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07/06/2008 GMT -3

Sargento homossexual é transferido de quarto de hospital para carceragem

rprota @ 11:23

Publicada em 06/06/2008 às 22h09m

Catarina Alencastro, O Globo Online

Laci, sargento do Exército preso após entrevista a programa de tv em SP - Foto de Lawrence Bodnar, Diário de S.Paulo

BRASÍLIA - O sargento Laci Marinho de Araújo foi transferido nesta sexta-feira do quarto do Hospital Geral do Exército, em Brasília, para a carceragem do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília. Munido de uma autorização da Justiça Militar, o 2º sargento do Exército Fernando Alcântara Figueiredo pôde visitar o companheiro nesta sexta. Transferido pela manhã, Laci é acusado de ter abandonado o serviço por mais de oito dias e foi preso por deserção.

O casal relata estar sendo perseguido por militares devido ao relacionamento que cultivam há mais de dez anos. A autorização para que Laci recebesse a visita do parceiro foi dada pela juíza Zilah Maria Fadul Petersen, responsável pelo caso. Ela tomou a decisão depois de ter recebido uma solicitação oficial do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que preside uma comissão especial criada no Senado para averiguar o ocorrido.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio, Wadih Damous, defendeu nesta sexta-feira que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, revogue imediatamente a prisão do sargento Laci Marinho de Araújo . A assessoria do Ministério da Defesa informou que o ministro Nelson Jobim ainda não deu esclarecimentos sobre a prisão do sargento porque está no Rio de Janeiro. Ontem à noite, a senadora Fátima Cleide (PT-RO) e a deputada Cida Diogo (PT-RJ) protocolaram no ministério um pedido de informações sobre o caso.

A senadora Fátima Cleide esteve com Laci, acompanhada do advogado Marcos Rogério de Souza, da liderança do PT. A partir de agora, o sargento contará com a ajuda de um advogado arranjado pelo partido para cuidar do caso sem custos para ele.

Antes de ser transferido para a prisão, Laci passou por duas avaliações médicas realizadas por militares, uma em São Paulo - onde foi preso após sair de uma entrevista à Rede TV - e outra no Hospital Geral de Brasília, onde ele e Fernando trabalham. Os dois laudos, segundo o Centro de Comunicação Social do Exército, concluíram que o general estava apto a trabalhar.

Um laudo do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), feito pelo médico Paulo César Sampaio, no entanto, afirma que Laci sofre de psicose, esclerose múltipla e disfunção vertiginosa labirintal. Para Fátima Cleide, o detento deveria estar em um hospital:

- Ele está bastante transtornado. É visível que o quadro dele é de depressão. A gente percebe que ele deveria estar no hospital, e não numa cadeia.

A senadora saiu do batalhão tranqüila por ter conseguido dos militares a garantia de que os remédios que vinham sendo administrados a Laci no hospital continuariam sendo dados na prisão. O companheiro Fernando saiu da visita preocupado com o estado de saúde de Laci, que teria chorado muito e reclamado que não tinha tomado o remédio que vinha recebendo antes da transferência para a prisão.

Por determinação da juíza, Fernando, que já se apresentou ao serviço e voltou ao trabalho, poderá visitar Laci todos os dias por uma hora, com a presença dos militares que fazem a segurança do preso.

O Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) vai pedir que o Conselho Federal de Medicina elabore um laudo independente sobre a saúde do sargento Araújo.

O presidente Lula participou da Conferência Nacional GLBTT e condenou o preconceito contra homossexuais .

- Quando se trata de preconceito, eu conheço nas minhas entranhas - afirmou o presidente.

Nesta quinta, o Exército divulgou nota afirmando que Figueiredo também responderá "administrativamente" por sua ausência no serviço.

Araújo ficará no Hospital Geral de Brasília, que pertence às Forças Armadas, mas à disposição da Justiça Militar para que seja dada continuidade 'aos procedimentos judiciais, fruto de seu indiciamento em crime de deserção', diz o Exército.

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