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Eumundo

11/07/2008 GMT -3

Procuradores e magistrados divulgam manifestos contra decisões de Mendes

rprota @ 20:26

As decisões do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, de conceder habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas, libertando-o, e de pedir investigação contra o juiz Fausto Martim de Sanctis (6ª Vara Federal Criminal) foram criticadas nesta sexta-feira (11/7) em três manifestos: um de procuradores regionais da República 3ª Região, outro de magistrados da 3ª Região (São Paulo e Mato Grosso do Sul) e o terceiro da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República).

Preso temporariamente durante a operação Satiagraha da Polícia Federal, na terça-feira (8/7), Dantas conseguiu habeas corpus no Supremo na quarta-feira à noite, sendo libertado no dia seguinte. À tarde, no entanto, voltou a ter prisão decretada, desta vez, preventiva, sob o argumento de que ele poderia atrapalhar as investigações. Nesta sexta-feira, em nova decisão de Mendes, o banqueiro conseguiu habeas corpus que o põe em liberdade mais uma vez.

A nota dos magistrados é assinada por 121 juízes da Justiça Federal da 3ª Região e demonstra preocupação com a abertura de investigação contra De Sanctis —ele nega que tenha dado autorização para monitorar Mendes. “Não se vislumbra motivação plausível para que um juiz seja investigado por ter um determinado entendimento jurídico. Ao contrário, a independência de que dispõe o magistrado para decidir é um pilar da democracia e princípio constitucional consagrado”, diz o texto.

A carta dos procuradores, denominada “Carta aberta à sociedade brasileira sobre a recente decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal no habeas corpus 95.009-4”, começa afirmando que o dia é de “luto para as instituições democráticas”.

“As instituições democráticas brasileiras foram frontalmente atingidas pela decisão liminar que, em tempo recorde, sob o pífio argumento de falta de fundamentação, desconsiderou todo um trabalho criteriosamente tratado nas 175 (cento e setenta e cinco) páginas do decreto de prisão provisória proferido por juiz federal da 1ª instância”, afirma a carta, que vem ganhando adesões de procuradores.

Para a ANPR, tanto De Grandis, como De Sanctis, cumpriram com seus papéis previstos na Constituição. “Lembra a ANPR que tanto o magistrado Fausto De Sanctis, quanto o procurador da República Rodrigo De Grandis, possuem independência e autonomia funcional, garantidas pela Constituição Federal”, diz o texto.

Fonte:ultima instancia

Sexta-feira, 11 de julho de 2008

10/07/2008 GMT -3

Como colocar um fim à dor emocional

rprota @ 19:27
W W W . S O M O S T O D O S U M . C O M


Por: Bel Cesar - vidadeclaraluz@ajato.com.br

Podemos localizar em nossa vida fases em que uma dor emocional permanece instalada em nós por um longo período - um ano e meio, pelo menos. Vamos dormir sabendo que, ao acordar, sentiremos a mesma dor no peito. Geralmente isso ocorre quando vivemos algo maior do que nossa capacidade de elaborar.

A meta de transformar o sofrimento em autoconhecimento faz com que nos sintamos íntimos da nossa dor, tão próximos dela que, às vezes, sentimos pena de deixá-la. Eu me lembro claramente da primeira vez que senti nostalgia por perceber que uma dor emocional estava para acabar. Cheguei a perguntar para Gueshe Sherab: “Será que sem esta dor continuarei aprendendo tanto quanto aprendi ao senti-la?”. Ele riu e me respondeu: “Você não precisa chamar a dor para evoluir, pode ter certeza que sempre haverá sofrimento suficiente para aprender algo com ele. Quando a mente não está sobrecarregada com uma dor intensa, pensa melhor”.

Se estivermos sofrendo pela mesma dor há muito tempo, devemos identificar o momento de nos desapegarmos dela. É necessário sentirmos a dor apenas enquanto ela nos ajudar a aprender mais a nosso próprio respeito, ou seja, enquanto ela representar uma forma de ampliarmos a visão acerca de nós mesmos.

Parece óbvio que ninguém deseja se apegar à dor. Na realidade, porém, desapegar-se dela talvez seja um de nossos maiores desafios.

