Americano não pararam. Utilizando-se dos meios de comunicação (mídia) para manipular a “opinião pública”; aumentando o bloqueio econômico, que deixava o povo chileno sem alimentação e combustível; e “financiando” alguns generais das Forças Armadas, em 11 de setembro de 1973, o palácio presidencial La Moneda, em Santiago, é bombardeado com o presidente dentro dele, morrendo naquela mesma manhã.

Colocado em un transito histórico, pagaré com mi vida la lealtad al pueblo. Y les digo que tengo la certeza de que la semilla que hemos entregado a la conciencia digna de miles y miles de chilenos, no podrá ser segada definitivamente. Tienen la fuerza, poderán avasallarnos, pero no se detienen los procesos sociales ni con el crimen ni com la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos”. Salvador Allende, através da rádio Magallanes, às 09h10mmin do dia 11/09/1973 (Santiago, Chile)

José Cristian Góes é jornalista. cristiangoes@infonet.com.br

Fontes consultadas:
www.historia.uff.br
www.salvador-allende.cl
www.nodo550.org/allende
www.latercera.cl

11 de setembro - um filme

rprota @ 11:48

Fonte: Terra 

11 de Setembro reflete sobre tragédia por vários pontos de vista 11 de Setembro, o filme coletivo produzido pela França, lembra o primeiro aniversário dos ataques de 11 de setembro de 2001 contra as torres gêmeas do World Trade Center de Nova York.

Aplaudido no Festival de Veneza, o polêmico filme recebeu algumas críticas desfavoráveis da imprensa americana, mais por suas qualidades do que por seus defeitos. O projeto traz a visão totalmente independente de onze cineastas numa reflexão sobre esse que foi um dos acontecimentos capitais da história do mundo nos últimos tempos.

Abre o painel o trabalho da jovem diretora iraniana Samira Makhmalbaf, mostrando uma professora falando sobre o 11 de setembro a um grupo de crianças afegãs que nem sequer sabem o que é uma torre - escancarando o nível de miséria daquele lado do mundo.

O egípcio Youssef Chahine mistura tempos e nacionalidades para forjar um diálogo fantástico entre inimigos - entre eles, um fuzileiro norte-americano morto num atentado de 1983, em Beirute, e um homem-bomba palestino.

O bósnio Danis Tanovic (Oscar de melhor filme estrangeiro por Terra de Ninguém) ergue uma ponte entre a dor das mulheres que perderam maridos e filhos na cidade de Srebrenica, na guerra que estilhaçou a ex-Iugoslávia, e os parentes dos mortos no WTC.

Mas ninguém fez melhor ao traçar um paralelo com a dor numa outra parte do mundo do que o sempre engajado diretor inglês Ken Loach. Em seu trabalho, um exilado chileno em Londres escreve uma carta de solidariedade aos parentes dos mortos no atentado, lembrando uma trágica coincidência de datas: foi também numa terça-feira, 11 de setembro, só que de 1973, o golpe contra o governo de Salvador Allende, que culminou na sua morte e na de pelo menos 30.000 civis nos anos que se seguiram, durante o governo do general Augusto Pinochet.

O mexicano Alejandro González Inarritu (de Amores Brutos) coloca a platéia na pele dos soterrados nos destroços, deixando-a no escuro, guiada apenas pelo som de ligações (verdadeiras) de vítimas aos seus familiares e eventuais visões terríveis, igualmente reais, de gente que se atirou das altíssimas janelas dos edifícios em chamas.

Também partiu da realidade a indiana Mira Nair, lembrando o mal-entendido que cercou um jovem de origem paquistanesa radicado nos EUA, Mohammed Salman Hamdani - que morreu entre os escombros e foi primeiro identificado como terrorista, só depois sendo reconhecido como herói por ter salvado diversas pessoas no local.

O americano Sean Penn compõe poesia pura no conto sobre um velho viúvo (Ernest Borgnine) cujo ritual diário para lembrar a mulher sofre uma modificação radical depois que some de sua janela a gigantesca sombra dos edifícios destruídos pelo atentado.

O africano Idrissa Ouedrago, de Burkina Fasso, conseguiu acender uma centelha de humor, ao contar a história de cinco meninos que julgam ter reconhecido Osama Bin Laden e fazem os mais rocambolescos esforços para capturá-lo e receber a recompensa de US$ 25 milhões.

Fecha o excelente trabalho uma fábula do japonês Shohei Imamura, em torno de um antigo soldado imperial na II Guerra Mundial cuja loucura o faz pensar e agir como uma serpente, e que termina com a frase: "Nenhuma guerra é santa". Reuters

Marta Suplicy

rprota @ 11:31

FONTE: Veja São Paulo

Sou ousada, criativa e inovadora"

Na primeira de uma série de entrevistas com os principais candidatos à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, a atual líder nas pesquisas, fala de seus planos para a cidade, do que se arrepende em seu período à frente da administração municipal e por que se julga mais bem preparada que seus dois maiores adversários, o ex-governador Geraldo Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab

 

Por Alessandro Duarte e Alvaro Leme

11.06.2008

 




Mario Rodrigues

Marta: 30% das intenções de voto e 31% de rejeição

Após um encontro reservado com o presidente Lula, na última quarta-feira, Marta Suplicy deixou o Ministério do Turismo e anunciou oficialmente que é candidata à prefeitura da maior cidade da América Latina. Aos 63 anos, ela deseja voltar ao cargo que ocupou entre 2001 e 2004. "São Paulo é moderna, nervosa, agitada", afirma. "Precisa de alguém ousado, criativo e inovador." Para concretizar seu sonho, terá de bater adversários de peso. Segundo pesquisa divulgada pelo Ibope na terça, a petista lidera a corrida com 30% das intenções de voto dos paulistanos. O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) aparece logo atrás, com 28%, e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) vem em terceiro, com 13%. No último levantamento do Datafolha, publicado no dia 18 de maio, o resultado foi bastante parecido. Marta tinha 30%; Alckmin, 29%; e Kassab, 15%. Entre os três, ela também está à frente na medição da rejeição. Dos entrevistados pelo Datafolha, 31% dizem que não votariam nela de jeito nenhum (contra 27% de Kassab e 16% de Alckmin). Embora ainda faltem quase quatro meses para as eleições e esse quadro possa se modificar, já ficou claro quem são os mais fortes candidatos no pleito, cujo primeiro turno vai se realizar em 5 de outubro. O segundo está marcado para 21 dias depois.




