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Eumundo

20/06/2008 GMT -3

Modelos britânicas criam sindicato e exigem proteção contra assédio

rprota @ 10:57
Folha Online 


23/05/2008 - 10h07
da BBC

Centenas de modelos que atuam na Grã-Bretanha se filiaram a um sindicato criado para exigir melhores direitos trabalhistas e proteção contra assédio sexual, exploração e até ataques.

Desde o lançamento oficial do sindicato, na Semana de Moda de Londres, em fevereiro passado, mais de 400 modelos se juntaram ao comitê para modelos aberto dentro do sindicato dos atores Equity.

Com a criação do órgão, as modelos têm a quem recorrer para buscar apoio independente, e como a filiação é anônima, as agências não podem discriminar as modelos que se afiliarem ao sindicato.

O órgão foi criado depois de queixas de "comportamento lascivo" em relação a modelos, condições de trabalho abusivas e meninas sendo pressionadas a não comer e emagrecer.

As modelos Dunja Knezevic e Victoria Keon-Cohen vêm fazendo campanha pelas mudanças na indústria. Keon-Cohen, de 22 anos, contou à BBC sobre uma sessão de fotos em particular.

"Havia 10 garotas, todas de diferentes idades, tendo que se despir e ficar apenas de fio dental para vestir as peças íntimas (a serem fotografadas), com dois ou três homens olhando."

"Elas estavam tentando se esconder atrás das araras de roupas, mas os homens ficaram olhando os espelhos para ver o reflexo delas."

Knezevic, de 26 anos, disse à BBC que a polícia deveria investigar alguns dos episódios. "Comportamento lascivo é bastante comum, mas ataques sexuais são mais raros. O problema é, que não importa o quão raro seja, nada é jamais feito a respeito".

O sindicato vem falando com clientes, agências, bookers e fotógrafos sobre garantir o direito básico das modelos e afirma que a resposta vem sendo positiva.

O sindicato defende que as modelos tenham pausas durante as sessões de fotos e tentam garantir que elas não se sintam pressionadas a se manter extremamente magras.

As modelos também têm acesso a assessoria legal e informação sobre planos de aposentadoria.

Questões éticas

Leni Renston, da agência Quintessentially Models, apóia o movimento, mas não tem certeza de que ele será bem visto por todo mundo.

Segundo ela, "muitas agências no momento não levam em consideração essas questões éticas, mas eu acredito que elas devem se tornar a norma".

"Até que isso aconteça e elas estejam prontas a lidar com esses problemas, acredito que elas vão encontrar dificuldades para lidar com o sindicato."

As modelos planejam uma conferência em setembro com representantes de todos os setores da moda, para discutir os progressos alcançados.

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19/06/2008 GMT -3

Você quer ser Feliz ou ter Razão? (por Marcelo Costa)