Aceitar a necessidade de abandonar um padrão emocional, mesmo que ele implique sofrimento, pode ser tão difícil quanto aceitar a morte de um ente querido, pois sentimos como se perdêssemos algo de nós mesmos. Em ambos os casos devemos aprender a fazer o luto. Como escreve Christine Longaker em Esperança diante da morte (Ed.Rocco): “O processo de recuperação da nossa dor pode nos ajudar a viver de maneira mais plena e apreciar cada dia e cada pessoa, como uma dádiva insubstituível. No luto, devemos por fim nos desapegar da pessoa que se foi; no entanto, podemos manter o seu amor conosco. Não somos abandonados na perda; podemos nutrir nossas memórias de amor, e permitir que o amor continue fluindo na nossa direção”. Do mesmo modo, quando nos separamos de um padrão emocional dolorido com o qual convivemos por tantos anos, devemos manter a consciência de sua importância em nosso processo de autoconhecimento: uma forma de gratidão pelo aprendizado.

Sogyal Rinpoche sugere o contato com a natureza como um potente método de pôr fim à dor: “Um dos métodos mais poderosos que conheço para aliviar e dissolver o sofrimento é ir para a natureza, contemplar uma cachoeira, em especial, deixando que as lágrimas e a dor saiam de você e o purifiquem como a água que flui. Pode também ler um texto tocante sobre a impermanência ou o sofrimento, e deixar a sabedoria contida em suas linhas trazer-lhe consolo. Aceitar a dor e pôr-lhe fim é possível”. (O livro Tibetano do Viver e Morrer, Ed. Talento )

Quando aceitarmos o fato de que podemos experimentar conscientemente nossa dor, então, estaremos prontos para nos liberar dela! Finalmente romperemos o hábito de autocomiseração e estaremos aptos para sermos felizes.

A intensidade da dor de uma emoção possui um tempo que lhe é próprio, mas que também tem seu fim. Se ela continuar presente depois de um tempo prolongado é porque a estamos invocando em demasia. É melhor pararmos de invocar essa dor e abrirmo-nos para o desconhecido, perguntando-nos: “Como serei sem esta dor”?

Muitas vezes encontramos justificativas nobres para não mudar, quando, na realidade, estamos é precisando ser mais sinceros com nossa fraqueza.

A sinceridade é um antivírus contra as interferências interiores e exteriores, pois quando somos sinceros não fazemos rodeios. A sinceridade nos dá coragem e abertura para lidar com qualquer situação, agradável ou desagradável. Desta forma, nos abrimos para o mundo. A falta de foco é um modo de nos protegermos das exigências do mundo, e de adiarmos nossa participação nele.

Ao saber quem somos, podemos adquirir a flexibilidade de perceber igualmente as nossas necessidades e as dos outros sem privilegiar nenhuma das partes. Assim, não estaremos amarrados a nós mesmos, nem nos confundiremos com os desejos dos outros.
Extraído do livro “O livro das Emoções” de Bel Cesar, Ed. Gaia.

  • Bel Cesar é terapeuta e dedica-se ao atendimento de pacientes que enfrentam o processo da morte.
    Autora dos livros Viagem Interior ao Tibete, Morrer não se improvisa, O livro das Emoções e Mania de sofrer pela editora Gaia.
    Visite o Site
    Email: belcesar@ajato.com.br


    W W W . S O M O S T O D O S U M . C O M
  • 09/07/2008 GMT -3

    Summertime - Ella Fitzgerald & Louis Armstrong

    rprota @ 02:58

    Elvis Presley - In The Ghetto...

    rprota @ 02:24

    Janis Joplin / Mercedes-benz (www.SoloMercedes.com )

    rprota @ 02:13
    Janis Joplin (1943 - 1970), su nombre completo es Janis Lyn Joplin. Fue un símbolo femenino de la contracultura de los 60. Fue la primera mujer blanca considerada gran estrella del rock.

    Nació el 19 de enero de 1943 en Port Arthur, localidad industrial de Texas. Los padres de Janis habían querido que fuera maestra. Su padre, Seth, trabajaba en una refinería. Su madre, Doroty, había destacado cantando en su instituto.

    Frases:
    =======

    "Lo que te hace sentir bien no te puede causar ningun daño" Janis Joplin haciendo referencia a las drogas.