Felipe Araujo/Agência Estado/AE

Na 12ª edição da Parada Gay, em maio: trio elétrico do Ministério do Turismo




Eduardo Knapp/Folha Imagem

Durante visita ao Jardim Keralux, na campanha à prefeitura de 2000: elegância, ainda que em meio à lama

Nesta edição, Veja São Paulo apresenta a primeira de uma série de entrevistas com os três principais concorrentes. Marta recebeu a reportagem um dia antes de se desligar do governo, na sede estadual do Partido dos Trabalhadores, no Jardim Paulista. Durante uma hora e meia, ela falou sobre seus planos e tomou cinco xícaras de café com adoçante, servindo-se de uma garrafa térmica. "Antes de entrar para a prefeitura, não tinha esse hábito", diz ela. "Hoje, bebo mais de dez xícaras por dia." À frente do Ministério do Turismo, no qual ficou por catorze meses, firmou um convênio de 1 bilhão de dólares com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), criou o programa Viaja Mais – Melhor Idade, que incentiva o turismo de pessoas acima de 60 anos, e deu início aos estudos sobre as necessidades das cidades-sede da Copa de 2014. Mas o momento que ficou marcado foi o da sugestão que deu para quem sofria com as conseqüências do caos aéreo. "Relaxa e goza", disse. "Foi uma frase infeliz, pela qual pedi desculpas horas depois", lembra Marta.




Leonardo Wen/Folha Imagem

Em junho de 2007, auge do caos aéreo, no lançamento do Plano Nacional de Turismo: "Relaxa e goza"




Marcelo Ximenez/Folha Imagem

Apresentando o CEU de Campo Limpo ao russo Garry Kasparov, ex-campeão de xadrez, em agosto de 2004: 21 escolões construídos durante sua gestão

Psicanalista, nascida rica e educada em colégios freqüentados pela elite paulistana, ela tornou-se conhecida em 1980, quando apresentava o quadro Compor-ta-mento Sexual no programa TV Mulher, da Rede Globo. Já naqueles tempos mostrava que não tinha papas na língua. Falava sobre orgasmo e masturbação com uma desenvoltura rara à época. No PT desde a década de 80, foi deputada federal entre 1995 e 1998, quando encabeçou projetos como a regulamentação do direito ao aborto e a parceria civil para pessoas do mesmo sexo. Em abril de 2001, numa decisão que chocou parte dos paulistanos e de seus eleitores, divorciou-se do senador Eduardo Suplicy, político com imagem de bom moço e respeitado mesmo entre os não-petistas. Eles foram casados por 36 anos e tiveram três filhos – o advogado André e os cantores Supla e João. Dois anos e meio depois, numa festança para 400 pessoas, Marta Teresa Smith de Vasconcellos – seu nome de nascimento – casou-se, de chapelão e vestido que deixava os ombros à mostra, com o franco-argentino Luis Favre, quatro anos mais jovem, quatro casamentos anteriores e uma vistosa rede de contatos na esquerda internacional.



Em seu mandato como prefeita, algumas de suas realizações foram a criação dos Centros Educacionais Unificados (CEUs), a instituição do bilhete único – que permitia ao usuário do sistema de transporte público pegar, pelo preço de uma passagem, quantos ônibus quisesse em um período de duas horas –, a transferência de seu gabinete do mal-amado Palácio das Indústrias, no Parque Dom Pedro II, para o Edifício Matarazzo, localizado entre o Viaduto do Chá e a Praça do Patriarca, e a construção de duas polêmicas passagens subterrâneas sob a Avenida Faria Lima. Com a desculpa de que os cofres haviam sido deixados em frangalhos pelos anos de administração Maluf-Pitta, avançou com gosto no bolso dos contribuintes. Em busca de recursos, criou as taxas do lixo e de iluminação, além de conseguir na Câmara a aprovação do IPTU progressivo. Tentou a reeleição, mas perdeu para o tucano José Serra, que dois anos depois se elegeu governador do estado.






Marcia May

Com os filhos André, João e Supla, no início da década de 80: "Falo com eles quase todos os dias"


Entrevista



Veja São Paulo –

Por que a senhora quer voltar a ser prefeita?
Marta Suplicy – São Paulo precisa de uma nova atitude. Vejo minha cidade numa situação caótica no trânsito, com uma administração que não ousou o suficiente para atender a suas demandas. Creio ter as condições de dar respostas aos problemas gravíssimos enfrentados pelos paulistanos. Politicamente, tenho mais acesso ao governo federal, por ser do time do presidente.

Veja São Paulo – Qual é o principal problema da cidade hoje e como pretende enfrentá-lo?
Marta – Sem querer ignorar a situação difícil na saúde e na educação, diria que é o trânsito. O que pretendo fazer? Recuperar a capacidade de gestão da CET e ampliar o bilhete único, que pode ganhar duração semanal, mensal ou até anual. A longo prazo, construir mais corredores de ônibus e linhas de metrô. Para a Copa do Mundo de 2014, precisaremos de mais 260 quilômetros de corredores e 65 de metrô.