rprota @ 11:51

Se você não consegue mudar o Mundo, então mude de mundo.
Provérbio Popular.
A vida profissional inicia em nossas vidas sempre por uma necessidade, seja ela financeira, social ou até mesmo acadêmica. Adentramos ao mercado de trabalho sempre como forma de suprimirmos uma área de nossa vida, seja assumindo muitas vezes uma função nos negócios da família; o apelo também em casa ou na necessidade acadêmica pelo primeiro emprego ou estágio, exigibilidade legal nas universidades e no mercado; e, principalmente, pela necessidade financeira, de já termos o nosso dinheiro, nosso “ganha-pão”, e ajudarmos (e até mesmo sustentando) nossa família.
Quando neste ingresso, por sermos muito novos de idade e inexperientes no mercado, temos muito mais gaz do que conhecimento, o que nos leva a ter mais garra pela defesa de nossa razão e argumentos. Queremos ter nossa opinião respeitada, nossas idéias seguidas, precisamos de afirmação naquilo em que acreditamos ou passamos a acreditar, pois não tivemos tempo suficiente para firmarmos um pensamento tão próprio e fundamento, que seja ileso a ser contrariado e desmintido. Daí vem as calorosas discussões nos grêmios escolares e universitários, cujo partidarismo é buscado como tábua de referência e afirmação destas idéias, pois ainda nos falta capacidade completa para tê-las como verdade. Sempre, nesta fase entramos em embates ideológicos, que mais tarde, por muitas vezes, iremos ver, que foram inócuos e descabidos, exarcebados e sem nexo.
Nesta fase com certeza sempre queremos ter razão! E ela, conforme a intensidade desta firmação de personalidade pessoal, profissional, de crescimento, irá repercurtir em muitos outros anos, que ainda virão. Temos inclusive ainda profissionais, que mesmo atingindo a maturidade pessoal e profissional, fazem questão de não deixar esta fase e ainda, daí já mais egocentricamente, defendem seus pontos de vista calorosamente, sempre em busca de sair vitorioso da conversa ou da discussão, com a razão ao seu lado.
E a experiência, nos estudos de casos e de termos vistos durante nossa vida profissional, que esta defesa incessante por se ter essa razão, leva a muitas pessoas e profissionais, a angariar inimizades e desafetos. Pois, as pessoas infelizmente em sua maioria ainda levam tudo para o lado pessoal. Pensam que tudo, que se fala são contra a pessoa delas, o que na verdade o tom de crítica só queiram atribuir ao seu lado profissional e não pessoal. E a razão se faz preponderar e, também na maioria dos casos, destemperar, tirar do sério qualquer um, que seja mais passional, ou que momentaneamente apresente desequilibrio no relacionamento pessoal.
Em contrapartida, a tendência natural é que ocorra, com a passagem dos anos de vida e de profissão, as pessoas consigam estabelecer maior discernimento do que realmente agregue valor ao seu trabalho e até a sua vida pessoal. Que é o fator de ser feliz, de estar bem, de conviver harmoniosamente, e que necessariamente não seja de concordância com tudo, um mero expectador ou “bobo da corte”, em sorrir para tudo, ser complacente.
Mas, a opção de ser feliz parte do fato de se preparar com boas argumentações, se firmar profissionalmente com maior expertise que seus pares no mercado profissional e ser, por isso, referência para muitos que buscam uma opinião séria e segura. Estar tranquilo em quaisquer que sejam as circunstâncias, pois se está devidamente preparado, acima da média, para no momento oportuno, falar quando chamado e apresentar soluções, que em sendo profissionais, levarão aos melhores resultados.
Optar por ser feliz profissionalmente, cria uma ambiência também em sua vida pessoal, pois gera reflexos na qualidade de vida deste profissional como ser humano. Sem se abster dos problemas cotidianos que sempre ocorrem, e que servem de combustível para o aprimoramento e a competição do mundo econômico globalizado.
Por muitas vezes, nós que convivemos no stress das grandes cidades, como São Paulo, não precisamos estar emocionalmente sintonizados com esta vibração desgastante, contudo devemos ser feliz com a sua dinâmica ágil e competente. Por outro lado, se convivemos numa cidade pacata no interior do País, devemos ser felizes com a sua ponderação de que tudo tem a sua hora, porém também não nos deixemos cair no marasmo da acomodação e deste conforto, imprimindo assim um ritmo ágil, dinâmico e eficaz o suficiente para estarmos sintonizados com o Mundo dos Negócios e que gere negócios.
Como dois amigos que tenho, em que um diz: “Saí de São Paulo, fui para o interior, mas São Paulo não saiu de mim... tudo tem que ser rápido, para ontem...”; enquanto outro retruca: “Mas rapaz, para que ser pressa se temos prazo, o que vale é o planejamento e não o estresse...”
Enfim em busca deste equilíbrio, embora difícil, mas não impossível é que perguntamos: Você quer ser feliz ou ter razão?!
Pense nisso, inclusive sobre o que você quer para a sua empresa e sua família...
Conte conosco e Sucesso! Até a próxima semana!

$ CONTA CORRENTE $
$ Os dados oriundos dos bastidores econômicos mostra-nos vários sinais de alerta, os quais trazemos brevemente aqui. O País está perdendo a oportunidade de se remontar, fortalecer sua infra-estrutura, quanto as estradas, sistemas elétricos e formação bruta de capital fixo, esta através do setor privado. Que aliás atua, produtivamente, neste três segmentos. A estabilidade aparente e o fluxo de capitais entrantes no País, poderiam estar rentabilizando a infra-estrutura. Contudo, o País desperdiça tempo e com isso forma em cenários, dos mais otimistas aos mais pessimistas, de pontos de estrangulamento, gargalos fenomenais, além da carga tributária já existente sobre o setor produtivo. Que possamos agir, renvindicando ações urgentes para a reversão do que possa parecer vir por aí, que como exemplo citamos, nova fase de apagão elétrico, ao qual já se pronuncia, segundo fontes do setor, ainda para este ano. É o momento é (ou deveria ser) de ação.
$ É incrível o relaxamento no uso de nossa língua e vocabulário no ambiente profissional e em nossa sociedade. Infelizmente, o português é assinado a cada instante, a cada entrevista, a cada pronunciamento. Erros monumentais, aos quais transitam, desde os “pôblemas” até os “entendeno”, “cidadões”, e expressões como “... os papéis é esses...”. Um total despreparo até para quem ostenta títulos de mestres, doutores e professores, que são responsáveis pela formação de outras pessoas. Alertamos a todos para a importância do uso adequado da língua portuguesa, que apesar dos pesares de ser difícil, quando bem pronunciada, causa melhor entendimento entre todos que a ouvem.