    "Manejame, Señor. No me dejes, por favor. Me siento tan inutil aca abajo, sin nadie a quien amar. A pesar que he buscado por todos lados, no puedo hallar a nadie que me ame, que sienta mi cariño...Entonces, manejame Señor, oh, usame Señor! Te puedo enseñar lo duro que es tratar de vivir cuando estas solo? Todos los dias trato de avanzar, pero algo me empuja hacia atras. Algo esta tratando de pararme hacia mi forma de vida. Por eso, no me olvides aca abajo, Señor, no no no no no, no me olvides, Señor! No creo ser una persona excepcional aca en este mundo, lo se muy bien. Pero no creo que vayas a encontrar a nadie, ni siquiera uno, que pueda decir que ha tratado como yo lo he hecho. Lo peor que pueden decir ustedes de mi es que nunca estoy satisfecha..."

    Parte de la cancion "Work Me, Lord" de Janis Joplin (version del festival de Woodstock en 1969).

    "No entiendo como te fuiste...Y no entiendo porque la mitad del mundo aun esta llorando, cuando la otra mitad tambien sigue llorando. No lo puedo entender. Yo digo, si tuvieras un gato por un dia, pero de verdad lo quisieras tener por 365 dias, no? Pero no puedes, y lo tienes solo un dia. Pues yo te digo que mas vale que ese unico dia sea toda tu vida. Porque, oh bueno, puedes llorar por los otros 364 dias, pero vas a perder ese unico dia, y eso es todo lo que tienes. Tienes que llamar a esto amor. Eso es lo que es. Y si lo tienes hoy, ya no lo quieres mañana, porque ya no lo necesitas, porque, a decir verdad y como descubrimos a lo largo de la vida, el mañana nunca sucede. Siempre es el mismo puto dia..."

    Parte de la cancion "Ball And Chain" (version del album "Joplin In Concert") donde Janis hace una reflexion melancolica sobre el amor y la vida.

    João Acaiabe

    rprota @ 01:22

    Bambalalão

    rprota @ 01:07

    08/07/2008 GMT -3

    Melhore o relacionamento com seus pares

    rprota @ 18:04
    Carreira

    Fonte: cio.uol

    A integração de diversas áreas e o bom relacionamento entre pares são fundamentais para o sucesso dos projetos de TI
    Maya Townsend
    Publicada em 04 de abril de 2007 às 19h33

    Algumas semanas atrás, recebi a ligação do vice-presidente de uma grande empresa. Seu departamento tinha acabado de ser reestruturado e ele precisava, rapidamente, integrar as novas divisões sob sua responsabilidade e fazê-las colaborar com a organização já existente. O problema: ele herdou um grupo de pessoas que não entendiam porque a mudança aconteceu e que não entendiam porque teriam de redesenhar seus processos para se encaixar na nova estrutura organizacional. Para completar, eles estavam acostumados a trabalhar sozinhos e não viam razão para colaborar com seus pares. O VP teria de ajudá-los a encontrar o caminho ao mesmo tempo em que cuidava de melhorar o desempenho do departamento.
    A situação não é rara. Executivos de tecnologia vivem em um mundo de mudança no qual as únicas constantes parecem ser a busca por melhora contínua do desempenho, aumento de produtividade e colaboração com os pares. Neste ambiente altamente integrado e matricial, existem muito poucas pessoas e muito trabalho para que a gente se afaste dos outros. Nós nos apoiamos em nossos colegas para compartilhar conhecimento, resolver problemas em conjunto, fornecer dados e encontrar suporte para nosso trabalho.
    Mas a colaboração bem-sucedida demanda tempo e esforço concentrado. Por onde começar? Veja algumas dicas:

    Comece com o ‘por que?’
    As pessoas têm muito a fazer. Se eles não entenderem a verdadeira importância da colaboração, não farão nada. Por exemplo, alguém pode até concordar que a colaboração irá melhorar o atendimento ao cliente. Mas isto não é motivo suficiente para insistir na colaboração e trabalhar além dos limites de sua área quando o deadline se aproxima e a pressão aumenta. Porque perder tempo com um conceito que pode ter resultados ou não?
    Um argumento muito mais convincente seria “o departamento X trabalha com os seus clientes todos os dias. Se nós não desenvolvermos um relacionamento próximo com eles, nunca saberemos o suficiente para atender nossos clientes da maneira correta.” Com isso, fica claro o que é crítico, o que é necessário e quais as conseqüências de não colaborar.
    Este tipo de argumento é o primeiro passo para construir relações bem-sucedidas entre as áreas da companhia. Para entender a motivação, responda às perguntas abaixo:
    • O que está em jogo para a empresa e para os clientes se as divisões não colaborarem?
    • O que cada grupo tem que os outros precisam?
    • Porque alguns precisam de outros para melhorar o desempenho?