Mario Rodrigues

"Se a mulher é gentil e doce, classificam de incompetente. Se é firme e forte, chamam de arrogante. Se tem poder, então, vira insuportável"

Veja São Paulo –

A senhora foi prefeita por quatro anos. Não acha que tem parte da responsabilidade pelo caos no trânsito, que já era um problema na sua gestão?
Marta – Pelo contrário. Enfrentamos a máfia de dirigentes do transporte para reformular os contratos das empresas com a prefeitura. Havia ônibus com mais de dez anos e perueiros clandestinos enlouquecidos pelas ruas. Implantamos o bilhete único, que virou um modelo para todo o Brasil. Criamos 100 quilômetros de corredores, enquanto a atual administração construiu 7. Fizemos túneis importantes e um pedaço significativo da Radial Leste.

Veja São Paulo – A senhora cogita adotar medidas restritivas ao transporte individual, como o pedágio urbano ou a ampliação do rodízio?
Marta – Nossas propostas passam pelo lado oposto. Quero que quem usa o transporte privado se sinta atraído por um transporte de qualidade. Como, por exemplo, na Avenida Rebouças. Muitas pessoas que faziam aquele percurso de carro passaram a usar o ônibus, que é mais rápido. Quanto ao metrô, perdemos muito tempo. Estive recentemente na China e vi que são construídos 20 quilômetros por ano em Pequim. Precisamos implantar esse ritmo alucinante aqui e temos condições de fazer isso por causa do boom econômico. Mas, se tivéssemos hoje 10 bilhões de reais para investir no metrô, não haveria licitações prontas ou projetos. De que chamo isso? Falta de planejamento. Que nome posso dar?

Veja São Paulo – A senhora se compromete a não aumentar impostos como o IPTU ou a não criar outras taxas?
Marta – Vou diminuir as taxas. Já mandei um grupo estudar formas de reduzir a tributação para o cidadão paulistano. Não sei ainda que imposto será usado. A cidade vive outro momento, gente! Quando comecei minha gestão, São Paulo tinha dívidas gigantescas. A receita de que dispunha era metade da atual.




Mario Rodrigues

"Quem está no serviço público precisa se apresentar bem porque é visto e fotografado o tempo inteiro"

Veja São Paulo –

Caso seja eleita, a senhora se compromete a cumprir o mandato até o fim?
Marta – Assinar papel com uma garantia dessas ficou desmoralizado na última eleição, não? Tenho idéia de, se eleita, pleitear um novo mandato. Oito anos. Em minha experiência como prefeita, vi que dei passos gigantescos no transporte, na saúde e na educação, mas não consegui chegar aonde poderia. Se é para entrar na briga, que seja para deixar uma coisa mais consolidada.

Veja São Paulo – Quer dizer que não deixaria o mandato para se candidatar ao governo ou à Presidência?
Marta – Mais que isso. Estou falando que penso em ficar oito anos na prefeitura.

Veja São Paulo – A senhora gostou, então, de ser prefeita?
Marta – É um trabalho estressante como nenhum outro. Não tem igual. Ao mesmo tempo, é muito gratificante perceber que você pode mudar a vida das pessoas.

Veja São Paulo – Por que a senhora acha que tem melhores condições de administrar São Paulo do que o prefeito Gilberto Kassab e o ex-governador Geraldo Alckmin?
Marta – Pelo perfil. São Paulo é moderna, nervosa, agitada. Precisa de alguém ousado, criativo e inovador. Se for ver o que o Alckmin fez como governador, não daria para aplicar nenhum desses adjetivos à sua gestão. O Kassab continuou, de forma muito modesta, o que eu havia iniciado. Não consigo lembrar de nenhuma ação inovadora e criativa que ele tenha tomado para solucionar os problemas vitais da cidade.

Veja São Paulo – Nem mesmo a Lei Cidade Limpa?
Marta – É um projeto importante, que foi iniciado em nossa gestão com a Operação Belezura. Kassab teve o mérito de implementar e dar uma dimensão para a cidade toda. Foi um bom projeto. Mas não vi nenhuma grande obra que não tenha sido iniciada no meu governo. A Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira, que é uma obra muito linda, foi licitada por nós. Fizemos também a fundação e os pilares. A gestão Serra-Kassab limitou-se a dizer que era uma obra faustosa e cara. Interrompeu a construção, que só foi retomada quando as empreiteiras entraram na Justiça. Tínhamos pouco dinheiro e fizemos muito. Eles têm muitos recursos e fizeram muito pouco.

Veja São Paulo – Que projeto ou obra seria a marca de um novo governo seu?
Marta – Ainda é cedo para dizer. Estou começando a me debruçar nos problemas da cidade. Mas certamente será marcante a recuperação do transporte. E também a inclusão social. Enquanto o sistema público não consegue tirar uma criança da favela, que seja capaz de tirar a favela de dentro dela com uma escola que ofereça oportunidades. Vou investir em um centro para alavancar a formação dos nossos professores. E conseguir que os alunos fiquem mais tempo na escola, o que é um desafio gigantesco em São Paulo, em razão da quantidade de crianças. Como psicóloga e psicanalista, quero manter um olhar especial sobre as creches. Criança bem-cuidada nos primeiros anos de vida é a que vai ter oportunidades.