Responderemos semanalmente as suas dúvidas pelo email marrcaretail@hotmail.com. Envie sua dúvida sobre finanças, negócios, gestão empresarial e carreira profissional.

Autor: Prof. Marcelo Costa
Fonte: Artigo da Coluna Semanal Spaço Dinheiro

Mídia internacional noticia caso dos jovens do Morro da Providência

rprota @ 11:39

17/06/2008 GMT -3

Alegria

rprota @ 23:23

Letra: Josué Rodrigues

Música: Amaurílio Fontenelle

Alegria é viver feliz
Sem importar qual a situação
Se honrado, ou se humilhado
Em escassez ou fartura de pão.

Alegria é poder pedir
Ao Deus bendito pelo meu irmão
É viver no mesmo sentimento
De afeto e de consolação.

Alegria é saber que Deus
Segundo a Sua glória e riqueza
Vai suprir nossas necessidades com certeza

Alegria é tudo perder
Sem perder nada do amor de Deus
Ter de Cristo o conhecimento nos caminhos Seus.

Alegria (alegria, alegria)
Alegria (todo dia, todo dia)
Essa alegria no Senhor nunca vai acabar.

Alegria (alegria, alegria)
Alegria (todo dia, todo dia)
Ele nos faz tanto o querer como o realizar.

15/06/2008 GMT -3

Serena toca Mozart

rprota @ 21:25

Ana Cañas no Tom Jazz (Coração vagabundo)

rprota @ 13:39


A Morte da Esperança

rprota @ 12:04

 

Ao acaso foi incerto
Foi assim que aconteceu
A história da Esperança
Que um dia faleceu
 
Caminhando pela vida
Lá estava a Esperança
Foi quando se deparou
Com a amiga Confiança
 
“-Não confio mais em ti!”
Confiança disse à amiga
“-Porque me abandonastes?”
“Destruístes minha vida!”
 
“-Minha amiga o que diz?”
Esperança respondeu
“Nunca a abandonei!”
“Acho que não entendeu!”
 
“-Sim é claro que entendi!”
Confiança interrompeu
“-Você não existe mais!”
“Para mim você morreu!”
 
“-É verdade que morri!”
“Mas só no seu coração!”
“Só quem acredita em mim
Tem o poder da minha mão!”
 
Assim foi acontecida
Triste morte da Esperança
No pequeno coração
Da amiga Confiança
 
E assim como morreu
Na querida amiga dela
Esperança também morre
Em quem não acredita nela

Murilo Saldanha da Silva

Fonte: Site de Poesias

14/06/2008 GMT -3

A Falência do Prazer e do Amor

rprota @ 11:58


Fernando Pessoa 

I

Beber a vida num trago, e nesse trago 
Todas as sensações que a vida dá 
Em todas as suas formas [...] 
..................................................................... 
Dantes eu queria 
Embeber-me nas árvores, nas flores, 
Sonhar nas rochas, mares, solidões. 
Hoje não, fujo dessa idéia louca: 
Tudo o que me aproxima do mistério 
Confrange-me de horror.  Quero hoje apenas 
Sensações, muitas, muitas sensações, 
De tudo, de todos neste mundo — humanas, 
Não outras de delírios panteístas 
Mas sim perpétuos choques de prazer  
Mudando sempre, 
Guardando forte a personalidade  
Para sintetizá-las num sentir. 
             Quero 
Afogar em bulício, em luz, em vozes,  
— Tumultuárias [cousas] usuais — 
o sentimento da desolação 
Que me enche e me avassala. 
              Folgaria 
De encher num dia, [...] num trago, 
A medida dos vícios, inda mesmo 
Que fosse condenado eternamente — 
Loucura! — ao tal inferno, 
A um inferno real. 
 