    Construa relações pessoais
    Simplismente concordar com a colaboração não faz ela acontecer. Para ser bem-sucedida, a colaboração leva tempo, interação e esforço.
    Se uma organização precisa de sinergia entre divisões, as pessoas devem construir bom relacionamento com as outras equipes. Isto não acontece na noite para o dia. Relacionamnetos se fortalecem quando as pessoas criam confiança umas nas outras. Isto vem com o tempo, conforme um sabe o time do coração do outro, a paixão por filmes antigos ou a preferencia por comida vegetariana.
    Isto é a fundação para que se crie a confiança no relacionamento. Confiança existe quando as pessoas podem contar com as outras para fazer o que querem fazer e para agir com intenções positivas. A melhor maneira de construir confiança é sendo confiável. Se um compromisso não puder ser honrado, aja proativamente e explique a situação, e desenvolva um plano de contingência para manter a parceria positiva.
    Com confiança, as pessoas percebem que têm poderosos aliados na organização. Estas pessoas são aquelas com quem irão converser quando as políticas organizacionais estiverem confusas, as prioridades mudarem ou circustancias especiais demandarem atenção diferenciada. Existe um benefício adicional em desenvolver esses relacionamentos entre as divisões: as pessoas podem fazer amigos no trabalho, o que, de acordo com um estudo do Gallup, é um dos principais indicadores de satisfação no trabalho.

    Fique atento à execução
    Ficar atento à execução não precisa ser algo dificil. Em uma reunião com representantes-chave de diversos grupos, indentifique:
    • Quais são os objetivos de curto e de longo prazo para a colaboração?
    • Como os envolvidos saberão que as metas foram atingidas?
    • Quais processos terão de ser estruturados para que o trabalho dê certo?
    • Qual o papel e as responsabilidades de cada grupo?
    • Qual será a periodicidade dos encontros? Quem é o responsável pelas reuniões?
    • Como as decisões serão tomadas? Quais decisões precisam ser levadas a superiores? A quem?

     Prepare-se para o inesperado
    É rara a organização que não tem uma mudança de planos no meio do caminho e é rara a aliança que esclarece todas as duvidas. Para desenvolver uma parceria realmente boa, saiba como lidar com mudanças organizacionais no meio do caminho e com mal-entendidos.

    Dê tempo ao tempo
    A última dica para desenvolver boas parcerias entre departamentos é simples, apesar de ser um desafio para muitos: dê tempo para que funcione. Os grupos devem ficar em contato para resolver tensões acumuladas, compartilhar melhores práticas, avaliar o progresso do trabalho e identificar oportunidades. Essas conexões constants farão a aliança funcionar.

    Maya Townsend é fundadora e consultora da Partnering Resources

    Elenco nota 10

    rprota @ 13:25

     

    07/07/2008 GMT -3

    (Túnel do Tempo)Jacarezinho: depoimentos e local do crime indicam execuções e responsabilidade da polícia na morte de menino de 3 anos

    rprota @ 21:31

    14/01/2008
    Fonte: renajorp-ms

    Na última quinta-feira, 10 de janeiro, uma ação policial na favela do Jacarezinho levou à morte de 6 pessoas (7, segundo a polícia), sendo uma delas Wesley Damião da Silva Saturnino Barreto, de 3 anos. No dia seguinte, logo pela manhã, a Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência esteve na comunidade ouvindo depoimentos e vendo o local onde aconteceram três das mortes, inclusive a do pequeno Wesley. Segue o relato do que ouvimos e vimos.