Veja São Paulo – Do que a senhora se arrepende de não ter feito em sua gestão?
Marta – Eu me arrependo de algo que fiz. Das taxas. Muito. Mas não havia recursos. Nossa administração foi bem difícil no começo, porque pegamos um momento pós-Maluf e Pitta. Uma cidade completamente depredada, em ruínas. As administrações regionais eram antros e não prestavam nenhum serviço. Criamos um plano diretor, o que não existia em São Paulo havia mais de dez anos. A folha de pagamento da prefeitura era feita a mão! Nós a informatizamos. Agora, olhando em retrospecto, eu me arrependo das taxas, sim. Apesar de termos boa intenção, a população já havia enfrentado aumento no IPTU e se sentiu penalizada. É paradoxal, pois fui a prefeita que menos cobrou impostos em São Paulo. Na minha gestão, 62% dos contribuintes passaram a pagar menos IPTU. Ao mesmo tempo, outros 31% tiveram aumento, e aí acho que a mão pesou.

Veja São Paulo – Por que os paulistanos não a reelegeram?
Marta – É uma questão que me coloquei muitas vezes. Acho que cometemos erros de verdade, como a tributação. E as pessoas acreditaram na proposta do outro, que prometeu fazer melhor o que a gente já fazia.

Veja São Paulo – Também havia e há, segundo as pesquisas, rejeição à sua imagem. Como pretende contornar isso na campanha?
Marta – Acho que você amadurece, em primeiro lugar. E acredito que as pessoas, depois de quatro anos, tenham avaliado melhor a posição que assumiram naquele momento. O machismo também pesa.

Veja São Paulo – Alguns analistas creditam parte dessa rejeição ao fato de a senhora ter se separado do senador Eduardo Suplicy e se casado com o franco-argentino Luis Favre. Acredita que isso possa pesar na campanha deste ano?
Marta – Foi um item a mais num caldeirão que se colocou contra mim, mas não teve peso substancial. Hoje, a maioria das famílias tem alguém separado. Senti falta de pessoas que falassem em meu favor. Que vissem como ato de coragem uma pessoa se apaixonar e, em vez de levar uma vida paralela, assumir e prestar satisfação à sociedade. E, inclusive, se casar. A maioria dos políticos não se porta assim. Fui coe-rente com minha vida e minhas posturas.

Veja São Paulo – Nesta eleição, a senhora vai enfrentar outro problema em relação à imagem, a sugestão para os passageiros vítimas do apagão aéreo: "Relaxa e goza". Como pretende lidar com essa questão?
Marta – Considero uma página virada, no sentido de que foi uma frase infeliz, pela qual pedi desculpas horas depois. Acho que a grande maioria da população entendeu a situação em que disse aquilo e me perdoou. Uma vida pública de vinte anos não pode ser destruída por uma frase infeliz. Eu me sinto tranqüila. Podem eventualmente usar isso contra mim, mas não creio que vá trazer votos a quem o fizer. E, depois, quem é que nunca disse uma frase infeliz?

Veja São Paulo – Qual é a melhor coisa de ser prefeita de São Paulo?
Marta – Poder fazer.

Veja São Paulo – E a pior?
Marta – O stress.

Veja São Paulo – O que São Paulo tem de melhor?
Marta – O povo.

Veja São Paulo – E o que tem de pior?
Marta – O trânsito.

Veja São Paulo – Qual foi o melhor prefeito que São Paulo já teve?
Marta – Em termos de pensar a cidade, Prestes Maia e Faria Lima. No que diz respeito à inclusão social, nossa gestão foi muito importante.

Veja São Paulo – Como concilia a carreira política com o tempo dedicado a marido, filhos e netos?
Marta – Todos sofrem e eu também, por não conseguir dar a atenção que gostaria, apesar de me desdobrar. Falo com meus filhos todos os dias. Eles às vezes me visitam em horários esdrúxulos, como à meia-noite. Sempre sei o que está acontecendo com eles. Acho que Eduardo (Suplicy) e eu conseguimos construir algo muito bom com nossos filhos. Perco várias gracinhas dos netos. Uma delas, a Laura, ganhou medalha na natação outro dia e eu não estava lá. Vou sempre aos aniversários e, de vez em quando, fazemos algum programa juntos.

Veja São Paulo – Como encontra tempo para se cuidar?
Marta – Não me cuido muito. Tento fazer esteira e algumas outras coisas, quando dá.

Veja São Paulo – Que coisas?
Marta – Prefiro não ficar detalhando. Quero voltar a fazer acupuntura.

Veja São Paulo – Incomoda-a quando comentam seu gosto para se vestir ou seu guarda-roupa?
Marta – Sou uma pessoa vaidosa, então não me provoca incômodo dizerem que estou bem-arrumada. Só quando isso vai além do que devia. É mais uma qualidade e um esforço do que qualquer coisa, mas devia passar despercebido. É "ça va sans dire" (algo como "dispensa comentários", em francês). Quem está no serviço público precisa se apresentar bem porque é visto e fotografado o tempo inteiro. Mulher sempre paga um preço. Se aparece desarrumada, acham que está deprimida. Se demora a retocar a tintura do cabelo, a chamam de relaxada.

Veja São Paulo – Qual é sua maior tentação gastronômica?
Marta – Massas.

Veja São Paulo – A senhora cozinha?
Marta – Nunca fui boa nisso. O Luis, meu marido, é ótimo cozinheiro. Ele faz muito bem pot-au-feu (cozido francês), saladas, rosbifes, vitelas, coelhos e carnes. Tem também um prato de batata com bacon que adoro. Ele só não sabe fazer sobremesa, mas nem assim me estimulei a aprender.

Veja São Paulo – Vai muito ao cinema?
Marta – Pouco. O último filme que vi foi Um Beijo Roubado, que é bom. Na semana anterior, assisti a um outro que detestei, O Melhor Amigo da Noiva.

Veja São Paulo – E para ler, encontra tempo?
Marta – Toda noite. Acabei recentemente o livro da Maitê Proença (Uma Vida Inventada). No momento não estou lendo nada em português. Leio em inglês, francês e espanhol como uma maneira de praticar essas línguas.