II

Alegres camponeses, raparigas alegres e ditosas, 
Como me amarga n'alma essa alegria! 
..................................................................... 
Nem em criança, ser predestinado, 
Alegre eu era assim; no meu brincar, 
Nas minhas ilusões da infância, eu punha  
O mal da minha predestinação. 
..................................................................... 
Acabemos com esta vida assim! 
Acabemos! o modo pouco importa! 
Sofrer mais já não posso.  Pois verei — 
Eu, Fausto — aqueles que não sentem bem 
Toda a extensão da felicidade, 
Gozá-la? 
..................................................................... 
                Ferve a revolta em mim 
Contra a causa da vida que me fez 
Qual sou.  E morrerei e deixarei 
Neste inundo isto apenas: uma vida 
Só prazer e só gozo, só amor, 
Só inconsciência em estéril pensamento 
E desprezo [...] 

Mas eu como entrarei naquela vida? 
Eu não nasci para ela. 
 

III

Melodia vaga 
Para ti se eleva 
E, chorando, leva 
O teu coração, 
Já de dor exausto, 
E sonhando o afaga. 
Os teus olhos, Fausto, 
Não mais chorarão. 
 

IV

Já não tenho alma.  Dei-a à luz e ao ruído, 
Só sinto um vácuo imenso onde alma tive... 
Sou qualquer cousa de exterior apenas, 
Consciente apenas de já nada ser... 
Pertenço à estúrdia e à crápula da noite 
Sou só delas, encontro-me disperso 
Por cada grito bêbedo, por cada 
Tom da luz no amplo bojo das botelhas. 
Participo da névoa luminosa 
Da orgia e da mentira do prazer. 
E uma febre e um vácuo que há em mim 
Confessa-me já morto... Palpo, em torno 
Da minha alma, os fragmentos do meu ser 
Com o hábito imortal de perscrutar-me. 
 

V

Perdido 
No labirinto de mim mesmo, já 
Não sei qual o caminho que me leva 
Dele à realidade humana e clara 
Cheia de luz [...] alegremente  
Mas com profunda pesadez em mim  
Esta alegria, esta felicidade, 
Que odeio e que me fere [...] 
..................................................................... 
Sinto como um insulto esta alegria 
— Toda a alegria.  Quase que sinto 
Que rir, é rir — não de mim, mas, talvez, 
Do meu ser. 
 

VI

Toda a alegria me gela, me faz ódio.   
Toda a tristeza alheia me aborrece,  
Absorto eu na minha, maior muito Que outras  
[...] 
..................................................................... 
Sinto em mim que a minha alma não tolera  
Que seja alguém do que ela mais feliz; 
O riso insulta-me, por existir; 
Que eu sinto que não quero que alguém ria 
Enquanto eu não puder.  Se acaso tento 
Sentir, querer, só quero incoerências 
De indefinida aspiração imensa, 
Que mesmo no seu sonho é desmedida ... 
 

VII

tua inconsciência alegre é uma ofensa 
para    mim.  O seu riso esbofeteia-me! 
Tua alegria cospe-me na cara! 
Oh, com que ódio carnal e espiritual 
 escarro sobre o que na alma humana  
Fria festas e danças e cantigas... 
.................................................................... 
Com que alegria minha, cairia 
Um raio entre eles!  Com que pronto 
Criaria torturas para eles 
Só por rirem a vida em minha cara 
E atirarem à minha face pálida 
O seu gozo em viver, a poeira — que arda  
Em meus olhos — dos seus momentos ocos 
De infância adulta e tudo na alegria! 
..................................................................... 
Ó ódio, alegra-me tu sequer! 
Faze-me ver a Morte. roendo a todos,  
Põe-me ria vista os vermes trabalhando 
Aqueles corpos! [...] 
 

VIII

Triste horror d'alma, não evoco já 
Com grata saudade, tristemente, 
Estas recordações da juventude! 
Já não sinto saudades, como há pouco 
Inda as sentia.  Vai-se-me embotando, 
Co'a força de pensar, contínuo e árido, 
Toda a verdura e flor do pensamento. 
Ao recordar agora, apenas sinto, 
Como um cansaço só de ter vivido, 
Desconsolado e mudo sentimento 
De ter deixado atrás parte de mim, 
E saudade de não ter saudade, 
Saudades dos tempos em que as tinha. 
Se a minha infância agora evoco, vejo 
— Estranho! — como uma outra criatura 
Que me era amiga, numa vaga 
Objetivada subjetividade. 
Ora a infância me lembra, como um sonho, 
Ora a uma distância sem medida 
No tempo, desfazendo-me em espanto; 
E a sensação que sinto, ao perceber 
Que vou passando, já tem mais de horror 
Que tristeza [...] 
E nada evoca, a não ser o mistério 
Que o tempo tem fechado em sua mão. 
Mas a dor é maior! 
 