    A ação policial começou por volta das 8h de quinta-feira (10/1/2007), com mais de 60 policiais do Bope, 3 BPM e 22 BPM, e foi dirigida pessoalmente pelo comandante do 3 BPM, Tenente Coronel Marcos Alexandre Santos de Almeida. As razões para a operação, apresentadas pela polícia para a imprensa, variaram muito: no início era "combate ao tráfico", depois "busca de veículos roubados" e "cumprimento de mandados judiciais". Na sexta-feira (11), quando a notícia da morte do pequeno Wesley já estava nos jornais, foi finalmente apresentada a versão de que a operação destinava-se a retirar barreiras montadas pelo tráfico em diversas ruas do Jacarezinho.

    A verdade é que os policiais, durante todo o dia, desfizeram barreiras, revistaram pessoas e apreenderam motos (muitas foram depois requisitadas de volta por seus donos legais, moradores da comunidade), mas também arrombaram casas (muitos policiais estavam com grandes alicates e molhos de chaves para abrir portas), ameaçaram e ofenderam as pessoas, feriram muitas (a maioria não quis denunciar por medo), espancaram outras e executaram jovens, segundo moradores com requintes de tortura.

    Segundo uma testemunha, um dos executados ainda de dia, chamado Zacarias, foi obrigado pelos policiais a beber duas garrafas de cloro (material de limpeza) antes de ser executado, próximo à Rua Dom Jaime. Ninguém negou que quatro dos jovens mortos fossem envolvidos com o tráfico local, mas todos disseram que em nenhum caso os que morreram estavam trocando tiros. Uma das vítimas, Flávio Augusto de Oliveira Serrano, 16 anos, não era traficante, foi retirado de dentro de sua casa e executado.

    Os traficantes atiraram sim contra os policiais, mas principalmente à noite, depois da emboscada que resultou na morte de dois rapazes e do pequeno Wesley. Foi nessa resposta dos traficantes que o soldado Sá do Bope foi ferido (foi o único policial ferido em toda a dita operação, que durou um dia inteiro).

    Mãe saiu para comprar fraldas

    No final da tarde, todas as barreiras já haviam sido retiradas, os tiros cessaram e muitas pessoas pensaram que os policiais já haviam ido embora. Mesmo assustadas, porque boa parte das ruas estavam às escuras (os policiais haviam atirado em vários transformadores), as pessoas arriscavam-se a sair de onde estavam, para ir para casa ou outro lugar. Entre essas pessoas, estava Débora Damião da Silva, 23 anos, que saiu para comprar fraldas, levando o seu filho de seis meses, Daniel, no colo, e o pequeno Wesley pelas mãos. Era cerca de 18h.

    No entanto, nem todos os policiais haviam ido embora. Muitos, a maioria aparentemente do Bope, dividiram-se em grupos para preparar emboscadas, aproveitando-se da escuridão. Um dos grupos, com cerca de 10 policiais, arrombou o portão e abriu a porta de um imóvel de três andares na Rua Esperança, quase em frente à residência da avó de Wesley, Helena Damião da Silva. Esse imóvel, que já fora utilizado outra vez pela polícia, estava vazio pois a senhora que nele reside estava viajando.

    Os policiais cortaram o cadeado do portão, abriram a porta com uma chave mestra (não há sinais de arrombamento), abriram os armários do quarto da senhora (aparentemente para pegar lençóis) e foram para a laje superior, de onde se tem uma visão completa de todo o trecho da Rua Esperança. Na sexta-feira, ainda se viam uma caixa de fósforos e uma luva de borracha ensangüentada que os policiais haviam deixado na laje.

    Fábio S. Santos (conhecido como Bimbim) e mais um rapaz (provavelmente chamado Denis) sentaram-se num banco de concreto que fica em frente ao n° 48 da Rua Esperança. Ao lado do banco, fica a escadaria pela qual Débora com seus filhos vinha subindo, voltando com o pacote de fraldas. Por volta das 18h50 os policiais da laje começaram a atirar na direção de Fábio e do outro rapaz, que foram atingidos, assim como o pequeno Wesley, que levou três tiros (no tórax, no ombro e no braço esquerdo). Todas as marcas de tiro no local mostram claramente que os disparos vieram de cima. Há perfurações no assento do banco onde estavam os dois rapazes, na calçada de concreto onde sai a escadaria, na porta de aço da casa de Helena e no chão da entrada de sua casa.