Veja São Paulo – A senhora acha que tem uma imagem de arrogante?
Marta – Às vezes desconfio que sim. Algumas pessoas, depois de me conhecer, contam que me imaginavam muito diferente. Quando tento entender, vejo que era por me acharem arrogante. Mulher é assim: se é gentil e doce, classificam de incompetente. Se é firme e forte, chamam de arrogante. Se tem poder, então, vira insuportável. E você não pode exercer o poder se não for firme. É uma imagem que nós, mulheres, vamos ter de conquistar e mudar. As grandes líderes do século passado, como Golda Meir, Indira Gandhi e Margaret Thatcher, eram todas mulheres travestidas de homens. A geração do século XXI não quer isso. Políticas como Ségolène Royal, Cristina Kirchner e Michelle Bachelet são muito femininas. A Angela Merkel até pôs um decote ousado outro dia. Fui uma desbravadora, primeiro no programa TV Mulher, depois no exercício da política, pagando todos os preços nas duas experiências.

Veja São Paulo – Qual é sua maior qualidade?
Marta – Não tenho medo de pensar o novo. Estou sempre em busca de solução. Eu decido.

Veja São Paulo – E o maior defeito?
Marta – Impaciência. Quero tudo para ontem.

Veja São Paulo – Lê horóscopo?
Marta – Às vezes, mas não que eu abra o jornal para isso. Acho divertido.

Veja São Paulo – A senhora se identifica com alguma característica de Peixes, o seu signo?
Marta – Ah, eu choro muito. Em filme, livro... Durante a prefeitura, quase todo dia. Não houve uma visita a CEU em que eu não tenha chorado.



Sargento homossexual é transferido de quarto de hospital para carceragem

rprota @ 11:23

Publicada em 06/06/2008 às 22h09m

Catarina Alencastro, O Globo Online

Laci, sargento do Exército preso após entrevista a programa de tv em SP - Foto de Lawrence Bodnar, Diário de S.Paulo

BRASÍLIA - O sargento Laci Marinho de Araújo foi transferido nesta sexta-feira do quarto do Hospital Geral do Exército, em Brasília, para a carceragem do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília. Munido de uma autorização da Justiça Militar, o 2º sargento do Exército Fernando Alcântara Figueiredo pôde visitar o companheiro nesta sexta. Transferido pela manhã, Laci é acusado de ter abandonado o serviço por mais de oito dias e foi preso por deserção.

O casal relata estar sendo perseguido por militares devido ao relacionamento que cultivam há mais de dez anos. A autorização para que Laci recebesse a visita do parceiro foi dada pela juíza Zilah Maria Fadul Petersen, responsável pelo caso. Ela tomou a decisão depois de ter recebido uma solicitação oficial do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que preside uma comissão especial criada no Senado para averiguar o ocorrido.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio, Wadih Damous, defendeu nesta sexta-feira que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, revogue imediatamente a prisão do sargento Laci Marinho de Araújo . A assessoria do Ministério da Defesa informou que o ministro Nelson Jobim ainda não deu esclarecimentos sobre a prisão do sargento porque está no Rio de Janeiro. Ontem à noite, a senadora Fátima Cleide (PT-RO) e a deputada Cida Diogo (PT-RJ) protocolaram no ministério um pedido de informações sobre o caso.

A senadora Fátima Cleide esteve com Laci, acompanhada do advogado Marcos Rogério de Souza, da liderança do PT. A partir de agora, o sargento contará com a ajuda de um advogado arranjado pelo partido para cuidar do caso sem custos para ele.

Antes de ser transferido para a prisão, Laci passou por duas avaliações médicas realizadas por militares, uma em São Paulo - onde foi preso após sair de uma entrevista à Rede TV - e outra no Hospital Geral de Brasília, onde ele e Fernando trabalham. Os dois laudos, segundo o Centro de Comunicação Social do Exército, concluíram que o general estava apto a trabalhar.

Um laudo do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), feito pelo médico Paulo César Sampaio, no entanto, afirma que Laci sofre de psicose, esclerose múltipla e disfunção vertiginosa labirintal. Para Fátima Cleide, o detento deveria estar em um hospital:

- Ele está bastante transtornado. É visível que o quadro dele é de depressão. A gente percebe que ele deveria estar no hospital, e não numa cadeia.

A senadora saiu do batalhão tranqüila por ter conseguido dos militares a garantia de que os remédios que vinham sendo administrados a Laci no hospital continuariam sendo dados na prisão. O companheiro Fernando saiu da visita preocupado com o estado de saúde de Laci, que teria chorado muito e reclamado que não tinha tomado o remédio que vinha recebendo antes da transferência para a prisão.

Por determinação da juíza, Fernando, que já se apresentou ao serviço e voltou ao trabalho, poderá visitar Laci todos os dias por uma hora, com a presença dos militares que fazem a segurança do preso.

O Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) vai pedir que o Conselho Federal de Medicina elabore um laudo independente sobre a saúde do sargento Araújo.

O presidente Lula participou da Conferência Nacional GLBTT e condenou o preconceito contra homossexuais .

- Quando se trata de preconceito, eu conheço nas minhas entranhas - afirmou o presidente.

Nesta quinta, o Exército divulgou nota afirmando que Figueiredo também responderá "administrativamente" por sua ausência no serviço.

Araújo ficará no Hospital Geral de Brasília, que pertence às Forças Armadas, mas à disposição da Justiça Militar para que seja dada continuidade 'aos procedimentos judiciais, fruto de seu indiciamento em crime de deserção', diz o Exército.