IX

Ó vestidas razões!  Dor que é vergonha 
E por vergonha de si-própria cala 
A si-mesma o seu nexo! Ó vil e baixa 
Porca animalidade do animal, 
Que se diz metafísica por medo 
A saber-se só baixa ... 
..................................................................... 
Ó horror metafísico de ti! 
Sentido pelo instinto, não na mente! 
Vil metafísica do horror da carne, 
Medo do amor... 

Entre o teu corpo e o meu desejo dele 
'Stá o abismo de seres consciente; 
Pudesse-te eu amar sem que existisses 
E possuir-te sem que ali estivesses! 

Ah, que hábito recluso de pensar 
Tão desterra o animal que ousar não ouso 
O que a [besta mais vil] do mundo vil  
Obra por maquinismo. 

Tanto fechei à chave, aos olhos de outros, 
Quanto em mim é instinto, que não sei 
Com que gestos ou modos revelar 
Um só instinto meu a olhos que olhem ... 
..................................................................... 
Deus pessoal, deus gente, dos que crêem, 
Existe, para que eu te possa odiar! 
Quero alguém a quem possa a maldição 
Lançar da minha vida que morri, 
E não o vácuo só da noite muda 
Que me não ouve. 
 

X

O horror metafísico de Outrem! 
O pavor de uma consciência alheia  
Como um deus a espreitar-me! 
        Quem me dera 
Ser a única [cousa ou] animal  
Para não ter olhares sobre mim! 
 

XI

Um corpo humano! 
Às vezes eu, olhando o próprio corpo,  
Estremecia de terror ao vê-lo  
Assim na realidade, tão carnal. 
 

XII

................................................. Sinto horror  
À significação que olhos humanos 
Contém... 
..................................................................... 
                        Sinto preciso 
Ocultar o meu íntimo aos olhares 
E aos perscrutamentos que olhares mostram; 
Não quero que ninguém saiba o que sinto, 
Além de que o não posso a alguém dizer... 
 

XIII

Com que gesto de alma 
Dou o passo de mim até à posse 
Do corpo de outros, horrorosamente 
Vivo, consciente, atento a mim, tão ele 
Como eu sou eu. 
 

XIV

Não me concebo amando, nem dizendo 
A alguém "eu te amo" — sem que me conceba 
Com uma outra alma que não é a minha 
Toda a expansão e transfusão de vida 
Me horroriza, como a avaro a idéia 
De gastar e gastar inutilmente — 
Inda que no gastar se [extraia] gozo. 
 

XV

Quando se adoram, vividos, 
Dois seres juvenis e naturais 
Parece que harmonias se derramam  
Como perfumes pela terra em flor. 

Mas eu, ao conceber-me amando, sinto 
Como que um gargalhar hórrido e fundo 
Da existência em mim, como ridículo 
E desusado no que é natural. 

Nunca, senão pensando no amor, 
Me sinto tão longínquo e deslocado, 
Tão cheio de ódios contra o meu destino. — 
De raivas contra a essência do viver. 
 

XVI

Vendo passar amantes 
Nem propriamente inveja ou ódio sinto, 
Mas um rancor e uma aversão imensos 
Ao universo inteiro, por cobri-los. 
 

XVII

O amor causa-me horror; é abandono,  
Intimidade... 
... Não sei ser inconsciente  
E tenho para tudo [...] 
A consciência, o pensamento aberto  
Tornando-o impossível. 

E eu tenho do alto orgulho a timidez 
E sinto horror a abrir o ser a alguém, 
A confiar n’alguém.  Horror eu sinto 
A que perscrute alguém, ou levemente 
Ou não, quaisquer recantos do meu ser. 

Abandonar-me em braços nus e belos  
(Inda que deles o amor viesse)  
No conceber do todo me horroriza; 
Seria violar meu ser profundo, 
Aproximar-me muito de outros homens. 