    Um dos rapazes baleados (aparentemente Fábio) pediu ajuda na casa de Helena, e logo tentou fugir sangrando pelo beco que dá acesso à casa invadida pelos policiais (há muitas marcas de sangue nas escadas do beco), mas foi perseguido pelos policiais e executado. O outro rapaz (possivelmente Denis), também baleado, estava caído gritando "perdi, perdi, estou puro!", mas os policiais o chutaram no peito e o executaram ali mesmo.

    Quando viu os tiros atingirem a porta de sua casa, Helena e mais quem estava ali correram para se abrigar na cozinha, mas ela ouviu os gritos do neto na escadaria e logo depois conseguiu vê-lo, através da janela, desmaiado e sangrando. Débora, ainda com Daniel no colo, tentava arrastar Wesley baleado para a casa da avó, quando apareceram os policiais, que não socorreram nem demonstraram nenhum interesse no drama da mãe e do menino. Só estavam interessados em acabar de executar e remover os corpos de Fábio e Denis. Finalmente Débora foi socorrida por uma amiga, que ficou com Daniel, e por um pastor amigo seu, que os levou ao Hospital Salgado Filho, mas Wesley não resistiu.

    Mesmo que os dois rapazes baleados tivessem trocado tiros (o que não aconteceu segundo todas as testemunhas ouvidas), a posição em que estavam eles, Débora e seus filhos (abaixo) e os policiais (acima), torna muito provável que as balas que atingiram Wesley tenham partido dos policiais. Há muitas marcas de bala na calçada por onde passam quem sai da escadaria subindo, bem como ainda eram bastante visíveis as manchas de sangue no mesmo ponto na sexta pela manhã.

    Claro que os policiais não devem ter alvejado Wesley propositalmente, mas da laje em que eles estavam pode-se ver todo o trecho da rua e a parte superior da escadaria, portanto é impossível que não tenham notado a presença de Débora, das crianças e de outras pessoas próximo do ponto em que estavam os rapazes.

    Como em muitos outros casos que já vimos em ações policiais em favelas, provavelmente ali os policiais dispararam contra seus alvos (os dois rapazes) sem se importar com a presença de outras pessoas na linha de tiro. No caso, há o agravante de que tratava-se de uma emboscada óbvia, e a iniciativa de tiro com certeza era dos policiais.

      Débora, ainda com Daniel no colo, tentava arrastar Wesley baleado para a casa da avó, quando apareceram os policiais, que não socorreram nem demonstraram nenhum interesse no drama da mãe e do menino. Só estavam interessados em acabar de executar e remover os corpos de Fábio e Denis. Finalmente Débora foi socorrida por uma amiga, que ficou com Daniel, e por um pastor amigo seu, que os levou ao Hospital Salgado Filho, mas Wesley não resistiu.

    A ação policial no Jacarezinho na quinta-feira (10/1) tem indícios mais que suficientes de execução sumária, violação de domicílio, tortura e desprezo por pessoas não envolvidas na linha de tiro. A responsabilidade pelas violações e crimes cometidos cabe não só aos policiais envolvidos diretamente nos incidentes, mas também aos oficiais que comandaram a ação, inclusive o comandante do 3 BPM.

    Vejam as fotos no site da Rede ou no Centro de Mídia Independente.

    Em agosto de 2007, a PM já havia executado uma mãe de 26 anos e um bebê também de 3 anos. Elizângela Ramos da Silva era manicure e foi atingida na cabeça. Em julho do mesmo ano, Leandro Silva Davi, de 16 anos, foi assassinado quando preparava o café da manhã dentro da cozinha da sua casa. A bala que o matou atravessou a janela da residência que dá para a Praça da Concórdia de onde partiam os tiros da operação policial. O jovem treinava futebol no São Cristóvão e era estudante. O tiro atingiu a região do coração. À época os moradores foram humilhados ao tentar socorrer as vítimas (leia aqui).

    Em junho de 2007 a comunidade do Jacarezinho já havia organizado manifestação contra as violentas operações policiais (do 3o e 22o BPM) na favela, que até então já havia causado 8 mortes (todas execuções sumárias, segundo testemunhas). Participaram da manifestação a Associação de Moradores do Jacarezinho, Centro Cultural, Escola de Samba, Celula Urbana do Jacarezinho, ONGs, Igrejas, comerciantes locais e outras organizações, que realizaram uma marcha para protestar contra a ação violenta que a polícia tem feito no Jacarezinho.

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