02/06/2008 GMT -3

Inclusão Social e Direitos Humanos

rprota @ 20:53

 

Lista de bilionários no mundo inclui nome de 18 brasileiros

O Brasil tem 18 bilionários, segundo a revista Forbes, que divulgou quinta-feira sua lista completa dos mais ricos do mundo. Além do crescimento da economia e do dinamismo dos negócios, os brasileiros foram beneficiados por um fator meramente contábil: a desvalorização do dólar frente ao real, que foi de 22,2% no ano passado, inflou os valores dos empresários (o ranking é feito com base na moeda norte-americana). O patrimônio do primeiro brasileiro na lista, Antonio Ermírio de Moraes, presidente do grupo Votorantim, cresceu de US$ 3,9 bilhões para US$ 10 bilhões. Ele ocupa a 77ªposição.

A fortuna da família Steinbruch, dona do grupo têxtil Vicunha e do Banco Fibra, também cresceu. A matriarca Dorothea Steinbruch, 160ªno ranking, teve o patrimônio triplicado em um ano, passando de US$ 1,8 bilhão para US$ 6,1 bilhões. As principais inclusões neste ano foram do presidente da EBX, Eike Batista (142º lugar, com patrimônio de US$ 6,6 bilhões), e do vice-presidente executivo da Porto Seguro Seguradora, a maior empresa do setor no país, Jayme Garfinkel (843 lugar, com bens no valor de US$ 1,4 bilhão).

Fonte: Diário de Natal Online

Brasil é oitavo país em desigualdade social, diz pesquisa




PATRICIA ZIMMERMANN
CLARICE SPITZ
da Folha Online, em Brasília e SP

O Brasil é o oitavo país em desigualdade social, na frente apenas da latino-americana Guatemala, e dos africanos Suazilândia, República Centro-Africana, Serra Leoa, Botsuana, Lesoto e Namíbia, segundo o coeficiente de Gini, parâmetro internacionalmente usado para medir a concentração de renda.

O coeficiente de Gini varia de zero a 1,00. Zero significaria, hipoteticamente, que todos os indivíduos teriam a mesma renda e 1,00, mostraria que apenas um indivíduo teria toda a renda de uma sociedade.

O índice brasileiro foi de 0,593 em 2003, segundo o relatório do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) sobre o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) em 177 países.

De acordo com o documento, no Brasil 46,9% da renda nacional concentram-se nas mãos dos 10% mais ricos. Já os 10% mais pobres ficam com apenas 0,7% da renda. Na Guatemala, por exemplo, os 10% mais ricos ficam com 48,3% da renda nacional, enquanto na Namíbia, o país com o pior coeficiente de desigualdade, os 10% mais ricos ficam com 64,5% da renda.

Economia

O documento destaca ainda que a desigualdade social pode travar a expansão econômica e tornar mais difícil que os pobres sejam beneficiados pelo crescimento. "Altos níveis de desigualdade de renda são ruins para o crescimento e enfraquecem a taxa em que o crescimento se converte em redução de pobreza: eles reduzem o tamanho do bolo econômico e o tamanho da fatia abocanhada pelos pobres", diz o relatório.

Ao alertar para a gravidade das diferenças sociais no mundo, o representante do PNUD, Ricardo Fuentes, afirmou que em uma hora cerca de 1,2 mil crianças morrem no mundo, o que equivale a três tsunamis por mês. "As desigualdades limitam o avanço das metas [objetivos do milênio, traçados para 2015], disse.

Segundo ele, os progressos não tem sido suficientes, e o relatório do PNUD servirá como um alerta para a Assembléia Geral das Nações Unidas marcada para este mês. "Vai chamar a atenção dos chefes de Estado para estes que são problemas do mundo", disse.

Segundo ele, a "extrema desigualdade" limita até mesmo a legitimidade política de alguns governos, e deve ser objeto de políticas públicas específicas.

Simulação

Uma simulação do PNUD revela que o Brasil cairia 52 posições no ranking do IDH caso o índice fosse calculado com base na renda dos 20% mais pobres e não no PIB (Produto Interno Bruto) per capita. O país passaria, então da 63ª colocação para o 115º lugar entre os 177 países avaliados. Esse resultado seria obtido mudando somente a variável renda, sem alterar os indicadores de educação e longevidade.

O estudo revela ainda que a transferência de 5% da renda dos 20% mais ricos do país para os mais pobres seria capaz de retirar 26 milhões de pessoas da linha da pobreza e reduzir a taxa de pobreza de 22% para 7%.

Na avaliação do PNUD, segundo o relatório, para que as "Metas do Milênio" sejam atingidas é preciso uma ampliação substancial da qualidade e quantidade de ajuda ao desenvolvimento, além de bases mais justas para o comércio internacional e a redução de conflitos violentos entre os povos.

Entre as chamadas "Metas do Milênio", estão a de reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, tanto a porcentagem de pessoas cujo rendimento é inferior a US$ 1 por dia quanto o percentual da população que sofre de fome. Também fixa a meta de reduzir o índice de mortalidade de crianças com menos de cinco anos em dois terços e o índice de mortalidade de mães, em três quartos até 2015.

Fonte: Folha Online

Mais pobres do Brasil têm pior acesso à água que população do Vietnã

CAROLINA FARIAS
da Folha Online

O Brasil tem poucos motivos para comemorar o Dia Mundial da Água, nesta quinta-feira. Apesar de concentrar cerca de 12% da água doce do mundo, 20% da população mais pobre do país tem o pior acesso à água e ao esgoto que os habitantes do Vietnã, de acordo com relatório do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) de 2006.

Outro característica da má distribuição do recurso, apontado no relatório, é que a parcela de 20% da população mais rica tem o nível de acesso à água comparável ao de países desenvolvidos.