Uma nudez qualquer — espírito ou corpo — 
Horroriza-me: acostumei-me cedo 
Nos despimentos do meu ser 
A fixar olhos pudicos, conscientes. 
Do mais. Pensar em dizer "amo-te" 
E "amo-te" só — só isto, me angustia... 
 

XVIII

[...] eu mesmo 
Sinto esse frio coração em mim  
Admirado de ser um coração 
Tão frio está. 
 

XIX

Seria doce amar, cingir a mim  
Um corpo de mulher, mais frio e grave 
e feito em tudo, transcendentalmente 
O pensamento agrada-me, e confrange-me 
Do terror de perto, e [junto] 
Em sensação ao meu, um outro corpo. 
Gelada mão misteriosa cai  
Sobre a imaginação [...] 
 

XX

É isto o amor?  Só isto? [...] 
..................................................................... 
Sinto ânsias, desejos, 
Mas não com meu ser todo.  Alguma cousa 
No íntimo meu, alguma cousa ali 
— Fria, pesada, muda — permanece. 

[P'ra] isto deixei eu a vida antiga  
Que já bem não concebo, parecendo 
Vaga já. 
Já não sinto a agonia muda e funda  
Mas uma, menos funda e dolorosa, 
[Bem] mais terrível raiva [...]  
De movimentos íntimos, desejos  
Que são como rancores. 

Um cansaço violento e desmedido 
De existir e sentir-me aqui, e um ódio 
Nascido disto, vago e horroroso, 
A tudo e todos... 
 

XXI

— Amo como o amor ama. 
Não sei razão pra amar-te mais que amar-te. 
Que queres que te diga mais que te amo, 
Se o que quero dizer-te é que te amo? 
..................................................................... 
Quando te falo, dói-me que respondas 
Ao que te digo e não ao meu amor. 
..................................................................... 
Ah! não perguntes nada; antes me fala 
De tal maneira, que, se eu fora surda, 
Te ouvisse todo com o coração. 

Se te vejo não sei quem sou: eu amo. 
Se me faltas [...] 
... Mas tu fazes, amor, por me faltares 
Mesmo estando comigo, pois perguntas — 
Quando é amar que deves.  Se não amas, 
Mostra-te indiferente, ou não me queiras, 
Mas tu és como nunca ninguém foi, 
Pois procuras o amor pra não amar, 
E, se me buscas, é como se eu só fosse 
Alguém pra te falar de quem tu amas. 
..................................................................... 
Quando te vi amei-te já muito antes: 
Tornei a achar-te quando te encontrei. 
Nasci pra ti antes de haver o mundo. 
Não há cousa feliz ou hora alegre 
Que eu tenha tido pela vida fora, 
Que o não fosse porque te previa, 
Porque dormias nela tu futuro. 
..................................................................... 
E eu soube-o só depois, quando te vi, 
E tive para mim melhor sentido, 
E o meu passado foi como uma 'strada 
Iluminada pela frente, quando 
O carro com lanternas vira a curva 
Do caminho e já a noite é toda humana. 
..................................................................... 
Quando eu era pequena, sinto que eu 
Amava-te já longe, mas de longe... 
..................................................................... 
Amor, diz qualquer cousa que eu te sinta! 
— Compreendo-te tanto que não sinto, 
Oh coração exterior ao meu! 
Fatalidade, filha do destino 
E das leis que há no fundo deste mundo! 
Que és tu a mim que eu compreenda ao ponto 
De o sentir...? 
..................................................................... 
 

XXII

Pra que te falar?  Ninguém me irmana 
Os pensamentos na compreensão. 
Sou só por ser supremo, e tudo em mim 
É maior. 
 

XXIII

Reza por mim!  A mais não me enterneço. 
Só por mim mesmo sei enternecer-me, 
Soba a ilusão de amar e de sentir em que forçadamente me detive. 
Reza por mim, por mim! Eis a que chega 
A minha tentativa [em] querer amar. 
 

 * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * 


 
 

12/06/2008 GMT -3

Haja O Que Houver

rprota @ 02:12

Madredeus

Composição: Pedro Ayres Magalhães

Haja o que houver
Eu estou aqui
Haja o que houver
espero por ti

Volta no vento ô meu amor
Volta depressa por favor
Há quanto tempo, já esqueci
Porque fiquei, longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor...

Eu sei quem és
pra mim
Haja, o que houver
espero por ti...

Há quanto tempo, já esqueci
Porque fiquei, longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor

Eu sei quem és
pra mim
Haja, o que houver
espero por ti...

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rprota @ 01:51
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