Para tentar reverter essa situação e aproveitar o tema do Dia Mundial da Água deste ano --a escassez--, a ANA (Agência Nacional de Águas) lança nesta quinta o movimento em defesa das águas brasileiras. Representantes de diversos setores públicos relacionados aos recursos hídricos, da indústria, da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e da Câmara, assinarão um documento onde se comprometem a melhorar a gestão do uso das águas.

A iniciativa, chamada de "SOS H2O", pretende eliminar a poluição e os casos de doenças relacionadas à falta de saneamento, criar incentivos ao uso sustentável da água e adotar programas educacionais em torno do tema.

Discrepância

Mesmo concentrando cerca de 12% da água doce do planeta, o Brasil enfrenta problemas em relação à disponibilidade do recurso. De acordo com relatório de 2006 da ANA, há uma discrepância em relação à distribuição geográfica e populacional da água no país.

Sozinha, a região amazônica abriga 74% da disponibilidade de água, no entanto, é habitada por menos de 5% da população.

Outro aspecto que colabora para a escassez em algumas regiões é a deficiência na coleta de esgoto --somente 54% domicílios brasileiros têm acesso ao serviço.

No entanto, mesmo diante de tais indicadores, o Brasil conseguiu aumentar a proporção de habitantes com acesso à água potável de 83% em 1990 para 90% em 2004.

O avanço permite que o Brasil se aproxime da meta de elevar o indicador para 91,5% , estabelecida pelos "Objetivos de Desenvolvimento do Milênio" --uma série de metas socioeconômicas que os países-membros da ONU (Organização das Nações Unidades) se comprometeram a atingir até 2015.

Iluminado Liu Pai Lin

rprota @ 20:27

Comemoração dos 100 anos do Grande Mestre Iluminado Liu Pai Lin - 08/12/1907 - 08/12/2007.
“A filosofia Taoísta é o conhecimento do homem enquanto uma pequena natureza, um ser que tem o céu e a terra dentro de si”.
Mestre Liu Pai Lin nasceu em Tientsin, República Popular da China, em 8 de dezembro de 1907. Neste ano celebramos cem anos do seu nascimento, e os seus discípulos e admiradores se unem para comemorar reverenciando as práticas por ele transmitidas a partir de linhagens Taoístas reconhecidas na China tais como: Lun Man (Porta do Dragão), Gin San (Montanha Dourada) e Montanha Kun Lun.
A Medicina Tradicional Chinesa baseia-se no Taoísmo, movimento filosófico desenvolvido a partir da observação da natureza, que surgiu por volta do ano 2500 a.C.
Pai Lin pode ser considerado um dos pioneiros na formação de escola de Medicina Tradicional Chinesa e treinamentos taoístas ( Acupuntura, Fituterapia,Tai Chi Chuan, Tao In, Tchi Kung, Espada Tai Chi, Sentar na Calma, Ba Kua Tsam) no Brasil e no mundo, e deixou bases para futuras escolas, ministrando cursos dessas modalidades.
Recebeu inúmeros títulos, entre eles
• Primeiro Homem da Medicina Oriental da Atualidade – Tóquio, Japão;
• Presidente de Honra da Associação Internacional de Tai Chi Chuan – Taipé, Formosa;
• Presidente de Honra da Associação Neo-Latina de Acupuntura – São Paulo;
• Cidadão Honorário de São Paulo, medalha Anchieta – Câmara Municipal de São Paulo, SP;
• Diploma de Honra ao Mérito da cidade de Belo Horizonte, MG, 1994.
• Cidadão Honorário de Brasília, 1997;
• Cidadão Honorário de Ribeirão Preto, SP, 1999.
No Brasil desde 1975, divulgou o Taoísmo e suas práticas. Em Brasília foi presidente do Instituto TAO de Saúde e Longevidade, realizando o curso de formação Taoísta em Saúde e Longevidade em 1995 na Universidade Holística Internacional de Brasília – UNIPAZ, com duração de cinco anos, formando centenas de terapeutas.
Este Instituto teve como a coordenador Luiz Henrique Moreira Santos que atualmente preside o Instituto Néctar de Medicina Tradicional Chinesa continuando a transmissão dessas linhagens em Brasília e formando inúmeros profissionais em Acupuntura, Massagem Tuiná, e demais práticas.
Através dos terapeutas formados pelo mestre, entre eles diversos artistas, médicos, políticos, donas de casa, esse conhecimento foi divulgado em escolas, postos de saúde e em vários hospitais da cidade, alcançando a população de modo geral, tendo sido este o motivo de seu reconhecimento como cidadão honorário Brasiliense.
Em seu discurso na Câmara Distrital, Mestre Liu ressaltou que Pai Lin, em chinês, significa cem anos ou longa vida, e este era seu desejo para todos os irmãos brasilienses. Mas como conseguir isso? Ele explicava que o corpo, assim como a natureza, Grande Mãe, tem uma raiz, que está na região de nossa origem fetal (umbigo) e cultivando essa região, gera-se mais vitalidade e serenidade.
Ele realizava os treinamentos taoístas na sua vida diariamente , captando energia da Natureza e renovando sua vitalidade pois, aos noventa e poucos anos, seguia trabalhando mais de 12 horas por dia, sendo um testemunho vivo daquilo que ensinava.
Sua flexibilidade e alegria em nada deviam aos de 40 anos, a quem recomendava: “depois dos 40, ande devagar e pratique treinamentos de energia”.
Através do equilíbrio entre Yin e Yang, a serenidade e movimentos suaves que lhe deram harmonia interior, ele divulgou os ensinamentos das famosas linhagens taoístas chinesas com o objetivo de que a humanidade siga o conselho que a ONU recomendou em 1974 “que a tradição se junte à ciência”.
A sensibilidade do Mestre de escolher ficar no Brasil por sentí-lo vital, repleto de frutas de todas as cores e sabores em qualquer tempo, indica que este país tem todo o potencial de ter um povo saudável, unindo a riqueza do conhecimento que a tradição Taoísta nos lega com a abundância da natureza.
Ambas devem ser sacralizadas e reverenciadas na construção de um planeta humanizado, que vem da geração da harmonia em cada um, do esforço e disciplina na prática, e do cultivo do ser como nos ensinaram mestres da grandeza de Liu Pai Lin. Esta é a possibilidade da paz para o ser humano na atualidade.
Divulgar esta sabedoria para a saúde foi a vida do mestre.
Em 1999 Liu Pai Lin divulgou publicamente que não passaria do ano 2000. No dia 02 de fevereiro ultimo dia do ano no calendário chinês, o mestre trabalhou o dia inteiro. No início da noite se recolheu e às 21:45h escreveu a poesia “Profunda Serenidade”. Às 22h fez sua passagem na postura do “Sentar na calma” (Meditação Taoísta), nos deixando saudades e um caminho seguro a ser seguido.
Nesta comemoração de 100 anos do Mestre, queremos celebrar com todos que o conheceram e com os que desejam saborear a doçura de seus ensinamentos.

Retirado na íntegra de Terceiromilênio

Casos de lobotomia

rprota @ 20:18

Não foram muitas as personalidades importantes submetidas à psicocirurgia, mas algumas delas foram figuras bem conhecidas pelo grande público. Nesta seção, você lerá também sobre duas grandes peças de teatro, que viraram filmes, que retrataram com pungência e drama o uso da psicocirurgia como um instrumento de controle social.

Rosemary Kennedy (irmã de presidente John Kennedy)

Nascida em 1918, Rosemary era ligeiramente retardada quando criança e teve que ser educada por professores particulares (na figura ao lado, ela está na ponta à direita). Ao atingir a adolescência, ela passou a ter períodos de descontrole e violência, embora ela estivesse desfrutando uma vida cheia, com muitas viagens e festas pagas por seu pai rico, o empresário e embaixador Joseph Kennedy. Aborrecido pela incapacidade da família de se adaptar ao comportamento agressivo de Rosemary, o pai dos Kennedys, sem consultar ninguém da família, contactou um neurocirurgião e ordenou que uma lobotomia prefrontal fosse realizada em Rosemary, em 1941 (lembre-se que naquela época, a lobotomia era considerado uma "cura" milagrosa para comportamento agressivo e inadequado). A operação a deixou totalmente incapaz de viver uma vida normal, e ela foi internada então permanentemente no Convento de Santa Coletta, em Wisconsin, no qual ela ainda vive. Este sempre foi um ponto extremamente dolorido na família de Kennedy, e Joseph e Rose Kennedy, atormentados pelo destino da filha, doaram bastante dinheiro e esforço para ajudar as pessoas retardadas. Eles estabeleceram a Fundação Joseph P. Kennedy Jr para este propósito (e que recebeu este nome em honra ao seu filho, morto no Segunda Guerra Mundial).

Rose Williams (irmã de escritor americano Tennessee Williams)

Aquela que tinha sido uma vez a gentil, esbelta e bonita irmã do notável dramaturgo norte-americano Tennessee Williams começou a sofrer muitos colapsos nervosos e foi diagnosticada como esquizofrênica (alguns biógrafos acreditam que Blanche DuBois, a personagem inesquecível de "Um Bonde Chamado Desejo ", foi plasmado nela). Depois de muitas tentativas sem sucesso de terapia, ela foi submetida finalmente a uma lobotomia prefrontal em 1943, em Washington. Como aconteceu com o caso de Rosemary Kennedy, a cirurgia terminou mal, e Rose ficou uma inválida pelo resto da vida. Este foi um grande choque para Tennessee Williams que era muito ligado a ela e provavelmente este foi um dos fatores que o tornou um alcoólatra. A lobotomia foi tema de outra famosa peça de Williams, " De Repente no Último Verão " , escrita em 1957.


Frances Farmer (atriz de Hollywood)

Frances Farmer era um estonteantemente bela atriz e estrela do cinema (nascida em 1914, em Seattle), que tinha tido muito êxito em Broadway e em Hollywood. Porém, ela era uma ativista política radical, simpatizante comunista e de uma natureza rebelde e agressiva (quando ela tinha 15 anos, ganhou uma viagem para a União Soviética, como prêmio para uma composição escrita por ela). Depois de várias brigas com as autoridades, em 1942 ela foi declarada injustamente como sendo ' mentalmente incompetente' e internada pelos pais em uma série de sanatórios e hospitais psiquiátricos públicos, onde todas as terapias tentadas não foram capazes de domesticá-la e trazê-la à "normalidade ". Assim, em outubro de 1948, no obscuro Western State Hospital, em Washington, à idade tenra de 34 anos, o famoso neurocirurgião Walter Freeman que foi praticamente o unico responsável pela popularização da lobotomia prefrontal nos E.U.A. foi contratado pelo diretor do Hospital para realizar a sua também famosa lobotomia transorbital em Frances Farmer. Ela foi liberada em 1953 do Hospital, já sem ser uma ameaça para sociedade. Ela se sustentou inicialmente com trabalhos temporários, como recepcionista em um hotel, mas posteriormente conseguiu se reintegrar ao "show business", aparecendo em programas de TV e tendo o seu próprio "talk show". Ela morreu de câncer em 1970. A vida dela foi o assunto do Farmer um filme estrelado por Jessica Lange, e de uma canção chamada Frances Farmer Will Have Her Revenge on Seattle ", pelo grupo de rock Nirvana.

Retirado na íntegra de Cerebromente.

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